EXAME Agro

Fim do foie gras? Lula sanciona lei que proíbe produtos por meio da alimentação forçada de animais

Nova lei barra a produção e a comercialização de alimentos produzidos por meio da alimentação forçada de animais

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 24 de julho de 2026 às 09h26.

Última atualização em 24 de julho de 2026 às 09h29.

Tudo sobreGoverno Lula
Saiba mais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta sexta-feira, a Lei 15.475, que proíbe no Brasil a produção e a comercialização de alimentos obtidos por meio da alimentação forçada de animais. A medida atinge a fabricação do foie gras, produto feito a partir do fígado de patos e gansos submetidos a um processo de engorda intensiva.

A sanção foi publicada no Diário Oficial da União após a aprovação da proposta pelo Congresso. Com a nova legislação, o Brasil passa a ser o segundo país da América Latina, depois da Argentina, a estabelecer uma proibição abrangente relacionada a esse método de produção.

A expressão francesa foie gras, que significa “fígado gordo”, designa um alimento produzido a partir do fígado de aves submetidas à gavagem, método no qual grandes quantidades de alimento são introduzidas diretamente no esôfago por meio de tubos. O procedimento tem como objetivo aumentar o tamanho do órgão usado na fabricação do produto.

Entidades de proteção animal associam a prática a lesões, dificuldades de locomoção e alterações fisiológicas nas aves. Relatórios internacionais sobre bem-estar animal apontam que o fígado pode atingir várias vezes seu tamanho normal durante o processo, condição descrita como patológica. Também há registros de mortalidade durante a etapa de engorda.

No Brasil, a produção de foie gras é restrita. Um levantamento da organização Animal Equality identificou três fazendas dedicadas à atividade no país. O produto, no entanto, ainda circula no mercado brasileiro e pode alcançar preços próximos de R$ 2 mil por quilo.

O projeto que deu origem à lei integrou a Agenda Legislativa Animal, documento elaborado por organizações do setor que reúne propostas relacionadas à proteção dos animais em tramitação no Congresso. A iniciativa havia sido incluída entre os projetos apontados com possibilidade de avanço legislativo em 2026.

Na ocasião da aprovação do projeto, o deputado Marcelo Queiroz (PSDB-RJ), relator da Comissão de Meio Ambiente, afirmou que a medida acompanhava mudanças na legislação brasileira relacionadas ao bem-estar animal e ao debate sobre os padrões de produção no setor de alimentos.

Proibição do foie gras também chegou aos tribunais em Nova York

A discussão sobre a produção e a venda de foie gras também provocou disputas políticas e judiciais fora do Brasil. Em Nova York, nos Estados Unidos, uma lei aprovada durante a gestão do então prefeito Bill de Blasio determinou a proibição do armazenamento e da venda do produto na cidade.

A legislação previa que a restrição entrasse em vigor, em 25 de novembro de 2022. A proposta recebeu 42 votos favoráveis e seis contrários na Câmara Municipal de Nova York, em meio ao debate sobre o uso da alimentação forçada de patos e gansos na cadeia de produção.

Organizações de defesa dos animais sustentaram que o método utilizado para aumentar o fígado das aves configurava uma prática de crueldade. Produtores contestaram essa avaliação e afirmaram que mudanças adotadas no processo produtivo haviam alterado as condições de criação.

A medida também provocou reação do governo da França, país onde o foie gras integra a tradição gastronômica. Autoridades francesas pediram que Nova York reconsiderasse a decisão. Uma manifestação semelhante ocorreu, em 2004, quando a Califórnia aprovou uma proibição relacionada ao produto.

A produção de foie gras também enfrenta restrições em diferentes países. Segundo as informações reunidas no projeto, a atividade é proibida em países europeus como Reino Unido, Alemanha, Dinamarca, Finlândia, Itália e Suécia, assim como em Israel, Turquia e Argentina.

Acompanhe tudo sobre:AlimentaçãoAnimaisLuiz Inácio Lula da SilvaGoverno Lula

Mais de EXAME Agro

Clima extremo e guerra pressionam grãos e elevam preços globais dos alimentos

STF redefine regras para capital estrangeiro no agronegócio brasileiro — entenda os impactos

JBS fecha parceria com fundo soberano da Indonésia para investir até US$ 5 bilhões

Governo aponta azeites vendidos como extravirgem fora da classificação; veja quais