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Alemanha supera EUA e se torna principal destino do café brasileiro em 2025/26

Exportações brasileiras recuam 15,7% na temporada, enquanto EUA perdem liderança após tarifa de 50% sobre o café

Exportação de café: Brasil exportou 38,462 milhões de sacas de 60 quilos para 125 destinos entre julho de 2025 e junho de 2026 (Paulo Fridman/Corbis/Getty Images)

Exportação de café: Brasil exportou 38,462 milhões de sacas de 60 quilos para 125 destinos entre julho de 2025 e junho de 2026 (Paulo Fridman/Corbis/Getty Images)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 15 de julho de 2026 às 17h08.

A Alemanha ultrapassou os Estados Unidos e se tornou o principal destino do café brasileiro na temporada 2025/26. O país europeu importou 5,2 milhões de sacas, volume equivalente a 13,5% das exportações brasileiras, mesmo com uma redução de quase 21% em comparação à temporada anterior.

A mudança ocorreu em meio aos impactos da tarifa de 50% imposta pelos norte-americanos ao produto brasileiro por cerca de quatro meses, medida que provocou uma forte retração dos embarques ao mercado dos Estados Unidos e alterou a geografia das exportações nacionais.

No total, o Brasil exportou 38,462 milhões de sacas de 60 quilos para 125 destinos entre julho de 2025 e junho de 2026, queda de 15,7% em relação ao ciclo anterior.

A receita cambial somou US$ 14,595 bilhões, recuo de apenas 1%, registrando o segundo maior faturamento da série histórica, segundo dados divulgados nesta quarta-feira, 15, pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

Os EUA passaram para a segunda posição, com a compra de 4,243 milhões de sacas, o equivalente a 11% do total exportado pelo Brasil. O volume representa uma queda de 43,2% na comparação anual, refletindo diretamente os efeitos da política tarifária adotada pelo governo de Donald Trump.

Segundo o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, a redução das exportações para os EUA foi determinante para a mudança no ranking dos principais compradores do café brasileiro.

Entre 6 de agosto e 21 de novembro — período em que vigorou a tarifa de 50% aplicada pelos Estados Unidos, com efeito retroativo a 13 de agosto — os embarques brasileiros para aquele mercado caíram 54,9%. No intervalo, as exportações passaram de 2,917 milhões para 1,315 milhão de sacas na comparação com os mesmos meses de 2024.

"Depois da retirada do tarifaço sobre a maioria dos cafés brasileiros notou-se a retomada dos negócios entre os dois países, mas, até o momento, o ritmo mais normal dessas transações não foi alcançado em função da instabilidade e das incertezas relativas à política comercial dos EUA", afirma Ferreira.

Segundo ele, o setor ainda aguarda o resultado das investigações conduzidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), no âmbito da Seção 301, o que mantém o ambiente de negócios cercado de incertezas.

Completam a lista dos cinco maiores destinos a Itália, com 3,267 milhões de sacas (-8,1%), a Bélgica, com 2,330 milhões (-24,7%), e o Japão, com 2,300 milhões de sacas, praticamente estável em relação ao ciclo anterior.

Menos café para exportar

Além das barreiras comerciais, o Cecafé aponta que a menor disponibilidade de café também contribuiu para a redução dos embarques na temporada.

Segundo Ferreira, após o recorde de exportações registrado em 2024, os estoques nacionais diminuíram significativamente.

Ao mesmo tempo, a safra de 2025 foi prejudicada por adversidades climáticas, reduzindo a oferta disponível para comercialização.

Outro fator citado foi a infraestrutura portuária brasileira. "Com infraestrutura defasada nos principais portos do Brasil, vimos pátios abarrotados e muitos atrasos na saída dos navios ao exterior, o que impossibilitou o embarque de centenas de milhares de sacas e gerou prejuízos milionários aos exportadores", afirma o presidente da entidade.

Segundo ele, custos extras com armazenagem, pré-stacking e detentions também elevaram as despesas das empresas exportadoras.

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