EXAME Agro

Na Câmara e nos EUA: por que esta semana deve ser decisiva para o agro

Setor acompanha a votação do PL das dívidas rurais e o desfecho da investigação comercial dos EUA, que pode elevar tarifas sobre produtos brasileiros

Plenário da Câmara: a expectativa do setor é de que o PL seja discutido ainda nesta semana, embora a bancada do agro, liderada pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), e o governo não tenham chegado a um acordo. (Saulo Cruz/Agência Senado/Flickr)

Plenário da Câmara: a expectativa do setor é de que o PL seja discutido ainda nesta semana, embora a bancada do agro, liderada pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), e o governo não tenham chegado a um acordo. (Saulo Cruz/Agência Senado/Flickr)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 13 de julho de 2026 às 11h49.

O agronegócio brasileiro deve ter uma semana decisiva em torno de dois temas: a votação do PL 5.122/2023, que trata da renegociação das dívidas rurais, na Câmara dos Deputados, que entra em recesso a partir do próximo sábado, 18; e a possibilidade de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos.

A expectativa do setor é de que o PL seja discutido ainda nesta semana, embora a bancada do agro, liderada pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), e o governo não tenham chegado a um acordo.

Na semana passada, após se reunir com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), os parlamentares ligados ao agro afirmaram que o encontro terminou sem consenso.

A principal divergência entre o governo e a FPA é a proposta do Executivo de editar uma medida provisória para substituir o projeto de lei que trata da repactuação das dívidas rurais. Além de defender a ampliação do número de produtores beneficiados, a FPA propõe juros anuais de 3,5% para pequenos produtores, 5,5% para médios e 7,5% para grandes. O governo, por sua vez, sugere taxas de 6%, 8% e 12%, respectivamente.

Outro impasse é o impacto fiscal da proposta. Enquanto o Ministério da Fazenda estima que o projeto pode gerar um custo de R$ 140 bilhões em 13 anos, a FPA calcula um impacto de R$ 65 bilhões no mesmo período.

Segundo a bancada, o governo superestima o custo ao considerar um volume maior de dívidas elegíveis e desconsiderar os critérios de acesso previstos no texto, como a exigência de laudos que comprovem perda de ao menos 30% da renda em duas ou mais safras em razão de eventos climáticos extremos.

"Não aceitamos o fim do projeto de lei. O que nos foi apresentado hoje foi uma série de alternativas ao PL 5.122, por meio de uma medida provisória que passaria a vigorar imediatamente para que o governo nos desse uma solução capaz de atender o maior número possível de produtores", disse Pedro Lupion (Republicanos-PR), presidente da FPA, após o encontro.

O PL 5.122/2023 foi aprovado pelo Senado em junho e retornou à Câmara após as modificações feitas pelos senadores.

O texto original previa uma linha especial de refinanciamento para produtores rurais afetados por eventos climáticos extremos, como as enchentes no Rio Grande do Sul.

Tarifa nos EUA

Em relação ao tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a expectativa é de que, na terça-feira, 15, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) anuncie sua decisão sobre a proposta de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, incluindo itens do agronegócio, como carnes, café e etanol de cana-de-açúcar.

Na semana passada, mais de 70 participantes estiveram na audiência pública promovida pelo USTR, entre representantes de cadeias produtivas, especialistas em comércio exterior, economistas e políticos.

O agronegócio brasileiro teve 11 representantes com direito à fala, enquanto 12 entidades do setor agropecuário americano também apresentaram seus argumentos sobre a proposta.

Um dos principais embates envolve o setor de biocombustíveis. A Renewable Fuels Association (RFA), que representa os produtores de etanol dos Estados Unidos, sustenta que o Brasil adota práticas comerciais desleais e defende a aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros.

Já a United States Cattlemen's Association (USCA), uma das principais entidades da pecuária americana, pediu ao presidente Donald Trump a imposição de tarifas e restrições amplas sobre todos os produtos bovinos brasileiros, incluindo carne, cortes e miúdos, sem exceções.

A associação afirma que a pecuária brasileira opera com vantagens consideradas "injustas", relacionadas ao desmatamento, ao trabalho forçado e a falhas na rastreabilidade e na governança. Com isso, defende o endurecimento das barreiras comerciais até que o Brasil comprove avanços estruturais nessas áreas.

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