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A Rumo parece ter reencontrado seu caminho em 2026 — e o mercado percebeu

Analistas do BTG e do Santander projetam avanço nos volumes transportados pela companhia e recomendam a compra das ações neste ano

Vagão da Rumo: Para os bancos, a companhia deve se beneficiar de novos investimentos logísticos e da manutenção da demanda por grãos (Rumo/Divulgação)

Vagão da Rumo: Para os bancos, a companhia deve se beneficiar de novos investimentos logísticos e da manutenção da demanda por grãos (Rumo/Divulgação)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 13 de janeiro de 2026 às 07h01.

Após encerrar 2025 com volumes recordes, a Rumo começa 2026 com a confiança renovada do mercado. Em relatórios divulgados nesta segunda-feira, 12, os analistas do BTG e do Santander projetam avanço nos volumes transportados pela companhia e recomendam a compra das ações.

O BTG manteve o preço-alvo em R$ 23, enquanto o Santander elevou sua projeção para R$ 27 — o que representa uma potencial valorização de até 82% sobre a cotação atual de R$ 14,83. Em 2025, os papéis da Rumo acumularam queda de 9,18%.

Para os bancos, a companhia deve se beneficiar de novos investimentos logísticos e da manutenção da demanda por grãos, mesmo diante de uma safra mais moderada no Centro-Oeste — região que responde por cerca de 52% da produção nacional de grãos, segundo dados do IBGE referentes à safra de 2025.

Para o ciclo 2025/26, a produção brasileira de grãos deve renovar o recorde e alcançar 354 milhões de toneladas, segundo projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

As estimativas para a Rumo são otimistas. Tanto o BTG quanto o Santander projetam que a companhia ultrapasse os 89 bilhões de toneladas por quilômetro útil (TKU) transportadas em 2026, após encerrar o ano passado com cerca de 84 bilhões de TKU.

“O forte desempenho no fim do ano passado amplia a probabilidade de a empresa atingir a faixa inferior do seu guidance de EBITDA, mesmo com um ambiente ainda desafiador para preços”, afirmam Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim, analistas do BTG.

Já o Santander estima um lucro líquido de R$ 2,7 bilhões e EBITDA de R$ 9,65 bilhões neste ano.

“A companhia entregou volumes acima do esperado e deve continuar priorizando eficiência e expansão logística ao longo do ano”, disseram Lucas Barbosa, Gabriel Tinem e Victor Tani.

O otimismo parte dos resultados operacionais do último trimestre de 2025, que superaram as expectativas do mercado.

Em dezembro, a Rumo movimentou 7,3 bilhões de TKU — o maior volume mensal já registrado pela companhia —, uma alta de 29% na comparação anual. No acumulado do quarto trimestre, foram 22,8 bilhões de TKU, também acima das projeções dos analistas.

O destaque foi o corredor Norte, que cresceu 31% em dezembro e alcançou 6,3 bilhões de TKU. No Sul, houve avanço de 14%, com 976 milhões de TKU, em um movimento de normalização após os efeitos climáticos severos de 2024.

Segundo o BTG, o resultado é reflexo de três fatores: maior dinamismo no mercado spot de grãos, estratégia mais agressiva de preços e permanência da soja no sistema logístico até mais tarde no ano.

No caso da soja, o país se beneficiou da guerra tarifária entre Estados Unidos e China, o que ampliou a preferência da potência asiática pela soja nacional.

Segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), o Brasil encerrou 2025 com exportações recordes de soja, totalizando 108 milhões de toneladas — alta de 11,7% em relação ao ano anterior. A China foi responsável por 87,1 milhões de toneladas, o equivalente a 80% do total exportado.

“O volume ajuda a diluir custos e sustentar margens”, afirma o Santander, que vê o mix tarifário como o principal desafio da Rumo no início de 2026.

A Rumo em 2026

Para 2026, ambos os bancos apontam como gatilhos de crescimento a entrada em operação de novos ativos: o terminal STS11, em Santos (em parceria com a COFCO), a primeira fase da linha LDRV e melhorias em terminais no interior do país.

Na leitura dos bancos, os investimentos devem ampliar a eficiência do sistema ferroviário e reforçar a posição da Rumo no eixo Centro-Norte.

Ainda assim, os analistas destacam alguns riscos no radar. O Santander menciona o impacto de uma safra de milho mais fraca e incertezas regulatórias.

Já o BTG chama atenção para a necessidade de preservar rentabilidade em um cenário ainda pressionado para preços, embora veja a ação negociada a múltiplos atrativos.

Segundo o Santander, os papéis da Rumo estão sendo negociados a cinco vezes o EV/EBITDA estimado para 2026 — abaixo de outras companhias do setor logístico. O BTG projeta um múltiplo de 6 vezes.

Ambos os relatórios também destacam como ponto positivo a entrada recente de novos investidores na Cosan, controladora da Rumo, o que pode trazer efeitos positivos no médio e longo prazo.

Diante do otimismo do mercado, as ações da Rumo subiram 0,40% nesta segunda-feira, fechando a R$ 14,89.

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