A doença da febre aftosa tem se espalhado pela China e, segundo dados oficiais do país, foram registrados casos em 12 das 23 províncias do país asiático.
A China possui atualmente um rebanho bovino de cerca de 100,4 milhões de animais. Juntas, as 12 províncias respondem por aproximadamente 52% da amostra nacional, com destaque para Mongólia Interior e Xinjiang, que juntas concentram quase 18% do rebanho chinês.
Segundo a mídia local, os casos de febre aftosa registrados são do tipo SAT1 (tipo 1 sul-africano), o qual possui uma taxa de mortalidade de até 50% em bezerros e ainda não conta com uma vacina eficiente — as vacinas contra a doença amplamente utilizadas na China visam sobretudo os sorotipos tradicionais, como O e A.
A febre aftosa é causada por um vírus de RNA, pertencente à família Picornaviridae, gênero Aphtovirus. Possui sete tipos imunologicamente distintos (A, O, C, SAT 1, 2, 3 e Ásia 1), dentre os quais foram identificados pelo menos 60 subtipos.
A vacinação contra um subtipo pode não proteger contra outro. O vírus é resistente a influências externas, incluindo desinfetantes comuns, e às práticas usuais de armazenamento de carne.
A transmissão ocorre por meio da ingestão de alimentos que contêm o vírus. Entretanto, a doença também pode ser transmitida pelo vento em um raio de até 60 km. Os hospedeiros do vírus incluem bovinos, búfalos, ovinos, caprinos, suínos, ruminantes e suídeos selvagens, além de camelos, dromedários e lhamas, mostra um estudo da Embrapa.
No final de março, o Ministério da Agricultura da China confirmou dois surtos da doença: um no condado de Yining, em Xinjiang, e outro no condado de Gulang, em Gansu. Na ocasião, 6.229 cabeças de gado foram abatidas e, desde então, Pequim reforçou o controle nas fronteiras para a entrada e saída de animais.
Os surtos ocorrem no mesmo momento em que a Rússia também enfrenta um avanço da doença na região siberiana de Novosibirsk, que faz fronteira com o Cazaquistão e pode ser o foco inicial da disseminação.
De acordo com a NTD Television, entre as 12 províncias que já detectaram casos estão: Xinjiang, Gansu, Mongólia Interior, Liaoning, Jilin, Heilongjiang, Shandong, Shanxi, Ningxia, Hebei, Guizhou e Anhui.
Exportação de carne