Ipanema da Embraer: o modelo — que se tornou símbolo da aviação agrícola nacional — é hoje o único avião produzido em série no mundo movido a etanol. (Embraer DAM)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 17 de maio de 2026 às 08h30.
RIBEIRÃO PRETO — A Embraer quer reforçar ainda mais sua presença no agronegócio brasileiro com um velho conhecido do campo: o Ipanema. Fabricado há mais de cinco décadas, o avião agrícola produzido pela companhia vive uma nova fase e mira expansão internacional.
Atualmente, 100% das vendas da aeronave acontecem no Brasil, mas a companhia já avançou na certificação do avião no Paraguai e negocia novos passos para expandir a operação na Argentina.
“Outros países também demonstram interesse, como Bolívia e México, embora em um horizonte mais de longo prazo. Por enquanto, nosso foco está mais concentrado na América Latina. Nos Estados Unidos, não vemos um mercado tão relevante para o Ipanema, e ainda existe muito espaço para crescer aqui na região”, diz Sany Onofre, líder de aviação agrícola da Embraer.
Segundo o executivo, o modelo — que se tornou símbolo da aviação agrícola nacional — é hoje o único avião produzido em série no mundo movido a etanol.
Na avaliação da Embraer, o crescimento da produção de etanol no Brasil e a busca global por combustíveis sustentáveis podem favorecer a expansão do Ipanema em mercados vizinhos.
“O Ipanema é movido a combustível sustentável há mais de 20 anos. Não é uma novidade para nós”, afirma Onofre.
Em um momento de pressão global sobre os preços do petróleo, agravada pela guerra no Irã, e de aumento do custo operacional no campo, a fabricante aposta justamente nessa característica para manter o Ipanema competitivo.
“O Ipanema é o modelo de avião que mais vende no Brasil, não apenas entre aeronaves agrícolas”, diz o executivo.
Embora a Embraer tenha atuação em aviação comercial, executiva e de defesa, o agro ocupa um espaço relevante dentro da estratégia institucional da companhia — embora a empresa não divulgue quanto o segmento representa no faturamento total.
Em 2025, a Embraer faturou R$ 41,9 bilhões, alta de 18% em relação a 2024. O EBIT ajustado foi de R$ 3,6 bilhões.
Dentro da companhia, diz o executivo, o Ipanema se consolidou como uma das aeronaves mais conhecidas do campo brasileiro, principalmente em regiões produtoras de soja, milho, algodão e cana-de-açúcar.
Nos últimos quatro anos, a Embraer manteve uma média de aproximadamente 55 aeronaves Ipanema vendidas por ano, segundo Onofre.
Segundo Onofre, o mercado agrícola atravessa um ciclo mais lento, mas a expectativa da companhia é de retomada gradual nos próximos meses. A leitura da Embraer é de que o agro continuará estratégico para a empresa, principalmente pelo peso da imagem do setor para a indústria aeronáutica brasileira.
“Como imagem, marca e presença no país, ele é muito importante para a Embraer. Isso supera qualquer questão financeira para a companhia”, diz Onofre.
Hoje, a fabricante está na sétima geração do Ipanema e mantém equipes exclusivas de engenharia dedicadas ao desenvolvimento da aeronave. O objetivo é incorporar novas tecnologias e ampliar a eficiência operacional no campo.
Além da pulverização agrícola, a empresa também começou a expandir sua atuação em soluções digitais voltadas ao agronegócio.