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Empresas ágeis: o que mudou com a pandemia?

Tema do bate-papo da EXAME com a 99 e convidados, a metodologia tem ajudado corporações a sobreviver, e mais que isso, a crescer mesmo diante dos desafios

A pandemia de covid-19 trouxe e continua trazendo inúmeros desafios para empresas grandes, médias ou pequenas. Adaptar-se a essa nova realidade é essencial, mas nem sempre é simples. Para conversar sobre esse novo cenário e, principalmente, mostrar como a metodologia ágil, quando bem aplicada, apresenta ótimos resultados na solução de problemas, a empresa de mobilidade 99, em parceria com EXAME, realizou no dia 7 de abril, a live “Empresas ágeis: o que mudou com a pandemia?”.

Com mediação de Leo Branco, editor da EXAME, o evento contou com a participação de Livia Pozzi, diretora de operações & produtos da 99; Ewerton Santos, head do Centro de Excelência em Agile da everis; e Roberto Resque, superintendente de tecnologia do Banco Inter.

Mudar é preciso

A pandemia escancarou problemas das grandes corporações e acelerou algumas transformações digitais que já aconteciam. “De imediato, fomos na contramão da crise e aceleramos os investimentos. Em 2020, foram cerca de R$ 160 milhões investidos e, assim, pudemos lançar quatro novos produtos endereçados às necessidades surgidas com a pandemia, além de acelerar outros três, entre eles a 99Food (plataforma de entrega de refeições que conecta clientes, restaurantes e entregadores parceiros) e o 99Compartilha (opção de corridas compartilhadas entre os passageiros)”, contou Livia Pozzi.

Apesar dos desafios, o fato de a 99 ser uma empresa de tecnologia tornou a transição mais suave. “Tivemos velocidade para rapidamente entender as novas necessidades, trocar nossos indicadores de negócios e nossas metas. Como resultado, no final de 2020 a 99 já tinha recuperado mais de 100% dos patamares de corridas antes da pandemia”, afirma a executiva.

A favor do cliente

Organizações de todos os tamanhos lutam para se manter relevantes aos olhos de seus clientes e da sociedade. Essa frase, do Business Agility Institute, explica muito bem o cenário nessa pandemia. Recentemente, a multinacional de consultoria everis, em parceria com o Massachusetts Institute of Technology (MIT), realizou a pesquisa A agilidade na América Latina para analisar a adoção da metodologia nas grandes corporações do mercado Latam.

Ao todo, foram avaliados 38 líderes de grandes empresas – 42% delas acima de 10.000 funcionários. “Apuramos, por exemplo, que em 2017 as empresas pesquisadas investiram cerca de 5 milhões de dólares nesse movimento de transformação. Em apenas dois anos esse orçamento cresceu 37%”, destaca Santos. Na opinião do especialista, a pandemia veio para impulsionar o movimento de trabalhar a favor do cliente. “A gente não está falando só de metodologia, mas como destravar de fato a organização a ponto de gerar valor para quem realmente necessita. Isso impacta não só o cliente, mas também a sociedade”, observa.

Já Roberto Resque contou que o Banco Inter é essencialmente digital, inclusive em relação à interação com os clientes. “A pandemia representou uma aceleração de dez anos, trouxe muitos desafios técnicos e crescimento do ponto de vista de negócios”, disse ele durante a live.

Leo Branco, editor em EXAME, Livia Pozzi, da 99, Roberto Resque, do Inter, e Ewerton Santos, da everis (da esq. para dir.): metodologia ágil em debate (Exame/Divulgação)

Metodologias ágeis

A origem desse método vem do Manifesto Ágil, que surgiu em 2001, quando 17 especialistas em tecnologia se uniram para pensar em formas melhores de trabalhar com softwares. Aos poucos, o conceito foi sendo expandido para as grandes organizações. “A grande sacada é a experimentação, o face to face, a ideia de encurtar ciclos de feedback e, principalmente, trazer o cliente para perto, colocando-o no centro. É olhar em retrospecto e melhorar continuamente”, diz Santos. “Eu costumo dizer que agilidade nada mais é do que você responder aos cenários turbulentos com adaptação e emergência. E isso ocorre independentemente dos métodos. As práticas são complementares. O importante é errar antes para acertar mais cedo também”, acrescenta.

Verticalização dos times

No caso da 99, especificamente, Livia Pozzi lembrou que a empresa está estruturada de forma a responder melhor em momentos turbulentos. “Acredito que a chave esteja em ser uma organização menos vertical, na qual a tomada de decisão esteja mais próxima, com times multidisciplinares e com bastante autonomia, com a inclusão do usuário. Com flexibilidade para decidir, mudar, testar, voltar atrás”, explica.

“A cultura ágil é a que nos trouxe até aqui e, também, o que nos levará ao crescimento”, comentou Reque. “No Inter somos muito apegados aos valores do ágil, porém do ponto de vista prático trabalhamos em uma cadeia de confiança muito forte, que dá autonomia para que os times possam trabalhar com a metodologia que melhor se aplique ao contexto. Não acreditamos no one size fits all”, diz.

Tangibilizar resultados

Para Santos, são as métricas que moldam os comportamentos. E a gente percebe que há um certo excesso em medir as pessoas, as horas de trabalho e por aí vai. E esse pensamento, mesmo na metodologia ágil, vem caindo Isso porque, segundo ele, o mais importante — a medida primária de progresso — é o produto e o seu uso. “Se não estiver gerando valor para quem o utiliza, muito dificilmente essa empresa vai conseguir se manter”, diz o especialista. “Acho que muito mais do que medir, é importante fazer a seguinte provocação: quanto custa não entregar algo? Neste momento de pandemia, por exemplo, quanto custa não reagir para a sobrevivência da organização? Como eu saio dessa situação?”

“O que define a qualidade do produto é o seu uso e o cliente deve estar na frente da tomada de decisão”, destacou Livia. “Uma empresa só se sustenta no longo prazo se ela gera valor para seu público. Na 99, conseguimos testar um produto com muita rapidez, com teste AB, e dessa forma tangibilizamos os resultados que esperamos”.

Por sua vez, Resque contou que no Inter a medida de aferição é muito básica, é a entrega do produto em si. “É importante encontrarmos o real valor para o cliente. Não lançamos o piloto sem antes aferir mínima qualidade operacional”. OLHO “Uma empresa só se sustenta no longo prazo se ela gera valor para o seu público” Livia Pozzi, da 99

Cases inspiradores

Durante a pandemia, a 99 identificou que nas áreas mais ricas da cidade houve uma grande queda no volume de corrida. Por outro lado, pesquisas indicaram que 20% das pessoas que moram na periferia — onde a conexão com internet nem sempre é boa — não conseguiram parar nem sequer um mês para cumprir home office.

“Foi o momento de pensar em como trazer mais acessibilidade para esse público. A partir daí lançamos o pedido de carro via WhatsApp. E, pensando na crise econômica, lançamos o 99Poupa, um produto que, quando usado em horários alternativos, dá até 30% de desconto em relação ao 99Pop. Tentamos, dessa forma, equacionar o que seria benéfico para o motorista parceiro, que se encontrava ocioso, com o que traria vantagens para nossos passageiros”, destaca Livia. “Além disso, lançamos o 99Entrega, um serviço rápido para envio de produtos entre pessoas e empresas, e a 99Pay, nossa carteira digital”, conta Livia Pozzi.

Na everis, Santos explicou que um dos principais movimentos nesse período da pandemia foi interno. “Criamos um laboratório de técnicas de ferramentas e práticas voltadas para o trabalho remoto para ajudar nossos clientes nessa fase de transição. Lançamos, ainda, um documento aberto para a sociedade, mostrando como trabalhar de forma remota com foco em agilidade”.

E apesar de extremamente desafiador, o período tem sido também de inovação e ação no Inter. “Na ‘avenida’ de banking houve um boom na abertura de contas e, por isso, lançamos um processo mais simples e fluido. Como as transações por cartão físico diminuíram bastante, aproveitamos para lançar as carteiras digitais, com Apple Pay, Google Pay e cartão virtual”, explica Resque. Em crédito, o banco lançou uma experiência digital de ponta a ponta, com coleta de documentos para financiamento e portabilidade de financiamento de crédito imobiliário. Já em investimento, disponibilizou a aplicação e o resgate do Tesouro Direto pela plataforma, entre outros recursos. “Na ‘avenida’ de shopping, um dos grandes destaques foi o lançamento do Inter Viagens para a compra de passagens aéreas. Embora o momento não fosse o mais propício, já que esse mercado não está aquecido, achamos oportuno lançar para testarmos e aprendermos com um volume menor para escalarmos no pós-pandemia”, afirma o executivo.

E, assim, 99, Inter e everis contaram como vêm transformando a pandemia em aprendizado – e oportunidade de melhorar seus serviços e testar novos negócios.

Para conferir o bate-papo, clique aqui e assista à live completa.