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Exclusivo: Bacio di Latte desembarca em Nova York e mira receita de R$ 1,5 bilhão

Enquanto setor enfrenta crise de insumos, marca brasileira projeta crescimento de 30% ao ano e prova que o "toque brasileiro" vale ouro no varejo internacional

Bacio di Latte: CEO e fundador da empresa conversa com a EXAME (Bacio di Latte/Divulgação)

Bacio di Latte: CEO e fundador da empresa conversa com a EXAME (Bacio di Latte/Divulgação)

Luiza Vilela
Luiza Vilela

Repórter de Casual

Publicado em 14 de maio de 2026 às 06h31.

Última atualização em 14 de maio de 2026 às 10h27.

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Em 2011, a Bacio di Latte abria a primeira unidade em uma esquina da Oscar Freire, em São Paulo. Os irmãos milaneses Edoardo e Luigi tinham no bolso R$ 1,2 milhão para colocar o negócio em pé. A ideia era trazer o autêntico gelato italiano para o Brasil. Quinze anos depois da inauguração, a rede caminha para faturar R$ 1,5 bilhão em 2026. E abrirá entre setembro e outubro deste ano a primeira unidade em Nova York.

A unidade em Manhattan, no coração do West Village, servirá de "loja modelo" para os Estados Unidos. Não será a única novidade em solo americano: a Bacio também anunciou à EXAME uma unidade em São Francisco, outra em San Diego e uma terceira em Phoenix, no Arizona.

É um dos passos mais ousados desde 2017, quando abriu a primeira unidade na Califórnia. Hoje, o estado concentra todas as lojas físicas da marca — 22, ao todo.

"A loja de Nova York, em si, não é tão grande. O espaço não nos permitiu fazer algo gigantesco. Mas vamos levar até ela todos os códigos que deram certo ao longo da nossa história no Brasil e nos Estados Unidos", disse Edoardo Tonolli, sócio-fundador e CEO da Bacio di Latte, em entrevista à Casual EXAME. "Bem na calçada teremos um mini museu com todos os marcos temporais da empresa, para o consumidor entender quem somos e de onde viemos. Nada de espalhafatoso, mas coerente com a nossa trajetória."

Até o fim de 2026, a marca pretende ter pelo menos 37 unidades nos Estados Unidos. A expansão no país é um ponto-chave para o crescimento da empresa: hoje, 10% do faturamento já vêm do mercado internacional e a tendência é que, até dezembro, essa porcentagem dobre. Até o momento, são 240 lojas físicas espalhadas pelo mundo — a maior parte delas no Brasil, concentradas no Sudeste — e mais de 12 mil pontos de venda (refrigeradores).

São unidades independentes, vale dizer, já que a Bacio di Latte não abriu o negócio para o modelo de franquia. "Se tivéssemos ido direto para os Estados Unidos, sem começar pelo Brasil, talvez não tivéssemos tido o mesmo sucesso. O mercado brasileiro nos ensinou a adaptar o conceito", diz Tonolli. Na Califórnia, a mistura do DNA italiano com a "brasilidade" da marca virou um trunfo. "Lá existe uma apreciação enorme por tudo que é brasileiro. Essa conjunção de italianos com um pouco de Brasil deu muito certo."

O "oásis" no setor dos sorvetes

Edoardo Tonolli, fundador da Bacio di Latte

Edoardo Tonolli, fundador e CEO da Bacio di Latte (divulgação/Divulgação)

O movimento positivo da Bacio acontece em um momento ambíguo para o setor. Segundo dados da Associação Brasileira do Sorvete e outros gelatos comestíveis (Abrasorvete), o mercado deve crescer 16% em 2026, mas lida com uma carga tributária complexa e um choque global nos custos das matérias-primas. No ano passado, por exemplo, a crise do cacau elevou os gastos operacionais em até 5% para todo o mercado.

Enquanto grandes players industriais reformularam receitas para baratear custos, a Bacio, no entanto, mal sentiu o efeito da instabilidade do produto. "O cacau hoje é só uma parte pequena da nossa matéria-prima. Conseguimos nos antecipar à curva de insumos com compra antecipada antes que a curva explodisse. Foi simples assim", contou Edoardo.

A obstinação pelo artesanal e pelos ingredientes de alta qualidade, para ele, é uma estratégia imune às crises e é o que justifica o crescimento elevado da empresa. De 2023 para cá, o faturamento da Bacio tem crescido cerca de 30% ao ano.

"Muitas vezes você é seduzido pela oportunidade de baixar custo; é difícil manter a fidelidade ao conceito inicial em um país com tantos desafios", conta o CEO. "Mas a gente vende algo ao redor do produto também. O preço final, pela experiência de arquitetura, música e serviço, segue em conta para o consumidor. Ele segue voltando."

A percepção de valor se reflete nos números do mercado. O consumo médio de sorvete no Brasil ainda é de 9,1 litros por pessoa, segundo a Abrasorvete. E o segmento premium e artesanal registrou uma alta de 32% na penetração entre 2023 e 2025, mostram os dados do estudo sobre o setor de sorvetes feito pela Kantar.

"Fidelidade" ao leite fresco

Bacio di Latte: desde o fim de 2025, todas as mais de 200 lojas trabalham com escala 5x2 (Romero Cruz/Divulgação)

Frente às maiores marcas de sorvete do Brasil — que passam longe da produção artesanal —, a empresa de Edoardo não fica tão atrás. Hoje, o mercado de gelatos comestíveis é dominado por gigantes industriais e redes de franquias, com faturamento anual na casa dos bilhões. Dados de 2024 e 2025, feitos pela Nielsen, indicam Kibon/Unilever e Froneri como as tops em volume e receita no varejo massificado, seguidas por players regionais e artesanais em escala.

A meta da Bacio di Latte é atingir R$ 1,5 bilhão em receita em 2026. Para conquistar a meta sem abrir mão da tradição italiana, a estratégia que a empresa encontrou foi controlar melhor o manuseio das matérias-primas.

"Diferente de outras indústrias, na Bacio, o controle de desperdício e o treinamento do time são drivers de competitividade", pontua Fabio Medeiros, diretor de marketing da marca. Ele destaca, ainda, que o manuseio correto da matéria-prima influencia e muito no faturamento final de cada uma das lojas. Em especial porque o consumidor segue exigente. "Continuamos usando leite e creme de leite fresco em tudo, do picolé ao bombom. E o ingrediente faz toda a diferença: o morango congelado, por exemplo, não dá a mesma experiência do fresco".

Próximos passos: do balcão ao varejo

Bacio Di Latte aposta em loja de picolés para faturar R$ 800 milhões

Para o futuro, a meta é manter um crescimento de 30% ao ano. A expansão nos Estados Unidos deve continuar nos próximos anos.

A estratégia é a retroalimentação entre canais: as lojas físicas funcionam como o "outdoor" de degustação que impulsiona as vendas nos 12 mil pontos de varejo (supermercados), onde a marca está presente com freezers personalizados. Nesse setor, a Bacio já detém 60% de market share no mercado de potes premium.

"A loja explica o produto para o cara, que depois compra o pote no varejo. Descobrimos que os canais não se canibalizam; eles se complementam. E assim vamos crescendo", finaliza Tonolli.

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