FORT LAUDERDALE, FLORIDA - MARCH 10: Mr. Beast is seen in attendance during a match between Inter Miami and CF Montréal at DRV PNK Stadium on March 10, 2024 in Fort Lauderdale, Florida. (Photo by Rich Storry/Getty Images) (Rich Storry/Getty Images)
Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 24 de agosto de 2026 às 14h52.
Última atualização em 24 de agosto de 2026 às 16h52.
A Bilibili, uma das maiores plataformas de vídeos da China e frequentemente descrita como uma espécie de “YouTube chinês”, prepara uma nova ofensiva para crescer fora do país, e o Brasil está entre os mercados escolhidos para a expansão.
A companhia relançou neste mês seu aplicativo internacional, prepara uma versão de seu site em inglês e começou a contratar profissionais em cidades como São Paulo, Los Angeles, Londres, Cidade do México, Istambul e Tóquio.
Os movimentos indicam uma tentativa de transformar uma plataforma ainda fortemente associada ao público chinês em um concorrente global de serviços como YouTube e TikTok, sobretudo na disputa por criadores de conteúdo.
A Bilibili já reúne cerca de 376 milhões de usuários ativos mensais, segundo o resultado financeiro divulgado pela companhia referente ao terceiro trimestre de 2025. A maior parte dessa audiência está na China.
Fundada em 2009, a plataforma cresceu inicialmente entre fãs de anime, games e cultura pop japonesa, mas expandiu seu catálogo para vídeos produzidos por criadores, transmissões ao vivo, documentários, música e outros formatos. Na prática, seu funcionamento hoje mistura elementos de YouTube, Twitch e outras redes de vídeo.
Um dos sinais mais concretos da expansão é a abertura de vagas fora da China. Em São Paulo, a Bilibili busca profissionais para trabalhar com desenvolvimento de negócios e gestão de comunidade.
A descrição da vaga indica que o funcionário deverá procurar criadores, estúdios independentes de animação, detentores de propriedade intelectual e outros parceiros locais.
Também deverá representar a empresa em festivais, convenções e encontros do setor.
O recrutamento coloca o Brasil ao lado de mercados considerados estratégicos pela companhia, como Estados Unidos, Reino Unido, México, Turquia e Japão.
A escolha de São Paulo também indica que a expansão pode ir além da simples disponibilização do aplicativo em português. A empresa busca construir relações diretamente com criadores e empresas de conteúdo locais.
A estratégia passa justamente por aumentar o volume de conteúdo produzido por pessoas de outros países. A Bilibili já vinha tentando levar nomes conhecidos do público ocidental para sua plataforma chinesa, incluindo Jimmy Donaldson, o MrBeast, hoje um dos maiores criadores de conteúdo do mundo.
O americano virou um dos principais exemplos de como a chamada economia dos criadores deixou de depender apenas das receitas do YouTube e passou a movimentar marcas, produtos e negócios próprios.
Em materiais enviados a criadores internacionais, a Bilibili apresenta seu público como formado principalmente por integrantes da Geração Z, com alto nível educacional e poder de consumo. A companhia também afirma estar desenvolvendo uma plataforma para conectar influenciadores internacionais a marcas interessadas em conteúdo patrocinado.
A iniciativa coloca a monetização no centro da estratégia. Esse é justamente um dos principais diferenciais competitivos do YouTube, que, ao longo de duas décadas, construiu um amplo ecossistema de publicidade, assinaturas e divisão de receita com criadores. Em 2025, a receita anual do YouTube chegou a US$ 62 bilhões, considerando publicidade e assinaturas.
Outra mudança importante está na porta de entrada da plataforma. O novo aplicativo internacional deixou de exigir verificação de identidade para novos usuários estrangeiros.
Anteriormente, usuários de fora da China podiam ser obrigados a apresentar documentos como passaporte para utilizar determinados recursos da versão chinesa. Com o novo sistema, a empresa promete um cadastro mais simples para quem está em outros países.
A Bilibili também trabalha em um site em inglês. Em materiais apresentados a criadores, a companhia afirma que essa versão está em desenvolvimento.
Uma conta criada pela empresa para conversar com criadores internacionais afirmou ainda que o conteúdo oferecido na versão global deverá ser essencialmente o mesmo disponível na China, mas com melhorias de localização e facilidade de cadastro.
O avanço internacional, porém, também coloca a Bilibili diante de questões que outras empresas chinesas de tecnologia enfrentaram ao crescer no Ocidente.
Temas como moderação de conteúdo, tratamento de dados e influência das regras chinesas sobre plataformas internacionais podem se tornar parte da discussão à medida que o serviço conquista usuários em mercados como Estados Unidos e Europa.
O caso mais conhecido é o TikTok. Durante anos, a plataforma controlada pela chinesa ByteDance enfrentou pressão de autoridades americanas sobre a segurança dos dados de usuários e o funcionamento de seus algoritmos. Em janeiro de 2026, o TikTok concluiu um acordo para separar suas operações nos Estados Unidos, após uma longa disputa com o governo do país.