Novo recurso da Apple permite que usuários enviem imagens em tempo real para os atendentes da Polícia Militar durante chamadas de emergência. (Ilustração editorial feita em ferramenta de IA/Reprodução)
Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 24 de agosto de 2026 às 14h32.
Quem tem iPhone no Brasil ganhou, a partir desta segunda-feira, 24, um recurso a mais em situações de emergência: a possibilidade de transmitir vídeo ao vivo diretamente para o atendente do 190, número usado pela Polícia Militar em todo o país.
A função, batizada de Emergency SOS Live Video, já existia nos Estados Unidos desde 2024 e passa a operar aqui por meio de uma parceria entre a Apple e a RapidSOS, empresa americana especializada em conectar dados de dispositivos a centrais de emergência.
O funcionamento depende de o atendente da chamada avaliar que o vídeo ajudaria a entender a situação. Nesse caso, ele envia uma solicitação ao aparelho de quem ligou; a pessoa recebe um aviso na tela e pode compartilhar a câmera com um toque, podendo interromper o envio a qualquer momento. A transmissão é criptografada por padrão, e cada central de atendimento decide, por conta própria, se e quando ativa o recurso, e pode restringir o acesso por função dentro da equipe.
Vale uma distinção importante para quem usa iPhone no Brasil. Essa novidade é diferente do SOS de Emergência via satélite, recurso que permite acionar socorro mesmo sem sinal de celular ou Wi-Fi e que segue indisponível no país, por depender de acordos regulatórios específicos com a Anatel que a Apple ainda não fechou.
O vídeo ao vivo, por outro lado, funciona pela rede de dados comum do celular durante uma ligação de emergência tradicional, por isso pôde ser ativado sem essa barreira regulatória.
A ativação depende de cada central de emergência aderir à tecnologia, então a disponibilidade prática deve variar de cidade para cidade nos primeiros meses, à medida que os Centros de Operações da Polícia Militar (Cecopom) de cada estado integrem o recurso aos próprios sistemas.
A RapidSOS afirma que a ferramenta já está incorporada, sem custo adicional, às centrais que utilizam sua plataforma UNITE, mas isso não significa adesão automática e imediata em todo o território.
A empresa não é estreante no mercado brasileiro de emergências: já opera no país desde pelo menos 2023, quando forneceu a tecnologia por trás da integração entre o aplicativo da Uber e o 190 no Rio de Janeiro, permitindo o envio automático de dados da corrida, placa, localização, informações do motorista, para o centro de operações policiais em caso de acionamento pelo app.
O ganho prático, segundo relatos de operadores de emergência nos Estados Unidos, está na precisão da informação. Uma descrição verbal de um suspeito, por exemplo, costuma ser genérica; imagens em tempo real permitem identificar detalhes concretos, roupas, objetos, características do local, que ajudam equipes a agir com mais segurança e rapidez.
A lógica é a mesma que já embasa outras integrações de dados a centrais de emergência: quanto mais contexto o atendente tem antes de despachar uma viatura, menor a margem de erro.