Repórter
Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 14h37.
Última atualização em 15 de janeiro de 2026 às 14h46.
O WhatsApp está permitindo que provedores de inteligência artificial continuem oferecendo chatbots a usuários com números brasileiros, mesmo após CADE ordenar a suspensão de uma nova política da empresa. A decisão cria uma exceção prática para o Brasil e coloca a Meta em risco de sofrer pressão regulatória.
A mudança ocorre poucos dias depois de a plataforma anunciar uma política que proíbe a oferta de chatbots de uso geral por meio de sua API comercial, interface que permite a integração de sistemas externos ao aplicativo. A regra afeta serviços como ChatGPT e Grok, mas não impede o uso de bots para atendimento ao cliente, segundo a empresa.
Pela política original, desenvolvedores teriam um período de carência de 90 dias, a partir de 15 de janeiro, para interromper respostas automáticas e avisar usuários sobre o encerramento dos serviços. Na prática, isso obrigaria provedores de IA a desligar seus bots no WhatsApp até meados de abril.
Na notificação enviada à Meta, o CADE afirmou que irá investigar se a política do WhatsApp cria barreiras artificiais à concorrência e favorece indevidamente a Meta AI, o chatbot da própria empresa integrado ao aplicativo. Para o órgão, há indícios de que as novas regras possam ter caráter excludente.
A Meta sustenta que a restrição é técnica. Segundo a companhia, o crescimento de chatbots de IA de uso geral estaria sobrecarregando sistemas projetados originalmente para comunicação empresarial, como mensagens transacionais e atendimento automatizado.
Em manifestações anteriores, a empresa chegou a afirmar que usuários interessados em outros bots podem acessá-los fora do WhatsApp, por meio de aplicativos ou sites próprios.