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WhatsApp volta atrás e deixa que empresas brasileiras usem IAs no app

Meta concede exceção a números com código +55 e adia aplicação de política que restringe bots como ChatGPT por até 90 dias

André Lopes
André Lopes

Repórter

Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 14h37.

Última atualização em 15 de janeiro de 2026 às 14h46.

O WhatsApp está permitindo que provedores de inteligência artificial continuem oferecendo chatbots a usuários com números brasileiros, mesmo após CADE ordenar a suspensão de uma nova política da empresa. A decisão cria uma exceção prática para o Brasil e coloca a Meta em risco de sofrer pressão regulatória.

A mudança ocorre poucos dias depois de a plataforma anunciar uma política que proíbe a oferta de chatbots de uso geral por meio de sua API comercial, interface que permite a integração de sistemas externos ao aplicativo. A regra afeta serviços como ChatGPT e Grok, mas não impede o uso de bots para atendimento ao cliente, segundo a empresa.

Pela política original, desenvolvedores teriam um período de carência de 90 dias, a partir de 15 de janeiro, para interromper respostas automáticas e avisar usuários sobre o encerramento dos serviços. Na prática, isso obrigaria provedores de IA a desligar seus bots no WhatsApp até meados de abril.

Meta sob escrutínio do CADE

Na notificação enviada à Meta, o CADE afirmou que irá investigar se a política do WhatsApp cria barreiras artificiais à concorrência e favorece indevidamente a Meta AI, o chatbot da própria empresa integrado ao aplicativo. Para o órgão, há indícios de que as novas regras possam ter caráter excludente.

A Meta sustenta que a restrição é técnica. Segundo a companhia, o crescimento de chatbots de IA de uso geral estaria sobrecarregando sistemas projetados originalmente para comunicação empresarial, como mensagens transacionais e atendimento automatizado.

Em manifestações anteriores, a empresa chegou a afirmar que usuários interessados em outros bots podem acessá-los fora do WhatsApp, por meio de aplicativos ou sites próprios.

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