Tecnologia

Vision Cybersecurity traz André Fleury para o comando e mira consolidação em cibersegurança

Spin-off da ISH, companhia recebeu aporte de até R$ 400 milhões da SPX Capital e quer dobrar de tamanho em três anos com expansão orgânica e aquisições

André Fleury: o novo CEO da Vision Cybersecurity

André Fleury: o novo CEO da Vision Cybersecurity

André Lopes
André Lopes

Repórter

Publicado em 8 de abril de 2026 às 10h13.

Última atualização em 8 de abril de 2026 às 10h16.

A Vision Cybersecurity, spin‑off da ISH Tecnologia voltada ao mercado de cibersegurança, anunciou André Fleury como novo CEO, na esteira de um aporte de até R$ 400 milhões da SPX Capital. A empresa, que já conta com mais de 400 clientes, planeja dobrar de tamanho em três anos, com foco em crescimento orgânico, compras de competências e aceleração de tecnologia própria, numa indústria em forte expansão regulatória e tecnológica.

A Vision Cybersecurity foi criada em janeiro como um spin‑off da ISH Tecnologia, com foco em serviços e produtos de cibersegurança para o mercado privado. A empresa passou a ser operada de forma mais independente após a entrada da SPX Capital, que estruturou um aporte robusto, com cerca de R$ 200 milhões já liberados para o caixa e o restante vinculado a rodadas futuras e a oportunidades de M&A.

Com a operação, a SPX assume a posição de maior acionista, enquanto os fundadores Rodrigo Dessaune e Armsthon Zanelato permanecem como acionistas e executivos, com Dessaune atuando como presidente do conselho de administração. A companhia parte herdado da estrutura de segurança da ISH, com solução própria respondendo pela maior parte das vendas e com crescimento anual superior a 40% na receita de produtos proprietários.

A empresa aposta em um mercado em expansão estrutural. Um último levantamento da Brasscom indica que o Brasil deverá investir R$ 104 bilhões em cibersegurança até 2028, com crescimento acumulado de 43,8% no período, puxado por migração para a nuvem, exigências regulatórias como a LGPD e IA, maior exposição de infraestrutura crítica e crescimento de incidentes de médio e grande porte. Nesse contexto, consultorias de segurança e provedores de tecnologia ganharam relevância, com segmentos de SOC, SIEM, EDR, identidade e gestão de vulnerabilidades se tornando mais disputados, inclusive com entrada de grandes players globais.

Neste cenário, a entrada de André Fleury, com cerca de 30 anos de experiência no setor de tecnologia, é vista como um movimento de profissionalização de gestão para sustentar a escala planejada. Ele já interagiu com a estrutura da Vision em 2025, quando participou da fase de estruturação da operação, e passa a integrar a companhia também como investidor, o que reforça o alinhamento de interesses de longo prazo. A tarefa inicial é orquestrar o uso do capital da SPX para ampliar a base de clientes e consolidar capacidades via aquisições de empresas menores de serviços e produtos de segurança digital.

“O que me chamou mais a atenção na Vision é a tecnologia de ponta e proprietária, com uso avançado de IA. Isso nos posiciona de forma muito competitiva para ganharmos novos mercados de forma orgânica”, diz Fleury.

A estratégia de M&A pretende acelerar o acesso a nichos específicos, como serviços financeiros, saúde, energia e utilities, além de reforçar ofertas de SOC, consultoria, gestão de vulnerabilidades e resposta a incidentes, áreas em que o mercado brasileiro ainda é fragmentado. A tendência de consolidação é observada em outros países, e o Brasil, com crescimento de demanda e amadurecimento regulatório, aparece como candidato natural para concentração de players.

Ao lado disso, a empresa anuncia a criação da Vision Academy, uma iniciativa de formação de talentos voltada a um mercado de trabalho apertado: associações de TI estimam que o país precisará de centenas de milhares de profissionais em segurança digital na próxima década, enquanto o fluxo de pessoas com certificações específicas ainda não acompanha o ritmo de investimento. A Vision Academy funcionará como mecanismo de recrutamento seletivo e de fixação de profissionais, em um setor onde a escassez de mão de obra qualificada pressiona margens e níveis de serviço.

Acompanhe tudo sobre:cibersegurança

Mais de Tecnologia

Ruído branco: o que é e quais dispositivos podem produzir o som que te ajuda a dormir melhor

Empresas usam ofensas a Kim Jong-un para filtrar falsos candidatos da Coreia do Norte

Por que a Nikon virou a câmera oficial das missões Artemis

Lançamento do iPhone dobrável pode ser adiado por dificuldades no desenvolvimento