Usuários e políticos da oposição ao governo Trump acusam plataforma de censura política (Future Publishing/Getty Images)
Colaboradora
Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 17h07.
O TikTok negou ter bloqueado menções ao nome "Epstein" em mensagens diretas após usuários relatarem dificuldades para enviar o termo no aplicativo. As queixas ganharam força na segunda-feira, 26, e levaram o governador da Califórnia, Gavin Newson, a solicitar uma investigação sobre uma possível censura de conteúdo.
"Não temos regras contra o compartilhamento do nome ‘Epstein’ em mensagens diretas e estamos investigando por que alguns usuários estão enfrentando problemas", afirmou um porta-voz do TikTok nos EUA à NPR.
De acordo com os relatos, mensagens com a palavra "Epstein" eram barradas automaticamente, acompanhadas de um aviso de possível violação das Diretrizes da Comunidade.
O episódio ocorre dias após o TikTok concluir a venda de suas operações nos Estados Unidos para um consórcio de investidores majoritariamente americanos. Entre eles está a Oracle, empresa comandada por Larry Ellison, aliado próximo do presidente Donald Trump.
A proximidade histórica entre Trump e o falecido criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein, somada a relatos de dificuldades para publicar conteúdos críticos ao presidente, intensificou suspeitas de censura política. Usuários passaram a usar a hashtag #TikTokCensorship no X, citando também bloqueios a vídeos sobre operações do ICE e protestos em Minneapolis.
Políticos da oposição também relataram problemas. O senador estadual democrata Scott Wiener afirmou que um vídeo sobre um projeto de lei que permite processar agentes do ICE — a polícia migratória dos EUA — permaneceu com zero visualizações. "O TikTok agora é uma mídia controlada pelo Estado", publicou no X.
Apesar das acusações, a plataforma afirmou que não houve alteração nas regras de moderação. O TikTok atribuiu os problemas recentes a falhas técnicas de grande escala, causadas por uma queda de energia em um data center nos EUA.