Ciência

Terra pode ter tido duas luas no passado

Há bilhões de anos, o segundo satélite teria colidido com a Lua, o que explicaria o terreno acidentado de sua face escura

A diferença entre o relevo do lado escuro e o do lado claro da Lua intriga os cientistas (Nasa)

A diferença entre o relevo do lado escuro e o do lado claro da Lua intriga os cientistas (Nasa)

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Da Redação

Publicado em 15 de julho de 2012 às 16h54.

São Paulo -- Bilhões de anos atrás, a Terra pode ter tido duas luas em sua órbita. É o que dizem pesquisadores da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, nos Estados Unidos, em artigo publicado na revista Nature. De acordo com eles, durante a formação do Sistema Solar, um segundo satélite, menor, pode ter sido incorporado à Lua em uma colisão ocorrida a baixa velocidade. A hipótese explicaria a diferença encontrada nos relevos atuais das duas faces do satélite.

A face clara da Lua, que está voltada para a Terra, é uma superfície relativamente suave e plana. Já o lado escuro do satélite, que não pode ser avistado da Terra, tem montanhas que chegam a 3.000 metros de altura e crateras profundas. A diferença tem intrigado cientistas há tempos. Várias teorias foram levantadas para explicar a diferença, como o bombardeio assimétrico de asteroides e cometas e a deformação desigual resultante da própria rotação do satélite.

Pela hipóteste de Martin Jutzi e Erik Asphaug, responsáveis pelo trabalho publicado na Nature, duas luas foram formadas com o material ejetado quando um protoplaneta do tamanho de Marte colidiu com a Terra. À medida que o Sistema Solar evoluiu para sua configuração atual, uma destas luas, com cerca de um terço do diâmetro da que vemos hoje, pode ter ficado suspensa entre as atrações gravitacionais da Terra e do satélite maior por dezenas de milhões de anos. Finalmente, o satélite menor passou a dividir a órbita com a Lua, até que se encontraram e se uniram.

Para chegar a estas conclusões, os pesquisadores simularam no computador o possível impacto entre a Lua e um satélite menor. A partir disso, conseguiram avaliar a evolução e distribuição dos materiais no Sistema Solar. Em uma velocidade baixa, a colisão entre luas não formaria uma cratera gigante nem induziria a dispersão do material. Em vez disso, uma nova camada espessa e sólida seria formada na superfície da Lua - como sua atual face escura. Este cenário também ajudaria a explicar a presença de certos minerais neste lado do satélite.

Provas

Em um comentário também publicado na Nature, Maria Zuber, pesquisadora do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), ressalva que, por enquanto, trata-se de uma hipótese. "O estudo demonstra plausibilidade, não provas", diz. Maria lembra que as origens das montanhas da face escura do satélite têm sido "um tópico de especulação desde as primeiras medições globais sobre a forma da Lua".

A nova teoria poderá ser confirmada ou contestada por dados que devem ser disponibilizados no ano que vem pela missão Lunar Reconnaissance Orbiter, da Nasa, bem como pelo mapeamento gravitacional de alta resolução a ser feito pela missão Grail (Gravity Recovery and Interior Laboratory, na sigla em inglês).

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