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Segurança ainda é o desafio para a internet das coisas decolar no Brasil

Falta de regulação para o uso da tecnologia ainda traz incertezas ao mercado

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Vitor Sena, da Gerdau, Ghassan Dribi, da Cisco, Tiago Barroso, da EDP, e o jornalista Filipe Serrano debateram o uso da Internet das Coisas no setor de infraestrutura (Rodrigo Loureiro/Exame)

Vitor Sena, da Gerdau, Ghassan Dribi, da Cisco, Tiago Barroso, da EDP, e o jornalista Filipe Serrano debateram o uso da Internet das Coisas no setor de infraestrutura (Rodrigo Loureiro/Exame)

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Rodrigo Loureiro

Publicado em 27 de junho de 2019 às, 19h41.

Última atualização em 27 de junho de 2019 às, 23h49.

São Paulo – Quando o assunto é internet das coisas, o Brasil ainda tem alguns desafios pendentes, especialmente no que diz respeito à segurança da tecnologia quando aplicada ao setor de infraestrutura. Esse, pelo menos, foi o entendimento de especialistas que debateram o tema durante o painel organizado por EXAME na InfoSecurity, evento de segurança pública e digital realizado em São Paulo.

Com previsão de movimentar 13 bilhões de reais no país até 2020, a internet das coisas vem se consolidando por aqui, ainda que a passos lentos. Segundo a Associação Brasileira de Internet das Coisas (ABINC), cerca de 20 milhões de objetos inteligentes estão conectados no país. No mundo, dados da consultoria Gartner apontam que já existem 15 bilhões de dispositivos online.

Os números chamam a atenção, mas também reforçam a preocupação das empresas com as fragilidades que ainda precisam ser contornadas. A segurança é a principal delas. "Ainda existem 99% de dispositivos desconectados. Mas os que já estão online fizeram o volume de ameaças virtuais crescer tremendamente", afirma Ghassan Dreibi, diretor de cibersegurança para América Latina da Cisco. “O ladrão vai aonde o dinheiro está.”

De fato, o crescimento das práticas criminosas pela internet tem causado impactos relevantes no Brasil. Segundo um relatório da empresa de segurança virtual McAfee, publicado no ano passado, estima-se que as companhias brasileiras perdem 10 bilhões de dólares por ano com o cibercrime. No mundo, o prejuízo soma 608 bilhões de dólares anualmente. “Não podemos tapar o sol com a peneira. É preciso criar uma regulação para que os dispositivos sejam utilizados de forma segura”, diz Dreibi.

Para entender melhor a necessidade de maior segurança das empresas quando debate se dá em torno da internet das coisas, é preciso lembrar que qualquer dispositivo, se configurado para este propósito, pode ser usado como uma ponte de acesso à rede das empresas. E, com isso, facilitar o caminho do cibercrime.

Sem uma resolução neste sentido, o país pode sofrer em outras áreas, até mesmo no que diz a respeito da evolução da chamada indústria 4.0, que aposta na tecnologia para impulsionar a automação industrial. “Hoje há sensores capazes de analisar a produção em uma indústria. Mas eles também podem expor esse ambiente às ameaças virtuais”, diz Vitor Sena, que comanda a área de segurança da informação da Gerdau.

Felizmente, a situação parece estar tomando um novo rumo. Um exemplo recente veio de Brasília. Na quarta-feira (26), por meio de decreto presidencial foi instituído o Plano Nacional de Internet das Coisas. A medida visa facilitar a implementação e o desenvolvimento da tecnologia no país com base na livre concorrência e na livre circulação e dados, segundo o documento.

Para Tiago Barroso de Oliveira, que executivo da área de segurança da informação da empresa de energia EDP, este é o começo de uma regulação algo desconhecido. A segurança tem que ser uma ponte, não uma barreira", diz. Segundo ele, o setor elétrico, que já transmite dados em tempo real entre suas redes, seria um dos grandes beneficiados com a internet das coisas.

Ainda que seja um primeiro passo, é preciso conter o otimismo. Vale destacar que a criação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que era uma demanda antiga, levou anos para ser concluída – e só vai entrar em vigor em agosto de 2020. “É importante, mas é preciso que isso seja tratado com maior agilidade na esfera governamental”, diz Sena. “Não adianta ter uma regulamentação quando a tecnologia se tornar obsoleta.”

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