Ciência

Proteína 'abraça' outras para resistir ao estresse celular

Pesquisadores descobriram que quando o estresse é superado, ela termina o 'abraço', o que permite que as proteínas se reagrupem e retornem à vida normal dentro da célula

A função de uma proteína depende de sua forma e esta depende de como se encaixam suas complexas configurações tridimensionais (Horia Varlan/Creative Commons)

A função de uma proteína depende de sua forma e esta depende de como se encaixam suas complexas configurações tridimensionais (Horia Varlan/Creative Commons)

DR

Da Redação

Publicado em 1 de março de 2012 às 20h05.

Washington - Um tipo de proteína, chamada chaperona molecular do estresse, impede que outras proteínas se colapsem durante situações estressantes para a vida celular as envolvendo numa espécie de 'abraço', segundo estudo publicado nesta quinta-feira na revista 'Cell'.

Os pesquisadores da Universidade Duke, na Carolina do Norte, e da Universidade de Michigan, na cidade de Ann Arbor, descobriram que quando o estresse é superado, a chaperona termina o 'abraço', o que permite que as proteínas se reagrupem e retornem à vida normal dentro da célula.

'O novo estudo ilustra como a flexibilidade ajuda as proteínas, que são cruciais para a maioria das tarefas celulares, a ter um bom desempenho sob condições estressantes', explicou Ursula Jakob, bióloga molecular da Universidade de Michigan.

A função de uma proteína depende de sua forma e esta depende de como se encaixam suas complexas configurações tridimensionais. As chaperonas moleculares são mais conhecidas porque ajudam no processo de enovelamento protéico.

A maioria das chaperonas moleculares está ativa somente quando estão totalmente dobradas. Mas os cientistas descobriram recentemente que certas proteínas, específicas em situações de estresse, tornam-se chaperonas ativas somente quando estão parcialmente desdobradas e perdem parte de sua estrutura.

Este achado contradiz os postulados mais comuns das chaperonas moleculares. No artigo de Cell, a equipe de pesquisa descreve como funciona uma destas proteínas, a Hsp33, que ajuda especificamente no estresse.


A Hsp33 é uma proteína bacterial que se desdobra parcialmente e se torna ativa quando se expõe a oxidantes como a lixívia (hipoclorito de sódio).

A Hsp33 ajuda que outras proteínas sobrevivam ao desdobramento protéico induzido pela lixívia e, ao fazê-lo, torna à bactéria resistente a este poderoso oxidante.

As chaperonas Hsp33 impedem que outras proteínas que se desdobram formem grandes amontoados destrutivos de proteína inativa que podem matar a bactéria. Junto com outras chaperonas, a Hsp33 ajuda assim que as proteínas 'abraçadas' recuperem sua estrutura uma vez que o estresse passou.

'A forma como operam estas proteínas faz sentido, já que elas podem responder muito rapidamente às condições que desenovelam outras proteínas', acrescentou Ursula.

Os pesquisadores descobriram que a Hsp33 emprega astutamente suas próprias regiões parcialmente desdobradas para se conectar com outras proteínas que estão se desenovelando e assim as protege.

O 'abraço' da Hsp33 ajuda a estabilizar ambas proteínas enquanto transcorre o acontecimento estressante e isto previne que elas se destruam. 

Acompanhe tudo sobre:Química (ciência)Biotecnologia

Mais de Ciência

Como a mudança de uma 'letra' no DNA pode alterar o sexo de embriões

O fim das 24 horas: Por que os dias na Terra podem durar até 25 horas?

Mapa mostra como será a Terra daqui a 250 milhões de anos

China testa tecnologia para tornar foguetes mais baratos e reutilizáveis