Repórter
Publicado em 1 de abril de 2026 às 17h58.
Última atualização em 1 de abril de 2026 às 18h16.
A missão Artemis II marca o primeiro voo tripulado do novo sistema lunar da NASA, baseado no foguete SLS e na cápsula Orion.
O conjunto substitui tecnologias da era Apollo por uma arquitetura mais complexa, voltada a missões de longa duração e espaço profundo.
O SLS, Space Launch System, foguete de lançamento pesado da NASA, é descrito como o mais potente já construído, superando o Saturn V, que levou o homem pela primeira vez para Lua, em cerca de 15% de empuxo. Na decolagem, os propulsores sólidos são responsáveis por mais de 75% da força nos primeiros dois minutos, fase crítica para vencer a gravidade terrestre.
O sistema combina motores RS-25, derivados do programa Space Shuttle, ônibus espacial reutilizável aposentado em 2011, com combustível criogênico — hidrogênio e oxigênio líquidos. Essa escolha prioriza eficiência energética, ainda que aumente a complexidade operacional.
Trabalhadores transportam o estágio central do foguete SLS, com 64,6 metros de altura, para o edifício de montagem de veículos da NASA, no Kennedy Space Center, na Flórida; estrutura integra a missão Artemis II, que marca o retorno de voos tripulados ao entorno da Lua após mais de 50 anos.
A cápsula Orion, espaçonave tripulada, foi projetada para missões de até 210 dias. Ela incorpora tecnologias como rastreadores estelares, sensores solares e câmeras ópticas para navegação autônoma no espaço profundo. O escudo térmico suporta reentrada a até 40 mil km/h, velocidade superior à das missões Apollo.
LEIA TAMBÉM: Programa Artemis já consumiu US$ 93 bi e se tornou o mais caro da história das viagens espaciais
Outro elemento central é o Launch Abort System, sistema de escape de emergência, capaz de separar a tripulação do foguete em milissegundos. O módulo de serviço europeu, desenvolvido pela ESA, Agência Espacial Europeia, fornece energia, propulsão e suporte de vida.
O programa da Nasa quer estabelecer uma presença sustentável na Lua, principalmente no polo sul, região com acumulos de gelo — recurso estratégico para água e combustível.
A Lua passa a ser tratada como plataforma intermediária para missões a Marte, segundo a NASA. A ideia é testar tecnologias, logística e permanência humana fora da Terra por longos períodos.
Além da exploração científica, o Artemis incorpora dimensões políticas e econômicas. A missão envolve múltiplos países e empresas privadas, criando um modelo de governança mais distribuído.
O Artemis não é apenas um foguete, mas um ecossistema que inclui a futura estação lunar Lunar Gateway e módulos de pouso desenvolvidos por empresas privadas como SpaceX e Blue Origin.
A proposta marca uma mudança estrutural: a NASA deixa de operar sozinha e passa a integrar um modelo híbrido com participação comercial.