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O fim dos apps de relacionamento? Por que a geração Z está desistindo do Tinder

Tinder perdeu usuários pagantes, o Hinge virou o app dos mais jovens e startups de namoro passaram a organizar festas em vez de oferecer perfis para deslizar

Apps de namoro: geração Z abandona aplicativos (Malte Mueller/Getty Images)

Apps de namoro: geração Z abandona aplicativos (Malte Mueller/Getty Images)

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 23 de setembro de 2026 às 10h59.

Última atualização em 23 de setembro de 2026 às 19h00.

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A geração Z foi a que mais adotou aplicativos de namoro, mas também é a que mais abandona essas plataformas. O fenômeno da “fadiga dos aplicativos de relacionamento” levou jovens a buscar alternativas presenciais, enquanto empresas como Hinge e Thursday tentam substituir a lógica de infinitos perfis por conexões mais intencionais.

A geração que aprendeu a flertar deslizando o dedo na tela está cansada de deslizar. Nascidos entre 1997 e 2010, os integrantes da geração Z chegaram à idade adulta com o Tinder já instalado no celular dos irmãos mais velhos e nunca conheceram um mundo em que encontrar alguém não passasse por um aplicativo.

Segundo o Pew Research Center, 53% dos americanos com menos de 30 anos já usaram um app de namoro, a maior proporção entre todas as faixas etárias. São também os que mais desistem deles.

O Match Group, dono do Tinder, do Hinge e do OkCupid, voltou a registrar queda no número de usuários pagantes neste ano, depois de ver o Tinder perder 7% dos assinantes em 2024. Entre 2023 e 2024, os aplicativos do grupo perderam 3,2 milhões de usuários, e o Bumble, principal concorrente, perdeu outros 300 mil. Muitos jovens nem chegam a apagar o aplicativo — apenas mantêm o ícone na tela, mas deixam de abri-lo e param de pagar pelos recursos que prometiam mais combinações.

O cansaço foi batizado de "fadiga dos aplicativos de relacionamento". Numa pesquisa encomendada pelo próprio Tinder, 91% dos homens e 94% das mulheres disseram que namorar ficou mais difícil. As queixas se repetem entre os usuários mais jovens: combinações que nunca respondem, conversas que se arrastam por semanas sem virar encontro e uma sensação permanente de que existe sempre uma opção melhor a um toque de distância.

Quando todo mundo está disponível, ninguém parece suficiente

O que deveria ser a maior vantagem dos aplicativos, a oferta quase infinita de pessoas, acabou virando o principal problema.

Para a pesquisadora Liesel Sharabi, da Universidade do Estado do Arizona, que estuda o comportamento amoroso nas plataformas digitais, os apps transformaram o namoro num jogo de quantidade em vez de qualidade. Segundo ela, em entrevista à Fortune, quanto mais perfis passam pela tela, menor o investimento em cada conversa, e mais fácil abandonar uma delas pela próxima.

Os próprios aplicativos passaram a admitir o problema e a vender o oposto. O Hinge, que se apresenta como o app "feito para ser deletado", tem hoje mais da metade dos usuários na geração Z e criou um limite que impede quem acumula conversas paradas de receber novas combinações antes de responder ou encerrar as antigas. A estratégia funcionou: em 2024, o número de usuários diários do Hinge cresceu 17%, enquanto o do Tinder caiu 10%, segundo analistas do banco Wells Fargo. O Tinder respondeu com recursos como o encontro duplo, em que dois amigos procuram outra dupla, e que se tornou popular entre os usuários com menos de 29 anos.

O encontro voltou a ter endereço

A outra saída da geração Z tem sido voltar ao presencial, e há empresas ganhando dinheiro com isso. O aplicativo britânico Thursday, criado para funcionar só às quintas-feiras, abandonou de vez os perfis em 2025 e passou a organizar festas para solteiros. Rebatizado de Thursday Events, está hoje em cerca de 150 cidades pelo mundo. A lógica é a mesma dos clubes de corrida e dos eventos sem celular que se espalharam entre os jovens: trocar a vitrine infinita por um lugar, um horário e um número limitado de pessoas.

O movimento conversa com uma preocupação mais ampla sobre o tempo de tela. O brasileiro passa mais de cinco horas por dia no celular, e especialistas associam esse excesso a quadros de ansiedade e solidão entre os jovens. Para uma geração que sempre teve o aplicativo como ponto de partida, sair dele é também uma forma de reaprender algo que as anteriores faziam sem pensar. "Para eles, a cultura do namoro é a cultura dos aplicativos", disse Sharabi à revista Fortune.


Perguntas frequentes

Por que a geração Z está abandonando aplicativos de namoro? +

Muitos jovens relatam cansaço com a dinâmica dos aplicativos, marcada por combinações sem resposta, conversas que não evoluem para encontros e a sensação de excesso de opções. O fenômeno é conhecido como “fadiga dos aplicativos de relacionamento”.

A geração Z é a que mais usa aplicativos de namoro? +

Sim. Segundo o Pew Research Center, 53% dos americanos com menos de 30 anos já usaram aplicativos de namoro, a maior proporção entre todas as faixas etárias. Ao mesmo tempo, esse grupo também apresenta maior tendência de abandono dessas plataformas.

Quantos usuários os aplicativos de namoro perderam recentemente? +

O Match Group, dono de Tinder, Hinge e OkCupid, perdeu 3,2 milhões de usuários entre 2023 e 2024. O Tinder também registrou queda de 7% nos assinantes em 2024, enquanto o Bumble perdeu cerca de 300 mil usuários no mesmo período.

Por que o excesso de opções pode atrapalhar os relacionamentos? +

Pesquisadores apontam que a grande quantidade de perfis disponíveis pode reduzir o investimento em cada conversa. Com a sensação de que sempre existe uma opção melhor, usuários tendem a abandonar conexões rapidamente.

O que o Hinge faz diferente do Tinder? +

O Hinge se posiciona como um aplicativo voltado a relacionamentos e usa a proposta de ser “feito para ser deletado”. A plataforma criou mecanismos para reduzir conversas abandonadas e incentivar usuários a responder ou encerrar combinações antigas.

Os jovens estão voltando a conhecer pessoas presencialmente? +

Sim. Parte da geração Z tem buscado eventos presenciais para solteiros, festas e atividades coletivas. O aplicativo britânico Thursday, por exemplo, deixou de operar como uma plataforma tradicional e passou a organizar eventos para solteiros em cerca de 150 cidades.

O que é a “fadiga dos aplicativos de relacionamento”? +

É o sentimento de desgaste causado pelo uso prolongado de aplicativos de namoro. Usuários relatam frustração com interações superficiais, excesso de escolhas e dificuldade de transformar conversas virtuais em encontros reais.

Acompanhe tudo sobre:TinderApps

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