Pix é o pagamento instantâneo brasileiro (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
Redação Exame
Publicado em 7 de fevereiro de 2026 às 12h34.
Usuários relataram dificuldades para realizar transferências via Pix neste sábado, 7. Segundo o site DownDetector, foram registradas mais de mil reclamações ao longo do dia, principalmente relacionadas a falhas no carregamento das transações e mensagens de erro nos aplicativos bancários.
As queixas atingiram simultaneamente instituições como Santander, Nubank e Itaú, entre outras, indicando um problema que vai além de um banco específico. O padrão das reclamações sugere instabilidade em infraestrutura compartilhada.
Quando o Pix apresenta instabilidade, o problema costuma surgir em um dos três pontos críticos do sistema: o banco de origem, o Banco Central (BC) — responsável pelo Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI) — ou o banco de destino.
Em alguns casos, o aplicativo do banco não consegue sequer enviar a ordem de pagamento ao SPI, gerando telas de carregamento infinito ou falhas de conexão.
Em outros, o dinheiro sai da conta do pagador, mas a instituição recebedora demora a responder, colocando a transação em status de “em processamento”. Se não houver confirmação dentro do prazo definido, o valor é automaticamente estornado.
Há ainda situações em que o Pix é concluído, mas o usuário não recebe notificação ou comprovante, devido a falhas nos sistemas de comunicação do próprio banco.
As instabilidades deste sábado coincidiram com relatos de problemas na Amazon Web Services (AWS), principal provedora de computação em nuvem usada por bancos e fintechs no Brasil.
A AWS hospeda sistemas essenciais do Pix, como processamento de transações, autenticação, criptografia e escalabilidade. Muitos bancos digitais e instituições tradicionais operam grande parte de sua arquitetura diretamente na nuvem da Amazon.
Empresas que fornecem o chamado core bancário — responsáveis por processar milhões de Pix diariamente para diferentes instituições — também utilizam a AWS.
Quando há lentidão ou falha em regiões específicas da nuvem, o impacto pode ser simultâneo em diversos bancos, criando um efeito cascata perceptível ao usuário final.
Até o momento, nem a Amazon nem o Banco Central se pronunciaram oficialmente sobre a origem exata da instabilidade. As instituições financeiras afetadas também não detalharam se houve indisponibilidade total ou apenas degradação temporária do serviço.
Criado para operar 24 horas por dia, o Pix depende de alta disponibilidade e redundância tecnológica. Episódios como o deste sábado reforçam o grau de interdependência entre o sistema financeiro brasileiro e grandes provedores globais de nuvem.
Embora o modelo permita escala, velocidade e redução de custos, ele também concentra riscos. Quando a infraestrutura “invisível” falha, milhões de usuários sentem o impacto quase instantaneamente.