Ciência

Pesquisa acha gene que liga massa cinzenta a inteligência

Descoberta poderá ajudar os cientistas a entenderem como e por que algumas pessoas têm dificuldades de aprendizado

Cérebro humano: equipe científica internacional analisou amostras do DNA e exames cerebrais de mais de 1.500 adolescentes saudáveis de 14 anos (foto/Getty Images)

Cérebro humano: equipe científica internacional analisou amostras do DNA e exames cerebrais de mais de 1.500 adolescentes saudáveis de 14 anos (foto/Getty Images)

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Da Redação

Publicado em 11 de fevereiro de 2014 às 10h23.

Londres - Pesquisadores encontraram um gene que vincula a inteligência à espessura da chamada "massa cinzenta" cerebral, e disseram que a descoberta poderá ajudar os cientistas a entenderem como e por que algumas pessoas têm dificuldades de aprendizado.

Uma equipe científica internacional analisou amostras do DNA e exames cerebrais de mais de 1.500 adolescentes saudáveis de 14 anos, os quais foram submetidos a testes para determinar sua inteligência verbal e não verbal.

Os pesquisadores examinaram o córtex cerebral - a camada mais externa do cérebro, também conhecida como "massa cinzenta", com papel fundamental para a memória, a atenção, a percepção, a consciência, o raciocínio e a linguagem.

Eles então analisaram mais de 54 mil variáveis genéticas possivelmente envolvidas no desenvolvimento cerebral, e descobriram que, em média, os adolescentes com uma variante genética específica tinham um córtex mais fino no hemisfério cerebral esquerdo - e se saíam pior nos testes de capacidade intelectual.

"A variação genética que identificamos está associada à plasticidade sináptica - como os neurônios se comunicam", disse Sylvane Desrivieres, que comandou o estudo no Instituto de Psiquiatria do King's College, de Londres.

"Isso pode nos ajudar a entender o que acontece em um nível neuronal em certas formas de deficiências intelectuais, nas quais a capacidade de comunicação efetiva dos neurônios está de alguma forma comprometida." Ela salientou, no entanto, que suas conclusões não equivalem à descoberta de um "gene da inteligência".

"É importante frisar que nossa inteligência está influenciada por muitos fatores genéticos e ambientais. O gene que identificamos explica apenas uma pequena proporção das diferenças na capacidade intelectual." As conclusões, publicadas na edição de terça-feira da revista Molecular Psychiatry, podem ajudar os cientistas a entenderem melhor os mecanismos biológicos subjacentes a vários transtornos psiquiátricos, como a esquizofrenia e o autismo, já que pessoas com essas condições têm capacidade cognitiva afetada".

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