Tecnologia

Para Huawei, Confaz pode ser alternativa branda ao que foi perdido na MP do Redata

Sem os incentivos da MP que caducou, empresas de tecnologia apostam num corte estadual de ICMS para evitar que a próxima leva de data centers escolha outros mercados

Atilio Rulli: vice-presidente de relações públicas da Huawei Brasil

Atilio Rulli: vice-presidente de relações públicas da Huawei Brasil

André Lopes
André Lopes

Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 26 de março de 2026 às 16h54.

Última atualização em 26 de março de 2026 às 18h55.

Com o Redata enterrado no Senado, o setor de tecnologia e infraestrutura digital trocou Brasília pelos estados. Na sexta-feira, 27 de março, o Confaz, o conselho que reúne os secretários estaduais de Fazenda, deve votar um convênio que autoriza as unidades da federação a reduzir em até 90% o ICMS, o imposto estadual sobre circulação de mercadorias e serviços, cobrado sobre equipamentos de data centers. Não é o desenho tributário que o mercado defendia até poucos meses atrás. Mas virou a saída possível depois do fracasso da frente federal.

Na avaliação de Atilio Rulli, vice-presidente de relações públicas da Huawei e conselheiro da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de Tecnologias Digitais, o problema não é apenas tributário. "O país deixou escapar um momento importante de atração de capital para uma indústria que cresce puxada por computação em nuvem e inteligência artificial", disse.

O Redata, criado em setembro de 2025 por medida provisória, previa zerar IPI, PIS/Cofins e imposto de importação sobre componentes e equipamentos para data centers, reduzindo em mais de 20% o custo de capital do setor. A proposta ficou travada no entre Câmara e Senado, sem comissão formada nem relator, e acabou caducando. O governo ainda tentou substituir o texto por um projeto de lei de conteúdo semelhante, mas a tramitação não avançou.

A consequência mais direta foi o congelamento de parte dos investimentos. O setor fala em projetos represados que podem chegar a R$ 1 trilhão até 2030. Empresas não querem comprometer bilhões em novas instalações agora se havia a expectativa de comprar a mesma infraestrutura com desconto tributário relevante mais adiante. Enquanto o incentivo federal travava, a fila de decisão foi se movendo.

É nesse ponto que o Confaz ganha protagonismo. Rulli, que acompanha a pauta de perto em Brasília, trata a discussão estadual como complementar, não como substituta do Redata. A leitura é que o conselho pode ajudar a fechar parte do vazio deixado em Brasília.

"O movimento agora do Confaz pode ser um impulsionador desse gap que o Redata não vai fazer". O ponto é importante porque o convênio estadual não replica a proposta federal. O Redata tratava de tributos como imposto de importação, IPI e contribuições federais. O Confaz age sobre ICMS. São camadas diferentes do custo. "Eles são complementares", disse o executivo.

A diferença é que, no conselho dos estados, a adesão será voluntária. Mesmo que o convênio seja aprovado, cada unidade da federação decidirá individualmente se quer ou não oferecer o benefício. Segundo a Brasscom, há sinais positivos de estados como Rio Grande do Sul, Ceará, Minas Gerais e São Paulo. O setor também tenta reverter resistências de última hora, inclusive no Rio de Janeiro.

A avaliação das empresas é que, neste momento, um incentivo estadual forte já bastaria para destravar parte do apetite do investidor. Não resolve a promessa original do Redata, mas ajuda a sinalizar que o Brasil ainda pretende competir.

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