Mesmo com a covid-19, 2020 caminha para ser o ano da Amazon

Impulsionada pelo e-commerce e por serviço de computação em nuvem, Amazon pode acabar 2020 maior do que entrou

Lucro. Essa palavra pode parecer algo difícil de acreditar em 2020 em plena pandemia do novo coronavírus, mas, para a Amazon, não deixou de ser verdade. A empresa, fundada pelo homem mais rico do mundo, Jeff Bezos, teve uma receita de 96,1 bilhões de dólares no terceiro trimestre deste ano — no ano passado, o valor foi de 70 bilhões de dólares.

Foi também no terceiro trimestre que a varejista se recuperou em relação ao trimestre anterior, quando, entre março e maio, perdeu clientes para outras empresas por problemas como demora no envio das mercadorias, disponibilidade e vantagem de preço, segundo um relatório da consultoria Bain & Company enviado com exclusividade à EXAME. A empresa agora detém de 43% a 45% do comércio eletrônico dos Estados Unidos.

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A Amazon afirmou, numa postagem em seu blog oficial, que teve o “maior feriado de sua história” do dia de Ação de Graças americano até a Cyber Monday, que aconteceu na segunda-feira, 30. Sem informar exatamente quais foram os valores da Black Friday ou na segunda, a varejista disse que seus vendedores faturaram mais de 4,8 bilhões de dólares em vendas nos dois dias, um aumento de 60% em relação ao mesmo período do ano passado.

Ao mesmo passo em que o varejo online e a Amazon crescem, o tráfego de pessoas em lojas físicas foi reduzido por causa da covid-19. Dados preliminares da Sensormatic Solutions para a emissora americana CNBC mostraram que, em relação ao ano passado, a quantidade de pessoas em lojas caiu em 52,1%. A tendência, de acordo com a empresa americana Truist Securities, também para a CNBC, é que, para cada dólar gasto durante os feriados, 42 centavos foram gastos na Amazon — no ano passado esse valor foi de 36 centavos.

Foi por causa do crescimento alto em vendas que a Amazon também teve de contratar novos funcionários. Segundo o jornal americano The New York Times, foram contratados 427.300 funcionários em dez meses, o que fez com que a força de trabalho global da empresa crescesse para mais de 1,2 milhão. Em média, foram contratados 1.400 funcionários por dia — uma alta de mais de 50% em relação ao mesmo período do ano passado.

Um relatório da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) em parceria com o Movimento Compre&Confie, publicado em setembro, mostrou que o e-commerce no Brasil havia faturado, até agosto, 41,92 bilhões de reais. No ano inteiro de 2019, o faturamento total foi de 75,1 bilhões de reais. É esperado que o comércio eletrônico no Brasil feche o ano faturando ainda mais cifras do que nos últimos anos.

Nos Estados Unidos, de julho a setembro os consumidores gastaram 199,4 bilhões de dólares no comércio eletrônico, um crescimento de 37,1% se comparado ao mesmo período do ano anterior, segundo o Commerce Department. O que significa que a cada 5 dólares gastos, 1 dólar veio de compras feitas em varejistas online.

A Bain & Company estima que o número de assinantes do Amazon Prime (que dá aos usuários frete grátis, além do acesso às plataformas de streaming da varejista) também aumentou. Nos Estados Unidos, por exemplo, foi de 10 a 15 milhões de novos membros, propensos a ter uma renda mais baixa do que dados anteriores em relação ao pacote de assinaturas. É provável que o fato de a Amazon ter valores mais baixos em suas mercadorias em relação às concorrentes, além do desejo de ter serviços adicionais, tenha impulsionado a assinatura.

Além do varejo, outro braço que empurra a Amazon para a frente é o Amazon Web Services (AWS). A divisão serve empresas de diferentes ramos com uma operação voltada para o armazenamento de dados em nuvem. É independente por não ser voltada somente para os serviços dentro do site da varejista. O segmento é um dos mais lucrativos: do faturamento do terceiro trimestre, 11,6 bilhões de dólares (12,1%) vieram da AWS. Assim como no segundo trimestre, o setor passou por um crescimento de 29%.

A consultoria americana Gartner aponta que a Amazon é a líder no setor de computação em nuvem, com uma participação de mercado de 45%, seguida por outros gigantes, como a Microsoft, o Google, o Alibaba, a Oracle e a IBM.

A companhia, que tem uma capitalização de mercado de 1,65 trilhão de dólares, cresceu cerca de 570 milhões de dólares até julho deste ano. No mesmo período, as ações passaram por uma alta de mais de 60%. A menos de 30 dias para o fim do ano, se continuar nesse ritmo, 2020 será bastante positivo para a Amazon.

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