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Memória RAM vira item cobiçado da computação e escassez vai durar até meados de 2026

Explosão da demanda por data centers de inteligência artificial pressiona fabricantes e deve encarecer PCs e celulares nos próximos anos

 (Reprodução)

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André Lopes
André Lopes

Repórter

Publicado em 22 de dezembro de 2025 às 13h51.

Última atualização em 22 de dezembro de 2025 às 13h52.

A memória RAM se tornou um dos componentes mais disputados da indústria de tecnologia, e a escassez global deve se estender ao menos até meados de 2026. O alerta foi feito por Sanjay Mehrotra, CEO da Micron, uma das maiores fabricantes do setor, que atribui o desequilíbrio à expansão acelerada da infraestrutura de inteligência artificial (IA).

A Micron produz DRAM, tipo de memória usada como RAM, além de NAND, base de memórias flash e SSDs. A empresa não está sozinha nas projeções pessimistas: concorrentes como Samsung e SK Hynix também indicaram que a oferta não deve acompanhar a demanda no curto e médio prazo.

Segundo Mehrotra, o problema não é pontual e tende a durar “anos, não apenas meses”. Em uma teleconferência com investidores, o executivo afirmou que os planos de expansão de data centers voltados à IA forçaram revisões sucessivas para cima nas previsões de consumo de memória.

“Nos últimos meses, os projetos de data centers de IA de nossos clientes levaram a um aumento acentuado nas estimativas de demanda por memória e armazenamento”, afirmou Mehrotra. “Acreditamos que a oferta agregada da indústria permanecerá substancialmente abaixo da demanda em um futuro próximo.”

O executivo acrescentou que, mesmo com esforços para ampliar a capacidade, o setor enfrenta limitações estruturais. “Esses fatores estão levando a condições apertadas no fornecimento de DRAM e NAND, e nossa previsão é que essa situação persista além de 2026”, disse. “Estamos desapontados por não conseguir atender todos os segmentos.”

Produção lenta e foco em margens ampliam gargalo

Há também o receio sobre o ciclo do mercado. Se a demanda por IA arrefecer, instalações recém-construídas podem se tornar ociosas. Diante desse risco, algumas fabricantes admitem priorizar a margem de lucro de longo prazo, evitando uma expansão agressiva da capacidade produtiva.

Os efeitos da escassez já começam a se espalhar por diferentes segmentos. No varejo, a própria Micron retirou do mercado a marca Crucial, voltada ao consumidor final, para concentrar recursos em grandes clientes corporativos e operadores de data centers. Em abril de 2025, a empresa também anunciou reajustes nos preços de DRAM e NAND, meses antes de a crise ganhar contornos mais severos.

Com componentes mais caros, fabricantes de computadores e smartphones já repassam parte dos custos. Dell e Lenovo comunicaram aumentos a clientes corporativos, enquanto a Samsung indicou que os reajustes no Brasil podem chegar a 20%.

Consultorias projetam impactos indiretos. A TrendForce avalia que, em 2026, notebooks e celulares podem vir com menos memória para conter preços. Ainda assim, a Counterpoint estima que o mercado global de smartphones deve encolher 2,1% no próximo ano.

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