Copenhague: cerca de 10 mil manifestantes protestam em silêncio na capital da Dinamarca (Emil Nicolai Helms / Ritzau Scanpix / AFP) / Denmark OUT)
Redação Exame
Publicado em 31 de janeiro de 2026 às 15h20.
Uma multidão estimada em 10 mil pessoas realizou uma marcha silenciosa em Copenhague, na Dinamarca, neste sábado, 31.
O protesto, organizado pela Associação de Veteranos da Dinamarca, ocorreu em resposta direta às recentes declarações do presidente americano, Donald Trump, sobre a atuação de tropas europeias no Afeganistão. A manifestação silenciosa percorreu as ruas da capital dinamarquesa sob o lema #NoWords, simbolizando a indignação dos militares com o questionamento da competência das forças aliadas.
O mal-estar diplomático começou em quarta-feira, 22, quando Donald Trump afirmou que as tropas da Otan teriam ficado "um pouco fora das linhas de frente" durante os 20 anos de conflito em solo afegão.
Para os veteranos do país escandinavo, que atuaram ao lado dos Estados Unidos na Guerra do Golfo e no Iraque, a fala foi recebida como um insulto aos valores e ao sacrifício dos soldados. A polícia local confirmou a adesão massiva ao ato, que reuniu famílias de militares e cidadãos em apoio à honra das forças armadas.
Durante a concentração em frente à embaixada americana, os manifestantes respeitaram um minuto de silêncio em homenagem aos combatentes que perderam a vida em missões internacionais.
O local tornou-se o epicentro de uma crise simbólica após funcionários da representação diplomática removerem bandeiras colocadas em tributo aos mortos na terça-feira, 20. Diante da repercussão negativa, a embaixada emitiu um pedido oficial de desculpas e reinstalou 52 flâmulas com os nomes dos soldados dinamarqueses vitimados.
A Dinamarca é historicamente um dos parceiros mais próximos de Washington dentro da Otan, com participação ativa em operações de alta periculosidade. O vice-presidente da associação de veteranos, Soren Knudsen, enfatizou que o sentimento de "falta de palavras" resume a decepção com a retórica da Casa Branca.
A crítica do governo americano ignora o fato de que o país nórdico teve uma das maiores taxas de mortalidade proporcional ao tamanho de sua população durante a intervenção no Afeganistão.
A tentativa de controle de danos por parte da embaixada americana reflete a sensibilidade do momento geopolítico na Europa. A administração Trump tem mantido uma postura de pressão constante sobre os aliados europeus para que aumentem os gastos com defesa, mas o ataque direto à atuação em combate cruzou uma linha ética sensível.
(Com AFP)