Tecnologia

John Ternus, o discreto nome que pode assumir a Apple

Vice-presidente de engenharia de hardware da Apple desde 2021, executivo é cotado como principal sucessor de Tim Cook, que teria sinalizado desejo de se afastar da liderança

André Lopes
André Lopes

Repórter

Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 13h49.

Última atualização em 9 de janeiro de 2026 às 13h53.

John Ternus, executivo de perfil discreto e atual chefe de engenharia de hardware da Apple, passou a ser apontado internamente como favorito para substituir Tim Cook, caso o CEO decida deixar o cargo.

Aos 50 anos, Ternus teria conquistado a confiança do alto escalão ao equilibrar inovação técnica com decisões pragmáticas de custo-benefício, marca da gestão de Cook nos últimos 12 anos.

Cook, 65, teria comunicado a aliados próximos que deseja reduzir sua carga de trabalho e já discute com o conselho uma possível transição, segundo três fontes ouvidas pelo New York Times sob condição de anonimato.

Caso se afaste do cargo, ele deve permanecer como presidente do conselho da Apple. A escolha de Ternus indicaria uma continuidade do modelo atual de gestão, voltado à estabilidade operacional e à eficiência na cadeia de suprimentos.

Outros nomes ainda estariam sendo preparados internamente, como Craig Federighi (software), Eddy Cue (serviços), Greg Joswiak (marketing) e Deirdre O’Brien (varejo e RH). Com 23 anos de casa, Ternus assumiu em 2021 a liderança do time de hardware, após atuar por anos sob a tutela de Dan Riccio.

Seu currículo inclui desde o desenvolvimento de produtos como o iMac G5 até a transição dos chips Intel para os chips próprios da Apple, com o M1, lançado em 2020. Mais recentemente, liderou o projeto do iPhone Air, versão mais fina do smartphone, e atua em protótipos de foldables, celulares dobráveis.

Engenheiro mecânico formado pela Universidade da Pensilvânia e ex-nadador universitário, Ternus projetou, em seu trabalho de conclusão, um braço robótico que permitia a tetraplégicos se alimentarem por movimentos da cabeça. Antes de ingressar na Apple em 2001, trabalhou com realidade virtual no final dos anos 1990, num período em que a tecnologia ainda engatinhava no Vale do Silício.

Sucessão sem ruptura

A possível sucessão reforça a continuidade de uma gestão orientada à previsibilidade. Diferentemente do fundador Steve Jobs, que arriscava em inovações de alto impacto, Cook consolidou uma Apple mais incremental e com resultados sólidos, em 2023, a empresa foi novamente uma das mais lucrativas do planeta.

Desafios relevantes, porém, estão no radar. A empresa ainda não apresentou respostas claras à corrida por inteligência artificial, enquanto rivais como Google, Microsoft e Meta investem bilhões em machine learning e chatbots. A dependência de produção na China e as tensões geopolíticas também pressionam a companhia.

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