Huawei está otimista com a aprovação de 5G no Brasil

Para Marcelo Motta, diretor de cibersegurança e soluções da Huawei, não existe motivo para que a empresa fique de fora da briga pelo 5G no país

A companhia chinesa Huawei (maior fornecedora de telecom do mundo) está otimista com a aprovação do 5G no Brasil e com a sua participação no instalação da tecnologia no país. O leilão de frequência da nova geração de internet móvel deve ser realizado pelo governo brasileiro no segundo trimestre de 2021. Fabricantes de equipamentos de telecomunicações como a própria Huawei, a finlandesa Nokia e a sul-coreana Samsung, oferecem seus produtos para as operadoras (como a Vivo e a Claro), que participam do leilão.

Para Marcelo Motta, diretor de cibersegurança e soluções da Huawei, não existe motivo para que a empresa fique de fora da briga pelo 5G no país — mesmo com as ameaças do embaixador dos Estados Unidos, Todd Chapman, de que o Brasil “sofreria consequências” econômicas negativas” se fosse decidido manter a chinesa no páreo para a implementação da tecnologia por aqui. “Não temos qualquer insegurança em relação a nossa participação no mercado de 5G, continuamos abertos e não vemos motivos para qualquer dúvida em relação a nossa governança e a nossa cibersegurança”, explicou Motta em uma coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira, 28, a qual EXAME participou.

Na tarde de ontem, a Nokia (que também está na briga), afirmou que uma provável  exclusão da Huawei do leilão brasileiro não afetaria a implantação da rede 5G, visto que outros países adotaram a tecnologia mesmo sem a participação da chinesa. Motta não acredita que esse é o caso. “Temos uma interação muito boa com o Ministério das Comunicações e, por uma questão de agenda, ainda não encontramos o ministro pessoalmente”, disse. “Hoje já temos uma base enorme instalada para o 4G e ela rapidamente pode trazer o 5G para o Brasil, então os operadores já fizeram todo esse investimento na infraestrutura e aos poucos vão trazer essa tecnologia para o mercado brasileiro”, afirmou.

Motta também acredita que, apesar da evolução do Brasil em relação à internet, ainda existe um longo caminho a ser percorrido uma vez que a velocidade por aqui ainda é baixa. “A banda larga móvel, por exemplo, quando a gente mede a quantidade de rádios base por 10 mil habitantes, temos 4,7 ou 5 estações para cada 10 mil habitantes — e a China tem cinco vezes mais que isso. Para nos igualarmos com a China, precisaríamos de cinco vezes mais estações”, disse. “Poderíamos dar mais velocidade para o que já existe, mas o Brasil tem a necessidade de continuar expandindo essas estações para aumentar a cobertura da banda larga móvel.”

Os benefícios do 5G, para ele, seriam muitos e podem beneficiar não só os consumidores físicos, mas também as empresas. “Para os clientes, o 5G vai trazer justamente mais e mais aplicações em nuvem, jogos online, a questão de baixa latência, realidade virtual, realidade aumentada e aplicações por vídeo. No mercado corporativo, a nova geração vai levar toda a eficiência para a indústria e também é você usar essa tecnologia para desenvolver serviços. A conectividade vai permitir que novos negócios por meio dela, em si ela é um meio para a construção de novas aplicações”, garantiu.

O que os Estados Unidos têm a ver com a Huawei?

A ameaça do embaixador americano sobre a participação da Huawei no leilão do 5G brasileiro tem muito a ver com a guerra comercial entre a China e os Estados Unidos, que ganha novos contornos com bastante frequência.

No ano passado a companhia foi colocada na lista negra dos EUA pelo presidente Donald Trump por “ameaçar a segurança americana”, o que proibia a Huawei de fazer negócios com qualquer empresa americana. Um duro golpe na fabricante de celulares chinesa, que dependia fortemente de seu acordo com o Google para o fornecimento do sistema operacional Android para seus dispositivos.

A briga com os Estados Unidos pode afetar, inclusive, a presença da Huawei no mercado do 5G. Isso porque o país americano vem fazendo campanha para que seus aliados dispensem o uso da tecnologia chinesa — o Reino Unido, por exemplo, baniu a companhia.

Resta saber o que espera a Huawei no fim do túnel. E se o Brasil vai ou não ceder à pressão americana.

Obrigado por ler a EXAME! Que tal se tornar assinante?

Tenha acesso ilimitado ao melhor conteúdo de seu dia. Em poucos minutos, você cria sua conta e continua lendo esta matéria. Vamos lá?

Falta pouco para você liberar seu acesso.

exame digital

R$ 15,90/mês

  • Acesse onde e quando quiser.

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.

exame digital + impressa

R$ 44,90/mês

  • Acesse onde e quando quiser

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.

  • Edição impressa quinzenal.

  • Frete grátis

Já é assinante? Entre aqui.

Apoie a Exame, por favor desabilite seu Adblock.