Tecnologia

Governo cede na política sobre transgênicos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou na edição desta terça-feira (16/12) do Diário Oficial o texto da Medida Provisória que regulamenta o plantio de sementes de soja geneticamente modificadas, ou transgênicas, na safra do ano que vem. De acordo com o texto, fica autorizado o uso dessas sementes nas próximas colheitas, mas vedada […]

EXAME.com (EXAME.com)

EXAME.com (EXAME.com)

DR

Da Redação

Publicado em 9 de outubro de 2008 às 12h17.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou na edição desta terça-feira (16/12) do Diário Oficial o texto da Medida Provisória que regulamenta o plantio de sementes de soja geneticamente modificadas, ou transgênicas, na safra do ano que vem. De acordo com o texto, fica autorizado o uso dessas sementes nas próximas colheitas, mas vedada a comercialização. Essa situação deve persistir até que o Congresso Nacional vote uma lei específica sobre o assunto.

O setor produtor de soja, que aposta em ganhos expressivos de produtividade graças ao uso das sementes transgênicas, espera com ansiedade uma lei definitiva. O texto inicial, proposto pelo Executivo havia sofrido fortes críticas por vetar, para todo os efeitos práticos, não apenas o plantio das sementes transgênicas já desenvolvidas, mas inclusive pesquisas genéticas. "Para fazer uma pesquisa acadêmica, segundo as normas da lei proposta, seria preciso inclusive estimar o número de pássaros que sobrevoam a propriedade onde é feito o plantio, de modo a tentar avaliar o risco de o pólen transgênico se espalhar, o que seria completamente impraticável", afirma um cientista ligado a um dos maiores grupos de pesquisa e desenvolvimento de biotecnologia no Brasil.

Mas há sinais de que o governo tende a ceder na questão ambiental. Primeiro deles: na lei publicada nesta terça-feira (16/12), o presidente Lula vetou o parágrafo que responsabilizava criminalmente as empresas detentoras da patente de soja transgênica (na prática, a multinacional Monsanto) por danos eventualmente causados por contaminação ambiental.

Também circula no Congresso Nacional um substitutivo ao projeto de lei do Executivo, elaborado pelo líder do governo na Câmara, o deputado Aldo Rebelo (PcdoB-SP), em que boa parte das reivindicações de pesquisadores e produtoras agrícolas é atendida. Pelo substitutivo, ficaria a cargo de uma comissão independente e representativa, a atual Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTN-Bio) ou sua sucessora, a análise de riscos e a autorização do plantio de variedades transgênicas. Os ministérios só poderiam intervir nas decisões relativas a culturas consideradas estratégicas por razões comerciais. "Ficamos mais tranqüilos depois que tivemos acesso ao substitutivo", afirmou o cientista ouvido pelo Portal EXAME.

Resta saber, ainda, qual posição será tomada em relação à rotulagem de produtos elaborados com alimentos geneticamente modificados. Mesmo em países da Europa, onde os transgênicos acabaram vetados por pressões ambientalistas, especialistas afirmam que, embora a regulamentação rígida agrade aos órgãos de defesa dos direitos do consumidor, houve muito pouca influência da rotulagem na decisão de consumo, no período e nos países em que a venda de transgênicos era permitida em alguns países da Europa.

"O uso ou não de rótulos não teve influência nenhuma no comportamento dos consumidores", disse ao Portal EXAME o economista americano Nicholas Kalaitzandonakes. Ele é autor de uma pesquisa realizada pelo Centro para a Gestão e Economia da Agrobiotecnologia, ligado à Universidade de Missouri, nos Estados Unidos, que levantou dados de vendas relativos à Holanda, onde a rotulagem durou de 1997 a 2001. "De acordo com dados de varejo recolhidos pela Nielsen, a venda de produtos com ou sem transgênicos se manteve praticamente nos mesmos patamares, antes e depois da introdução dos rótulos."

Acompanhe tudo sobre:[]

Mais de Tecnologia

BYD e XPeng apostam em robôs humanoides para diversificar negócios

Hong Kong concentra quatro das cinco maiores IPOs globais de IA no 1º trimestre

Ataques cibernéticos são maior risco para multinacionais até 2030, aponta pesquisa

Google começa a permitir que usuários alterem seu endereço de e-mail