Google e Facebook tentam afastar NSA para proteger negócios

Essas empresas agora contam com a captura própria dos dados sobre os hábitos dos usuários para enviar a empresas que querem divulgar produtos ao público-alvo

Washington e São Francisco - A Google Inc., a Facebook Inc. e outras companhias de Internet que expressaram sua indignação pela intercepção dos dados dos seus usuários feita pela Agência Nacional de Segurança americana (NSA) foram pioneiras na extração de informação dos seus clientes, às vezes sem que estes soubessem.

Seja o smartphone Android, da Google, o iPhone, da Apple Inc., o motor de busca pela Internet da Yahoo! Inc. ou o site de redes sociais do Facebook, o Vale do Silício agora conta com a captura e a análise dos dados sobre os hábitos dos usuários na Internet, suas localizações e suas publicações em redes sociais, parte da informação compilada pela própria NSA.

As companhias lucram enviando informações às pessoas sobre produtos que elas são mais propensas a comprar.

Companhias como a Yahoo disseram que os programas da NSA levarão a que cada país estabeleça regras próprias para a Internet e prejudicarão suas perspectivas no exterior. A indignação não é crível uma vez que as companhias ganham dinheiro com os dados dos seus usuários, disse Jeffrey Chester, diretor executivo do Centro para a Democracia Digital, em Washington.

“São o maior bando de hipócritas do planeta”, disse Chester em entrevista por telefone. “O fato de que eles consigam afastar-se do foco e apontar para o governo como criador de um problema de privacidade é uma jogada brilhante de relações públicas da parte deles”.


Cada dado compartilhado online por uma pessoa possui um valor mensurável para as companhias que os compilam e para as empresas de marketing que os usam, o que ajuda a construir uma indústria que gerou US$ 156 bilhões em receita em 2012, segundo a Associação de Marketing Direto, sediada em Nova York. A cifra mais do que dobra o orçamento das agências americanas de inteligência.

Valores dos usuários

A Facebook, a Google, a Apple e a Yahoo foram algumas das 15 companhias de tecnologia que solicitaram em 17 de dezembro ao presidente Barack Obama que restringisse os programas de espionagem expostos pelo ex-contratado da NSA Edward Snowden e que lhes permitissem revelar até que ponto o governo bisbilhotou seus dados.

A agência defendeu sua compilação de dados dizendo que é essencial para a segurança nacional.

A NSA grampeou cabos de fibra ótica no exterior para extrair dados da Google e da Yahoo, driblou ou quebrou codificações e introduziu secretamente debilidades ou acessos secundários aos códigos, segundo matérias dos jornais americanos Washington Post e New York Times e do britânico Guardian baseadas em documentos vazados por Snowden.

A resposta das companhias de tecnologia a essas matérias estrutura-se em volta de um cálculo comercial: a informação que elas recebem de graça dos usuários possui um valor tangível, pois os anúncios especializados vendem mais produtos. Elas correm o risco de receberem menos informação se os usuários forem a outro lugar.


Cookies famintos

Os usuários estão explicitamente cientes de parte da compilação de dados, como a que tem lugar em tarefas tais como assinar uma conta de Gmail ou clicar em um anúncio no Facebook.

O uso de cookies de rastreamento – pequenas peças de códigos informáticos que são implantadas nos navegadores de Internet das pessoas quando elas visitam um site – permite às companhias atualizar continuamente dossiês do comportamento dos usuários, mesmo quando eles não estão nos sites das companhias ou não estão usando os serviços.

As revelações da NSA apresentam uma oportunidade para que os guardiões da privacidade pressionem para mudar a forma com que os dados dos consumidores são usados, disse Chris Jay Hoofnagle, diretor dos programas de privacidade da informação no Centro de Direito e Tecnologia, de Berkeley.

“Estrategicamente, os defensores da privacidade podem fazer muito quando os interesses da privacidade dos consumidores se alinham com a agenda das empresas”, escreveu Hoofnagle por e-mail. “Contudo, a motivação oculta das companhias do Vale do Silício é evitar que a Internet pareça assustadora”.

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