Ciência

Fóssil considerado marco da evolução cerebral é contestado

Os bebês de hoje nascem com uma série de placas no crânio que se juntam frouxamente, mas fóssil não apresenta essas estruturas


	Fóssil Taung Child: partes moles do cérebro serviriam para acomodar nosso cérebro, acreditam cientistas
 (Gianluigi Guercia)

Fóssil Taung Child: partes moles do cérebro serviriam para acomodar nosso cérebro, acreditam cientistas (Gianluigi Guercia)

DR

Da Redação

Publicado em 26 de agosto de 2014 às 09h14.

Um crânio infantil com três milhões de anos, descoberto na África do Sul, não apresenta sinais de partes moles do tipo que seriam encontradas em crianças humanas com cérebros maiores, revelou um estudo publicado nesta segunda-feira.

As descobertas foram a mais recente contribuição ao debate de se o fóssil da Criança de Taung pode ter apresentado os sinais mais remotos de um crânio que seria o primeiro e melhor exemplo da evolução cerebral do hominídeo primitivo.

Os bebês de hoje nascem com uma série de placas no crânio que se juntam frouxamente, formando partes moles que acabam se unindo.

Os cientistas acreditam que nós desenvolvemos este traço para acomodar nosso cérebro, que desde a era dos neandertais é maior do que os cérebros dos ancestrais humanos mais primitivos.

A Criança de Taung foi descoberta 90 anos atrás na África do Sul e alguns cientistas acreditavam que o crânio apresentava os primeiros sinais desta adaptação craniana em um hominídeo chamado "Australopithecus africanus", que viveu entre 2,1 e 3,3 milhões de anos atrás.

Neste estudo mais recente, cientistas da Universidade de Witwatersrand, da Universidade de Columbia e da Universidade Atlantic da Flórida usaram tomografia de computador de alta resolução para observar cada camada do crânio.

"Segundo os autores, os resultados, assim como as comparações com o registro fóssil do hominídeo e da variação do chimpanzé não sustentam a hipótese de que as características evoluíram no A. africanus ou em hominídeos Homo primitivos", concluiu o estudo no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences.

Varreduras avançadas revelaram mais detalhes sobre as extremidades do que alguns cientistas acreditaram ser placas cranianas.

"As margens não são tão aguçadas quanto esperávamos" caso houvesse uma parte mole ou moleira, afirmou.

Além disso, uma vez que a idade estimada da criança era de três a quatro anos, uma moleira aberta "seria extremamente rara" e o fóssil estaria "muito além da idade" com que costuma se fechar, entre os três e os nove meses de idade nos bebês atuais.

Acompanhe tudo sobre:Teoria da evolução

Mais de Ciência

No primeiro aniversário, centro de inovação da Oracle mostra avanço em protótipos e negócios

Para Huawei, Confaz pode ser alternativa branda ao que foi perdido na MP do Redata

China abre projetos científicos a pesquisadores estrangeiros

Riot vai mudar estratégia para League of Legends e reduzir lançamentos, diz líder de produto