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Quais celulares têm suporte a satélite no Brasil em 2026? Lista atualizada

A conexão direta entre celular e satélite promete eliminar zonas sem sinal, mas a ativação comercial no país ainda depende de acordos entre operadoras e empresas

Celulares com suporte a satélite: modelos compatíveis e o que já funciona no Brasil (Getty Images)

Celulares com suporte a satélite: modelos compatíveis e o que já funciona no Brasil (Getty Images)

Marina Semensato
Marina Semensato

Colaboradora

Publicado em 28 de abril de 2026 às 11h49.

Manter o celular conectado em trilhas, estradas rurais, ou áreas de produção agrícola sempre dependeu de torres terrestres — e, onde elas não chegam, o sinal simplesmente acaba. A conexão via satélite direto no celular reduz essa dependência de infraestrutura no solo, pois faz o smartphone se comunicar com satélites em órbita baixa, que funcionam como torres no espaço.

Mais de 50 modelos de celulares vendidos no Brasil já carregam o hardware necessário para esse tipo de conexão. O serviço comercial, porém, ainda não foi ativado no país.

O que é a conexão direta celular-satélite?

A tecnologia conhecida como direct-to-cell (ou direct-to-device, abreviada como D2D) permite que um smartphone comum receba e envie sinais para satélites em órbita baixa da Terra (LEO, na sigla em inglês), sem necessidade de antena externa, chip especial ou aplicativo adicional. O celular usa seu próprio modem 4G LTE para se conectar ao satélite quando detecta ausência de sinal terrestre.

Os satélites LEO orbitam entre 300 km e 2.000 km de altitude — distância menor que a dos satélites geoestacionários tradicionais, que ficam a cerca de 36 mil km. Essa proximidade reduz a latência e viabiliza a comunicação com antenas pequenas, como as dos smartphones.

Há dois sistemas principais em operação ou em fase avançada de testes no mundo: o Starlink Direct to Cell, da SpaceX, que funciona em parceria com operadoras de telefonia móvel, e o SOS de Emergência via Satélite da Apple, que usa a rede da Globalstar exclusivamente para iPhones.

Quais serviços estão disponíveis com essa tecnologia?

As funcionalidades variam conforme o sistema e o estágio de implementação em cada país. Nos Estados Unidos, onde o Starlink Direct to Cell opera em parceria com a T-Mobile desde 2025, o serviço já permite envio e recebimento de mensagens de texto (SMS), compartilhamento de localização e alertas de emergência. A previsão é expandir para chamadas de voz e dados móveis ao longo de 2026.

O sistema da Apple oferece SOS de Emergência via Satélite (envio de alertas para serviços de socorro), Mensagens via Satélite (troca de iMessages), Buscar via Satélite (compartilhamento de localização pelo app Buscar) e Assistência na Estrada via Satélite. A disponibilidade de cada recurso varia por país.

E no Brasil, quais serviços funcionam?

O Brasil já conta com serviços comerciais de satélite em operação — a Starlink lidera o mercado de banda larga fixa via satélite (com antena), seguida por HughesNet e Viasat. A Star One (Embratel) fornece infraestrutura para TV e dados, e empresas como Myriota e Sateliot operam redes de IoT para agronegócio e logística. O satélite governamental SGDC-1, operado pela Telebras, leva internet a escolas e postos de saúde pelo programa Wi-Fi Brasil.

O que ainda não existe no país é a conexão direta do celular ao satélite. Até abril de 2026, nenhum serviço D2D opera comercialmente no Brasil, seja o Starlink Direct to Cell, seja o SOS de Emergência da Apple.

No caso da Starlink, a Anatel já autorizou mais de 7.500 satélites da empresa a sobrevoar o território nacional, e o Brasil é o segundo maior mercado da Starlink no mundo em banda larga fixa, com mais de 1 milhão de acessos.

A ativação do Direct to Cell, porém, depende de um contrato comercial entre a SpaceX e ao menos uma operadora brasileira (Vivo, Claro ou TIM), e aprovação regulatória. Nenhuma operadora assinou acordo até o momento, embora Claro e TIM conduzam testes com concorrentes como AST SpaceMobile e Lynk.

A Anatel criou um sandbox regulatório para facilitar experimentos com tecnologia D2D. Desde outubro de 2025, o novo Regulamento Geral de Telecomunicações abriu a possibilidade de empresas de satélite solicitarem outorga de Serviço Móvel Pessoal (SMP) e operar sem depender de parceria com operadoras locais. Até abril de 2026, nenhuma empresa fez esse pedido.

No caso da Apple, o SOS de Emergência via Satélite funciona em países como Estados Unidos, Canadá, Japão, México, Austrália, Nova Zelândia e parte da Europa (Alemanha, França, Reino Unido, Espanha, Itália, Portugal, entre outros). O Brasil não está na lista. Embora iPhones vendidos no país tenham o hardware de satélite, os serviços da Apple dependem da infraestrutura de retransmissão da Globalstar e de aprovação regulatória local, que não foram concluídas.

Quais celulares já têm hardware compatível?

Os modelos listados possuem o hardware necessário para conexão direta via satélite. A ativação comercial no Brasil depende dos acordos com Anatel e operadoras. Quando o serviço for liberado, esses aparelhos estarão prontos para receber a funcionalidade por atualização de software.

Apple (iPhone)

  • iPhone 14 (todas as variantes: Plus, Pro, Pro Max);
  • iPhone 15 (todas as variantes);
  • iPhone 16 (todas as variantes, incluindo o 16e);
  • iPhone 17 (todas as variantes).

Samsung (Galaxy)

  • Linha Galaxy S: do S21 ao S25, incluindo versões Plus, Ultra e FE;
  • Dobráveis: Galaxy Z Flip 3 ao Z Flip 6, Galaxy Z Fold 3 ao Z Fold 6;
  • Linha Galaxy A: modelos A14 5G, A35, A53, A54 e posteriores;
  • Linha Galaxy XCover: XCover6 Pro e posteriores.

Google (Pixel)

Pixel 9, Pixel 9 Pro, Pixel 9 Pro XL, Pixel 9 Pro Fold

Motorola

Modelos lançados a partir de 2024, incluindo linhas Razr, Edge e Moto G 5G

Como saber se meu celular vai funcionar com satélite?

A compatibilidade depende do modem instalado no aparelho. O Starlink Direct to Cell foi projetado para funcionar com qualquer smartphone que suporte 4G LTE, desde que a operadora parceira habilite o acesso. A T-Mobile, nos EUA, mantém uma lista oficial atualizada com centenas de modelos compatíveis.

No caso da Apple, a conexão via satélite é exclusiva de iPhones a partir do modelo 14, que utilizam a rede da Globalstar — um sistema separado do Starlink.

Quando o celular perde o sinal da operadora terrestre, a conexão via satélite se ativa de forma automática. Em iPhones, a palavra "SAT" aparece ao lado das barras de sinal. Em aparelhos Android conectados ao Starlink, o ícone de satélite é exibido junto ao nome da rede. Não é necessário instalar aplicativos nem trocar de chip.

Para quem a conexão via satélite faz diferença?

A tecnologia não substitui a cobertura urbana convencional — em ambientes fechados ou com muitos prédios, o sinal de satélite não atravessa bem estruturas de concreto. O público que mais se beneficia é quem frequenta ou vive em áreas remotas, como produtores rurais, trabalhadores em campos de mineração, pescadores, praticantes de esportes de aventura e moradores de comunidades afastadas de centros urbanos.

Para o agronegócio brasileiro, a conectividade no campo pode destravar desde a comunicação básica até a adoção de agricultura de precisão e monitoramento remoto em áreas hoje sem cobertura. A expectativa do setor é que as negociações entre operadoras e empresas de satélite avancem ao longo deste ano, sem data confirmada de lançamento comercial no Brasil.

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