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Esqueça a forma como você consome energia

As redes inteligentes, ou smart grids, vão colocar o usuário no controle de seu consumo de eletricidade

Várias concessionárias do Brasil e do mundo já aderiram à tecnologia de smart grids, as redes inteligentes de energia. Elas estão prestes a mudar radicalmente a forma como lidamos com a energia elétrica em casa, ao automatizar todo o processo de distribuição e ainda monitorar, em tempo real, todos os tipos de gastos.

Para entender o impacto dessa transformação na vida dos consumidores é preciso compreender primeiro como as concessionárias trabalham em boa parte do país hoje. Os consumidores têm em casa um medidor eletromecânico que parece um relógio analógico. Um profissional conhecido como leiturista passa, uma vez por mês, para ler e analisar os números, calcular quanto de eletricidade foi usado e depois fechar a fatura.

Nos últimos anos, surgiram medidores inteligentes, capazes de se comunicar com a concessionária remotamente, sem precisar da leitura de um técnico. Além de automatizar o envio de informações para a distribuidora, o equipamento fornece mais dados para o cliente.

“Atualmente, o usuário só sabe quantos quilowatts-hora foram gastos dentro do período de um mês, mas desconhece o horário do dia de maior consumo e qual equipamento gasta mais em casa”, afirma Nelson Kagan, coordenador do núcleo de pesquisa em redes elétricas inteligentes da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP).

Com a smart grid as informações poderão ser acessadas pela tela do medidor ou por meio de portais e aplicativos para smartphones e tablets. Ainda engatinha no Brasil a possibilidade de oferecer uma ferramenta como essa, apesar de já existir em outros países.

A concessionária British Gas, da Inglaterra, oferece aplicativos para dispositivos móveis com sistemas iOS e Android. O software permite que os clientes vejam o consumo, comparem o uso e agendem uma visita técnica para resolver eventuais problemas. Segundo a empresa, as queixas caíram 21% e a satisfação subiu 53% em comparação com o tempo em que se usavam medidores analógicos.

Outro ponto a favor dos aplicativos é a confiabilidade que a distribuidora ganha do consumidor. “Hoje o serviço é muito cego em relação ao que acontece com o cliente. Na maioria das vezes, a concessionária só sabe que alguém está sem energia quando recebe uma ligação”, diz Guilherme Rocha, gerente sênior da consultoria Accenture. A adoção de sistemas inteligentes permite que a própria empresa preste um serviço melhor ao identificar, em tempo real, pontos de falhas e suas causas.

O aplicativo também pode dar dicas de consumo eficiente e avisar sobre oscilações no valor da tarifa, algo que pode começar a funcionar no Brasil em breve. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já regulamentou a Tarifa Branca, que cobra valores diferentes conforme o dia e o horário. Durante a noite, por exemplo, o custo sobe. Porém, se o usuário adotar hábitos que priorizem o uso fora do horário de pico, poderá pagar menos no fim do mês.

O novo modelo de tarifação pode ser referendado por uma pesquisa da Accenture que mostra que 89% dos brasileiros têm interesse em participar de programas que incentivam o consumo eficiente. Mas só é recomendado que o usuário altere a forma de pagamento após simular o preço da fatura com os dois valores: o convencional e aquele registrado com o uso de um medidor inteligente que marca todos os gastos. Isso quando os medidores inteligentes estiverem disponíveis. Até o momento, não há nenhum aprovado pelo Inmetro, que prevê a certificação do primeiro equipamento ainda em junho deste ano.

Mas os benefícios das redes inteligentes vão muito além de medidores eletrônicos. Ainda segundo a pesquisa da Accenture, oito em cada dez consumidores brasileiros estão interessados em ser autossuficientes na geração de eletricidade.

Já é uma tendência mundial a instalação de um painel solar em casa para gerar sua própria energia e guardar o excedente em baterias para usar no futuro ou vender para a concessionária, que por sua vez pode dar desconto nas próximas faturas. “A chamada microgeração distribuída é uma das principais partes dessa convergência tecnológica”, afirma o professor Kagan, da Poli-USP.

A popularização dos painéis fotovoltaicos em casa tem tudo para decolar no Brasil. “O movimento tende a crescer porque estamos em um dos países com maior potencial para a geração de energia solar, por causa do alto nível de insolação”, diz Rocha, da Accenture. “Pode ser uma oportunidade para o consumidor ter ainda menos gastos”, completa.

Neste ponto entram novamente as smart grids. Para controlar a geração e o uso de energia de cada casa com precisão, é preciso modernizar a rede de distribuição, os equipamentos e os métodos de gestão. Com ajuda de um medidor inteligente, a distribuidora pode superar o desafio de ter uma visão completa do ciclo de eletricidade dentro das casas. Diz Rocha: “A possibilidade de ter um painel solar é uma das alavancas para desenvolver redes inteligentes num futuro próximo no Brasil”.

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