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Como Elon Musk quer construir uma cidade na Lua

Plano da SpaceX prevê cidade lunar autossustentável baseada em Starships, energia solar contínua e mineração de gelo no polo sul

SpaceX: empresa de Musk é o foco para morar na Lua  (CHANDAN KHANNA/AFP)

SpaceX: empresa de Musk é o foco para morar na Lua (CHANDAN KHANNA/AFP)

Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 05h58.

A SpaceX passou a tratar a Lua como prioridade estratégica. O plano apresentado por Elon Musk prevê a construção de uma cidade lunar autossustentável baseada no uso permanente de lançadores Starship, energia solar contínua e mineração de gelo no polo sul do satélite.

Segundo Musk, esse caminho é mais rápido e operacionalmente viável do que um projeto equivalente em Marte. O executivo afirmou que uma cidade lunar capaz de crescer de forma independente pode ser estabelecida em menos da metade do tempo necessário para a colonização marciana, citando a proximidade da Lua, a frequência de janelas de lançamento e a possibilidade de testar tecnologias em ciclos mais curtos.

Ainda de acordo com Musk, os planos para Marte não foram abandonados, mas passam a ocorrer em paralelo. A cidade lunar, segundo ele, funcionaria como base de testes, centro logístico e polo industrial, reduzindo riscos tecnológicos e acelerando o desenvolvimento de sistemas essenciais para missões interplanetárias futuras.

Como pode ser a cidade?

A estratégia em avaliação pela SpaceX prevê o uso de Starships pousadas na Lua como parte da infraestrutura inicial de uma base permanente. Segundo dados divulgados pela empresa, cada unidade do modelo Starship HLS possui mais de 600 metros cúbicos de volume interno pressurizado, o que permite sua utilização como habitat de curta e média duração.

Especialistas consideram tecnicamente viável a adaptação dessas naves para uso prolongado na superfície lunar. No entanto, não há, até o momento, planos oficiais detalhando a conversão das Starships em estruturas permanentes.

Onde a base deve ficar?

A principal área citada para a instalação da base é a borda da cratera Shackleton, no polo sul da Lua. Estudos da Nasa e da ESA indicam que partes dessa região recebem luz solar entre 80% e 90% do ano lunar, condição favorável à geração de energia solar.

Mesmo assim, a iluminação não é contínua. Há períodos de sombra que exigem sistemas de armazenamento de energia e soluções de redundância para garantir a operação da base.

No interior da cratera, regiões permanentemente sombreadas apresentam indícios consistentes da presença de gelo de água, identificados por missões como LRO e LCROSS. A quantidade disponível e a viabilidade da extração ainda são incertas, com evidências de que o gelo esteja misturado ao regolito lunar.

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Construção e proteção

A expansão da base está associada ao uso do regolito lunar como material de construção. Pesquisas conduzidas pela Nasa e pela ESA indicam que o solo da Lua pode ser empregado em processos de impressão 3D ou deposição automatizada para criar estruturas e camadas de proteção sobre habitats.

Estudos também mostram que camadas entre 1 e 3 metros de regolito são suficientes para reduzir significativamente a exposição à radiação e a impactos de micrometeoritos. A aplicação direta dessa técnica sobre Starships ou módulos infláveis, porém, permanece no campo conceitual.

Indústria e cronograma

Musk já afirmou que vê o espaço como um ambiente estratégico para infraestrutura computacional, especialmente após a integração da xAI ao ecossistema da SpaceX. Segundo a Reuters, a empresa avalia a expansão de data centers espaciais em órbita como parte dessa estratégia.

A instalação de data centers diretamente na Lua, aproveitando regiões frias e sem atmosfera para resfriamento, aparece em análises técnicas e estudos de tendência, mas ainda não foi formalizada em comunicados oficiais com local, cronograma ou escala definidos.

O mesmo se aplica aos mass drivers, sistemas eletromagnéticos de lançamento. Musk já mencionou a tecnologia como possibilidade futura, mas não há projetos públicos de engenharia nem cronogramas que associem esses sistemas a uma base específica no polo sul lunar.

Relatos indicam que a SpaceX trabalha com metas provisórias que incluem demonstrações técnicas em órbita em 2026, um pouso lunar não tripulado em 2027 e um pouso tripulado em 2028. 

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