Com avanço tecnológico, setor aéreo se protege contra hackers

Companhias aéreas e fabricantes de aviões podem implementar cadeias blockchain para segurança de dados

São Paulo - Com um número crescente de dispositivos conectados, falar sobre segurança e tecnologia é, automaticamente, relacionar o avanço com a proteção de dados e proteção contra riscos financeiros. Mas o setor aéreo é outro de grande importância que está se preparando tanto quanto os bancos para incidentes cibernéticos.

De acordo com pesquisa global da PwC, 85% das empresas de aviação responderam que possuem a cibersegurança como uma das principais preocupações. O percentual é 24% acima da média global das empresas nesse levantamento. Empresas como a Gol, Latam ou Avianca são alvos de hackers por possuírem milhões de dados de clientes, além do fato de atraírem a atenção da grande mídia. Há ainda o fator adicional de que os passageiros estão sempre conectados à internet - seja para assistir a um filme, responder mensagens no celular, ou escutar músicas.

Segundo Daniel Moczydlower, vice-presidente de Engenharia e Tecnologia da Embraer, o sistema de construção de aeronaves está se desenvolvendo de forma paralela com a tecnologia. "No setor aeronáutico, a concorrência são outros países, o que torna a informação que precisa ser protegida muito mais sensível", disse Moczydlower em debate mediado por EXAME na última quinta-feira (27).

Internacionalmente, o setor passou a ter avanços normativos a partir de 2006. Ainda que a tecnologia esteja mais focada no controle do tráfego aéreo, ela permeia por todo o ecossistema, se preocupando com os passageiros. Porém, de acordo com Moczydlower, é preciso uma maior cooperação de outros setores e uma confiança maior por parte dos clientes para que seja possível um maior aproveitamento da tecnologia de segurança virtual.

Para que seja possível controlar mais os milhares de dados e mantê-los em segurança, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) desenvolveu uma cadeia blockchain particular. De acordo com Gustavo Sanches, chefe do departamento de tecnologia, a ideia é que cada companhia aérea possa criar a sua própria rede de dados compartilháveis, de forma que as informações presentes não possam ser alteradas. "Se é preciso ter todos os documentos arquivados, então por que não disponibilizar todos em cadeia?", questionou Sanches.

Apesar de a ideia inicial ser da Anac, a intenção é que as empresas aprendam a utilizar a tecnologia blockchain sozinhas, para que não precisem mais da intervenção da Agência Nacional. É esperado, também, que isso se torne um tópico recorrente e relevante nas escolas de aviação e para as montadoras. A Anac fará um teste piloto da tecnologia, aplicada ao diário de bordo, a partir de 1° de julho.

O novo cenário da cibersegurança, que hoje tem papel crucial nas estratégias do setor, está mudando a formação de engenheiros aeronáuticos, segundo Moczydlower. Os engenheiros precisam ter conhecimentos sobre cibersegurança e tecnologia da informação em geral.

Para o futuro, as parcerias entre empresas de aviação e de segurança virtual aumentem - como a troca de serviços entre a Tempest Security e a Embraer. O companheirismo entre setores pode alavancar e tirar do papel as futuras inovações desejadas pelo setor da aviação.

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