Custo mais baixo e incentivo público são fatores que impulsionaram a indústria no país asiático (Marc Tawil)
Colaboradora
Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 10h57.
Empresas chinesas lideraram as remessas globais de robôs humanoides em 2025. De acordo com um relatório da empresa de pesquisa Omdia, fabricantes da China foram os responsáveis pela maioria das 13.000 unidades enviadas globalmente no ano passado e superaram com folga os concorrentes dos Estados Unidos em volume absoluto. As informações foram divulgadas pela Bloomberg.
Ainda segundo a Omdia, as vendas globais de robôs humanoides mais que quintuplicaram desde 2024. A liderança da China nesse estágio inicial da competição pode favorecer o país no longo prazo, já que o número total de robôs em operação deve chegar a 648 milhões até 2050, de acordo com estimativas do Citigroup.
Entre os principais fabricantes, a startup Shanghai AgiBot Innovation Technology Co. liderou as remessas em 2025, com aproximadamente 5.168 robôs enviados. Em seguida estão a Unitree Robotics e a UBTech Robotics Corp., também chinesas. Juntas, essas empresas colocaram a China muito à frente de companhias norte-americanas como a Tesla Inc. e a Figure AI.
Na avaliação da Omdia, os fornecedores chineses estão conseguindo estabelecer novos padrões de produção em larga escala. Um dos fatores centrais é o custo: enquanto a Unitree oferece um modelo básico de robô humanoide por aproximadamente US$ 6.000 (R$ 32.400) e a AgiBot cobra US$ 14.000 (R$ 75.600) por um modelo menor, o CEO da Tesla, Elon Musk, já indicou que os robôs humanoides Optimus — que nem entraram em produção de larga escala ainda — devem custar entre US$ 20.000 (R$ 108.000) e US$ 30.000 (162.000).
A integração com inteligência artificial é outro fator que impulsionou o desenvolvimento desses robôs. De acordo com a Omdia, o avanço dos modelos de IA ajudam as máquinas a executarem tarefas cada vez mais complexas e, com isso, ampliam o uso em áreas diversas, como manufatura, logística, saúde e atendimento ao cliente.
O relatório da empresa de pesquisa também cita a importância de políticas públicas favoráveis e apoio à infraestrutura, como centros de treinamento especializado, para o avanço da indústria de robótica na China. Hoje, o país já conta com mais de 150 empresas fabricantes de robôs humanoides.
As projeções da Omdia indicam que o crescimento deve continuar. A estimativa é que as remessas globais de robôs humanoides alcancem 2,6 milhões de unidades em 2035, à medida que avanços em modelos de IA, mãos mais hábeis e aprendizado por reforço automático tornem esses robôs viáveis para funções industriais, de serviços e, futuramente, domésticas. O levantamento considera, nesse caso, robôs humanoides bípedes e modelos com rodas e torso superior semelhante ao de humanos.