Tecnologia

China cria célula de combustível de carvão com emissão zero de carbono

Sistema gera eletricidade sem queimar carvão e captura todo o dióxido de carbono produzido no processo

O sistema foi batizado de ZC-DCFC, sigla em inglês para célula de combustível de carvão direto com emissão zero de carbono (Getty Images)

O sistema foi batizado de ZC-DCFC, sigla em inglês para célula de combustível de carvão direto com emissão zero de carbono (Getty Images)

André Lopes
André Lopes

Repórter

Publicado em 28 de abril de 2026 às 16h15.

Cientistas chineses anunciaram o desenvolvimento da primeira célula de combustível de carvão com emissão zero de carbono do mundo, uma tecnologia que promete gerar eletricidade a partir do carvão sem combustão e com captura integral de CO₂. A pesquisa foi publicada na revista Energy Reviews e apresenta uma alternativa para reduzir o impacto ambiental do combustível fóssil mais poluente da matriz energética global.

O sistema foi batizado de ZC-DCFC, sigla em inglês para célula de combustível de carvão direto com emissão zero de carbono, e foi desenvolvido por uma equipe liderada por Xie Heping, membro da Academia de Engenharia da China e professor da Universidade de Shenzhen.

No processo, o carvão é transformado em pó fino, seco e purificado antes de ser inserido na câmara do ânodo da célula. O oxigênio entra pelo cátodo e o carvão passa por oxidação eletroquímica através de uma membrana de óxido, gerando eletricidade diretamente — sem combustão, sem vapor e sem turbinas.

Segundo os pesquisadores, a ausência de combustão elimina perdas de eficiência típicas das usinas termelétricas tradicionais, que hoje operam com limite próximo de 40%.

Xie Heping afirma que o sistema supera as restrições impostas pelo ciclo de Carnot, princípio termodinâmico que limita a eficiência de motores térmicos convencionais. A geração direta de eletricidade permite maior aproveitamento energético e reduz significativamente a poluição associada ao carvão.

Outro ponto central é o tratamento do dióxido de carbono gerado. O CO₂ de alta pureza produzido na saída do ânodo é capturado no próprio local e convertido cataliticamente em insumos químicos, como gás de síntese, ou mineralizado em compostos como bicarbonato de sódio.

Os pesquisadores também afirmam que o sistema opera de forma silenciosa e sem a poluição pesada normalmente associada às usinas a carvão, como fuligem e grandes emissões atmosféricas.

Tecnologia tenta reposicionar o carvão na transição energética

A proposta surge em um momento em que a China busca conciliar sua forte dependência de carvão com a meta de neutralidade de carbono até 2060. O país ainda responde por uma das maiores capacidades globais de geração termelétrica e mantém o carvão como base de segurança energética.

Ao transformar o combustível em fonte de eletricidade de baixa emissão, a tecnologia tenta reposicionar um dos setores mais criticados da matriz energética mundial dentro da agenda de transição climática.

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