Tecnologia

Big Techs tentam driblar taxa de Trump para profissionais estrangeiros

Governo Trump afirma que H-1B foi usado para substituir trabalhadores americanos

Casa Branca: Big techs ajustam estratégia para evitar nova cobrança no H-1B (Montagem/EXAME/Getty Images)

Casa Branca: Big techs ajustam estratégia para evitar nova cobrança no H-1B (Montagem/EXAME/Getty Images)

Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 07h17.

Gigantes de tecnologia dos Estados Unidos estão estruturando estratégias para contornar a nova taxa de US$ 100 mil para vistos H-1B anunciada pelo governo do presidente Donald Trump, movimento que pode concentrar o impacto da medida sobre startups e empresas menores.

A medida do governo Trump foi anunciada em setembro de 2025 e argumenta que o programa que autoriza o trabalho para profissionais estrangeiros altamente qualificados estaria sendo "deliberadamente explorado" para substituir a mão de obra de trabalhadores dos EUA. Segundo comunicado da Casa Branca na época, o uso sistêmico do visto teria contribuído para pressionar salários, especialmente em áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM), além de representar risco econômico e de segurança nacional.

Trump determinou a restrição de entrada de novos trabalhadores H-1B que não estejam acompanhados do pagamento de uma taxa de US$ 100 mil, com vigência inicial de 12 meses a partir de 21 de setembro de 2025.

Segundo o Wall Street Journal, a Amazon, Microsoft, Google (da Alphabet) e Meta agora pretendem priorizar categorias de trabalhadores que não precisam pagar a taxa, como portadores atuais de H-1B que já estejam nos Estados Unidos, estudantes estrangeiros e profissionais com outros tipos de visto.

Algumas dessas companhias também vêm reduzindo a dependência do programa nos últimos anos e discutem alternativas para evitar novas solicitações em determinados casos.

Startups enfrentam barreiras maiores

Empresas menores, especialmente em áreas especializadas como inteligência artificial e saúde, relatam dificuldade para absorver o custo adicional ou estruturar alternativas. Ao WSJ, Morgan Reed, presidente da ACT | The App Association, que representa pequenas empresas de tecnologia, afirmou que as gigantes estão mais protegidas enquanto startups precisam rever planos de expansão ou contratação.

A política também alterou o sistema de loteria anual que distribui 85 mil novos vistos H-1B. A nova regra dá maior probabilidade a trabalhadores com salários mais altos, o que tende a favorecer grandes companhias com maior capacidade financeira. Universidades e organizações sem fins lucrativos seguem, em geral, isentas do limite anual.

Um dos principais instrumentos utilizados pelas big techs é o programa Optional Practical Training (OPT), que permite que estudantes estrangeiros formados em universidades americanas trabalhem temporariamente no país. Graduados em áreas STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) podem permanecer por até três anos antes de migrar para o H-1B — e não estão sujeitos à nova taxa nesse período.

Além disso, empresas de maior porte podem realocar profissionais para escritórios no exterior caso não obtenham o visto, alternativa pouco viável para startups.

Jennifer Ide, executiva da startup de saúde Rimidi, afirmou que a taxa seria “proibitiva” para a companhia, que tem cerca de 20 funcionários. Segundo ela, a empresa já perdeu um colaborador para uma firma com operações internacionais e pode enfrentar novas saídas caso profissionais não sejam selecionados na loteria.

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