Lago Mono, na Califórnia: descoberta de bactéria pode mudar rumos das pesquisas sobre vida fora da Terra (Daniel di Palma/Wikimedia Commons)
Da Redação
Publicado em 2 de dezembro de 2010 às 16h37.
São Paulo – O anúncio que a NASA, agência espacial norte-americana, fará a partir das 17 horas desta quinta-feira (2) não se refere exatamente a uma forma de vida descoberta fora da Terra, mas nem por isso deixa de ser um evento importante. Segundo informações divulgadas nesta tarde pela Sociedade Americana Para Progresso da Ciência (AAAS, na sigla em inglês), uma equipe de pesquisadores da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, descobriu a existência de uma bactéria que utiliza o elemento tóxico arsênico no lugar do fósforo em sua composição.
Até agora acreditava-se que todas as formas de vida dependiam do fósforo, além dos elementos químicos carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio e enxofre, para existir. São esses os ingredientes que formam o DNA de qualquer indivíduo já catalogado.
“Um dos princípios que guiavam a busca por vida em outros planetas, e nosso programa de astrobiologia, era que deveríamos seguir esses elementos”, explica o pesquisador Ariel Anbar, que dirige o programa de astrobiologia da Universidade do Arizona. A descoberta sugere a possibilidade de outras concepções de vida, não baseadas nas formas tradicionais até hoje conhecidas.
O microorganismo foi encontrado no Lago Mono, na Califórnia, onde a vida era improvável por conta da presença de arsênio.
Na segunda-feira (29) a NASA gerou uma onda de especulações na internet depois de agendar uma entrevista coletiva “para discutir uma descoberta da astrobiologia que irá impactar a busca por evidências de vida extraterrestre”. A conferência, que será realizada na sede da agência, em Washington, nos Estados Unidos, terá transmissão em tempo real, no site oficial da agência, nesta quinta-feira (2) partir das 17 horas, no horário de Brasília.
A divulgação da pesquisa pela AAAS, no entanto, foi antecipada para as 15 horas. Do evento a ser realizado na NASA, participam Mary Voytek, diretora do programa de astrobiologia da Nasa; Felisa Wolfe-Simon, pesquisadora da U.S Geological Survey; Pamela Conrad, astrobióloga do Centro de Voo Espacial Goddard, entre outros especialistas no assunto. Felisa integra o grupo de autores do estudo publicado na Science.