Backup ou bye-bye!

Hoje em dia, não dá para arriscar o pescoço perdendo dados de bobeira

A maioria das pessoas só dá valor ao backup depois que perde os dados por uma distração, não é mesmo? Mas basta seguir alguns procedimentos ditados pelos especialistas para você garantir a integridade das informações – e, quem sabe, até recuperá-las em caso de desastres.

A primeira dica é óbvia, mas vá lá: faça backup de todos os dados importantes para o funcionamento da sua empresa. Há dois tipos básicos de backup: o incremental, feito diariamente, e o completo, feito uma vez por semana. O backup incremental faz a cópia dos arquivos usados somente naquele dia. Os dados são copiados com o sistema em funcionamento e armazenados em fitas DLT (Digital Linear Tape). Já o backup completo é feito normalmente nos finais de semana, quando o sistema da empresa pode ser desligado, e grava tudo o que rolou até a última semana. É uma opção demorada (dependendo do volume de dados, dura até oito horas), mas imprescindível. Em caso de desastre, o histórico da empresa fica preservado.

Logo depois do backup, é recomendável fazer uma checagem para verificar se os dados copiados não estão corrompidos (o consistence check, no jargão dos especialistas). É possível que algo dê errado na hora da gravação e os arquivos não funcionem depois, devido à falta de um pedaço. Para evitar surpresas desagradáveis quando precisar do que está guardado, cheque a integridade das informações logo depois do backup.

Outra técnica é colocar os servidores da empresa em cluster. Enquanto o servidor A roda, o B, ligado via host ou porta paralela, faz uma cópia sincronizada dos arquivos em tempo real. Enquanto um funciona, o outro copia. Se o servidor A quebrar, tudo fica preservado no B.

Outra maneira de colocar os servidores em cluster é ligá-los via TCP/IP, especialmente quando as máquinas estiverem em localidades diferentes. Uma das soluções é o Backup Exec, da Veritas, que roda pelo browser.

Para garantir os dados armazenados nos desktops dos usuários, a solução é manter um servidor NAS (Network Attached Storage) para armazenar arquivos. O NAS funciona conectado à rede corporativa, mas não roda nenhuma aplicação. Ou seja, se a rede cair ou for infectada por um vírus, o NAS fica firme.

Se internamente a coisa não deu certo, uma solução pode ser migrar a base de dados para um datacenter ou contratar uma empresa de storage. Nestes casos são feitas cópias de cada pedaço do sistema e adicionadas ferramentas de manutenção e recuperação de dados (veja casos abaixo). É o backup do backup.

Com esses cuidados, as chances de perder dados são mínimas. Mas se mesmo assim você detonar alguma coisa… é bom rezar para São Judas Tadeu. Afinal, ele não é o santo das causas perdidas?

Escritório clone

O nome técnico é Business Continuity Recovery Service (BCRS), mas você pode chamá-lo de escritório clone. Se sua empresa for vítima de enchente, apagão ou aviões terroristas, basta deslocar sua equipe para um escritório completamente equipado com a mesma estrutura de antes. Segundo Wagner Guedes, diretor de serviços da IBM, as empresas pagam de 5 mil a 250 mil reais por mês para ter um escritório clone montado com todas as suas principais informações intactas para a retomada das operações imediatamente após qualquer tipo de emergência. “São empresas que não podem parar em nenhuma hipótese”, diz ele. A IBM mantém três bunkers no Brasil com infra-estrutura de ponta, desenhados sob medida para os clientes – que montam um plano de contingência que define para onde os funcionários devem ir, com quem devem falar e que procedimentos devem seguir.

Peace in Brazil

Com a ameaça de terrorismo, algumas empresas americanas estão fazendo o backup de seus dados no Brasil. O Telefônica Data Center (TIC) já ganhou clientes em busca da paz tropical. Segundo o diretor Divaldo Oliveira, duas empresas americanas aproveitam a infra-estrutura de 180 mil servidores do TIC para espelhar os dados via clustering.

Bendita redundância

Já pensou se o seu banco perde suas informações pessoais de uma hora para outra? O Bradesco tem os dados de cada cliente armazenados na sede da Cidade de Deus, em Osasco, e duplicados num datacenter próprio em Barueri (SP). Os servidores de backup têm grande capacidade e estão ligados por mais de 100 canais de fibra óptica.

Cópia contínua

Na EMC, um sistema de Point-in-Time Copy faz o backup dos dados num disco localizado na própria máquina dos clientes. Segundo o diretor João Carlos Lopes, o disco interno, denominado BCV (Business Continuous Volume), permite que a gravação dos dados seja feita enquanto o usuário trabalha, sem que ele perceba. Em caso de bugs no sistema, o disquinho resiste sem prejuízos. Em caso de incêndio… bem, aí é outra história.

O poder das salas-cofre

Se você pensa que já viu de tudo em termos de segurança de dados, provavelmente não deu uma olhadinha nos computadores do laboratório do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), em Brasília. Lá funciona o que há de mais moderno no conceito de salas-cofre, ambientes high tech projetados para resistir a vários tipos de catástrofe. As duas salas do INMET abrigam dois computadores Compaq Alpha Digital 8400 e 20 estações de trabalho. Podem resistir a incêndios (suportam temperaturas externas de até 1 200 graus Celsius), cortes bruscos de energia, inundações e são imunes a impacto, explosões leves, gases corrosivos e até radiação. Um dispositivo a laser presente no ar-condicionado monitora as partículas do ar e dispara um alarme quando há risco de incêndio. A partir daí, os funcionários do INMET que estiverem na sala-cofre têm exatos 15 segundos para deixar o recinto antes do fechamento automático das portas. Em caso de fogo entra em ação o gás FM 200, que extingue o incêndio sem danificar os equipamentos. Além do INMET, Petrobrás, Embraer, Correios e diversos bancos utilizam salas-cofre no Brasil. Segundo João Reis, diretor da Aceco, que forneceu a solução do INMET, o projeto de uma sala-cofre pode custar de 12 mil a 30 mil dólares, fora os custos mensais de manutenção.

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