Amazon: Guia vazado chama funcionários do estoque de 'atletas industriais'

Texto de 'bem-estar' supostamente diz que trabalhadores devem monitorar cor da urina e comprar calçados com mais espaço para pés inchados

A Amazon distribuiu um "guia de saúde e bem-estar" para trabalhadores de um depósito em Oklahoma, nos Estados Unidos, instruindo os funcionários a treinarem como "atletas industriais" para melhorar seu desempenho no trabalho, informou a Vice News nesta terça-feira, 1.

O guia supostamente diz aos funcionários dos estoques da gigante de e-commerce para "preparar seus corpos" para caminhar "até 21 quilômetros por dia" e levantar um total de aproximadamente 9.000 quilos durante um único turno. Durante um turno de 10 horas, isso seria aproximadamente 13 quilos por minuto.

Todas as informações sobre o guia são da Vice News, que afirma que obteu o conteúdo através de Bobby Gosvenor, ex-funcionário da Amazon. Gosvenor alega que a empresa o orientou a continuar trabalhando mesmo após lesão de hérnia de disco, que ocorreu por conta de uma esteira rolante quebrada no depósito.

A Amazon não respondeu a perguntas do site de notícias Insider sobre as acusações do ex-funcionário.

O guia de 'bem-estar' da Amazon

O guia vazado aborda tópicos como nutrição, hidratação, sono, calçados, ergonomia e prevenção de lesões. Nele, há sugestões como comer cinco a nove porções de vegetais por dia, "monitorar a cor da urina" e comprar sapatos "no final do dia, quando os pés estão inchados" a ideia aqui é ter calçados com mais espaço para quando os pés incharem durante o trabalho, de acordo com a Vice.

O texto também orienta trabalhadores a buscarem ajuda de "especialistas em prevenções de lesões" para "desconfortos corporais que você pode ter como um atleta industrial".

Ao Insider, a Amazon afirma que o guia foi criado por engano e que o mesmo já foi removido, mas não revelou quem seria o responsável. Não está claro se as orientações foram distribuídas para outros depósitos.

Recentemente, uma análise do The Washington Post relatou que a Amazon está fazendo um trabalho significativamente pior cuidando de seus trabalhadores em comparação com concorrentes.

Em 2020, cerca de 5,9 em cada 100 funcionários da Amazon ficaram feridos durante o trabalho, em comparação com 2,5 no Walmart, multinacional de lojas de departamento.

De acordo com análise do Post, isso fortalece relatórios anteriores de outros meios de comunicação que alegam que a Amazon "enganou o público e reguladores" sobre taxas de acidentes ao subnotificar lesões, atrasar os trabalhadores de procurar tratamento médico acusação que Gosvenor fez ao Vice também e designar funcionários para trabalhos "leves" para minizar horas de trabalho perdidas por conta de ferimentos graves.

Em resposta à história do Post, a Amazon disse ao Insider que a empresa está investindo mais na segurança do trabalho e tomando várias medidas para reduzir os acidentes. A empresa, inclusive, ressaltou o programa WorkingWell, que visa fornecer aos funcionários cansados “atividades físicas e mentais, exercícios de bem-estar e alimentação saudável ”com o objetivo de “ajudá-los a recarregar e reenergizar”, de acordo com comunicado da empresa.

Uma das ações da WorkingWell foi a “ZenBooth” ou “Mindful Practice Room” (algo como sala de concentração, em tradução para o português), disponível para funcionários dos estoques. Trata-se de um cubículo que deve ser usado individualmente para relaxar, com vídeos de "meditações guiadas, afirmações positivas, cenas calmantes com sons e muito mais".

Porém, os índices altos de lesões no trabalho, causados por ações como produtividade exigente e inflexível, indicam que o problema seja muito maior do que programas de bem-estar podem resolver.

 

Monitoramento de produtividade na Amazon

Nos depósitos, existe uma política chamada "tarefa de folga", na qual a empresa analisa por quanto tempo o funcionário ficou conectado nas ferramentas de software. "O principal objetivo da métrica é entender se há problemas com as ferramentas que as pessoas usam para serem produtivas e, apenas secundariamente, identificar funcionários com baixo desempenho", afirmou a empresa.

Funcionários da Amazon contaram ao Insider que restrições sobre folgas durante tarefas e medo de retaliação os levaram a não ir ao banheiro e urinar em garrafas.

Após publicação da Vice, a Amazon fez uma postagem no blog da empresa dizendo que mediria a tarefa de folga durante um período mais longo, mas não se comprometeu a diminuir a produtividade exigida.

"A impressionante análise divulgada hoje é a prova de que os impossíveis requisitos de produtividade da Amazon são insustentáveis e devem ser eliminados rapidamente. O ritmo de trabalho extenuante coloca os trabalhadores em maior risco de lesões graves e tem sido usado para punir qualquer trabalhador que recuar", disse Debbie Berkowitz, diretora do programa de segurança e saúde do trabalhador do National Employment Law Project.

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