Ciência

A internet mudou até mesmo o que consideramos sexy

Estudo revela a existência de uma ligação entre acesso à internet e os parceiros potenciais que achamos mais atraentes

Sexy (paulcoxphotography/Photopin)

Sexy (paulcoxphotography/Photopin)

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Da Redação

Publicado em 21 de julho de 2014 às 15h12.

Dado que você tem acesso à internet — uma premissa válida, já que você chegou até esta página —, há uma chance grande de que tenha optado pelo rosto da esquerda de cada par.  Saiba de uma coisa: se não tivesse internet (e não estivesse lendo isto agora), você talvez preferisse os rostos do lado direito.

Qual desses dois rostos você acha mais sexy — o da esquerda ou o da direita?

E estes rostos abaixo?

É o que sugere um estudo novo e provocante que revela a existência de uma ligação entre acesso à internet e os parceiros potenciais que achamos mais atraentes.

“Tratamos a internet como algo garantido e certo, mas em boa parte do mundo existe um ‘abismo digital’ que separa as pessoas que vivem com ou sem luxos”, disse em comunicado escrito um co-autor do estudo, o psicólogo David Perret, que comanda oLaboratório de Percepção da Universidade St. Andrews, na Escócia. “Portanto, não deve surpreender que pessoas que vivem em circunstâncias muito diferentes tenham prioridades distintas em termos das qualidades que procuram num cônjuge.”

Mais quais são, exatamente, essas diferenças?

Para descobrir, uma doutoranda em psicologia do laboratório, Carlota Batres, foi a El Salvador, onde 74% da população não tem acesso à internet. Ela mostrou pares de rostos a 200 homens e mulheres (na faixa dos 18 aos 25 anos) e pediu que escolhessem qual rosto em cada par eles achavam mais atraente. Os entrevistados também completaram um questionário para indicar se tinham acesso à internet, à televisão e a água encanada.

A pesquisa revelou que as pessoas que tinham acesso à internet tendiam a preferir rostos masculinos mais “estereotipicamente masculinos” e rostos femininos mais magros e menos masculinos (por exemplo, os rostos do lado esquerdo nas fotos acima). As pessoas sem acesso à rede tendiam a dar preferência a rostos masculinos com mais traços femininos e rostos femininos mais pesados e masculinos.

“Uma explicação possível da diferença é o grau de exposição à mídia: as pessoas com acesso à internet são mais expostas à mídia (anúncios e websites), que promove os ideais de beleza de homens musculosos e mulheres magras e femininas”, disse Batres em comunicado escrito.

As pessoas com acesso à internet também têm mais chances de possuir TV em casa, ficando ainda mais expostas à influência da mídia.

Embora o estudo mostre apenas uma correlação entre acesso à internet e nossas preferências, os resultados coincidem com pesquisas anteriores que indicam que a exposição a imagens de mulheres magras na mídia está ligada à “internalização do ideal magro”. Quem o diz é a Dra. Renee Engeln, psicóloga e diretora do The Body and Media Lab da Universidade Northwestern, que não participou do estudo.

“Ou seja, quanto mais vemos esse tipo de imagem (quer seja na internet, em revistas ou programas de televisão), mais aderimos à ideia de que a magreza é um indicador chave da beleza nas mulheres”, disse Engeln ao Huffington Post em e-mail.
Para ela, esse ideal pode encerrar algumas consequências negativas para as mulheres.

“A exposição crônica a imagens na mídia que idealizam mulheres muito magras é mais perigosa para as mulheres especialmente vulneráveis –aquelas que já enfrentam problemas de imagem corporal e alimentares e que tendem especialmente a comparar seu próprio corpo aos corpos que veem na mídia. Mesmo quando essas imagens não contribuem para transtornos alimentares, contribuem para criar um ambiente em que as mulheres são lembradas constantemente que seu corpo nunca se equipara ao ideal.”

Mas Engeln também notou que, embora a mídia possa moldar nossas preferências, ela também as reflete. Isso sugere que os resultados do estudo possam ser explicados por outra teoria. As pessoas sem acesso à internet têm mais chances de ter meios econômicos limitados — vale lembrar que os entrevistados sem internet também tinham mais probabilidade de não ter acesso a água encanada em suas casas —, fato que pode levá-las a preferir mulheres mais pesadas.

“Nossos resultados condizem com estudos anteriores que descobriram que corpos mais pesados são considerados mais atraentes em áreas mais pobres e rurais”, disse Batres no comunicado. “Quando a receita e o acesso a alimentos são incertos, as mulheres mais pesadas podem estar mais bem equipadas para sobreviver e se reproduzir. Logo, a preferência por mulheres mais pesadas pode ser adaptativa.”

O estudo foi publicado online em 9 de julho no periódico PLOSONE.

(De Macrina Cooper-White)

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