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Cooperativas do agro dobram receita, mas enfrentam teste com margens menores

Receita das cooperativas cresce 103% nos últimos cinco anos, mas margens apertadas e El Niño levantam dúvidas sobre setor em 2026

Cooxupé, em Minas Gerais: cooperativa oferece insumos, assistência técnica, armazenagem e acesso ao mercado internacional (Cooxupé/Divulgação)

Cooxupé, em Minas Gerais: cooperativa oferece insumos, assistência técnica, armazenagem e acesso ao mercado internacional (Cooxupé/Divulgação)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 27 de agosto de 2026 às 06h00.

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Quando um cafeicultor entrega sua produção à Cooxupé, maior cooperativa de café do mundo, com sede em Guaxupé (MG), a relação vai muito além da comercialização dos grãos.

A cooperativa também oferece insumos, assistência técnica, armazenagem e acesso ao mercado internacional.

O modelo, disseminado pelo agronegócio brasileiro, ajuda a explicar por que as cooperativas continuam ganhando escala. Para a safra 2026/27, porém, o cenário de margens mais apertadas e a perspectiva de um El Niño muito forte aumentam as incertezas para o setor.

A transformação aparece nos números do Anuário do Cooperativismo 2026. Entre 2020 e 2025, a receita das cooperativas agropecuárias saltou de 239,4 bilhões para 487,3 bilhões de reais, alta de 103,6%.

No mesmo período, as sobras distribuídas aos cooperados cresceram 201%, o número de associados avançou 13%, e o total de cooperativas aumentou apenas 7%, indicando ganho de escala.

A diversificação explica parte desse avanço. Hoje, 48,7% das cooperativas atuam com produtos vegetais, 45,1% também comercializam insumos, e 29,6% oferecem serviços, ampliando as fontes de receita.

“O propósito do cooperativismo é agregar valor”, diz Tania Zanella, presidente do Sistema Organização das Cooperativas do Brasil (OCB). Segundo ela, cerca de 70% da base do cooperativismo agro é formada por agricultores familiares.

Mas, se o crescimento vinha se mantendo nos últimos anos, 2026 abre espaço para dúvidas diante de margens mais apertadas para o produtor — a pior dos últimos 20 anos — e de um El Niño forte, que tem 95% de probabilidade de ocorrer a partir de outubro deste ano. A presidente da OCB evita projetar números, mas diz que a nova safra é uma das mais desafiadoras dos últimos anos.

“Estamos praticando um volume de produção alto, mas preços que não necessariamente são muito atrativos. Vamos ver se haverá crescimento ou não no ano que vem”, diz.

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