“Perdemos o bonde no Brasil”, diz Caio Koch-Weser

O vice-presidente do conselho do Deutsche Bank diz que a Alemanha perdeu oportunidades no país ao se voltar para o Leste Europeu

Nascido no Paraná, Caio Koch-Weser foi estudar na alemanha aos 17 anos e não voltou mais a viver no Brasil. Fez carreira no mercado financeiro, foi o segundo na hierarquia do Banco Mundial, trabalhou no Ministério das Finanças alemão e hoje é vice-presidente do conselho do Deutsche Bank. Koch-Weser falou a EXAME por telefone da Europa às vésperas de uma visita à sede do Deutsche Bank em São Paulo.

1) EXAME - A Alemanha já esteve entre os países que mais investem no Brasil. O Brasil perdeu apelo?

Caio Koch-Weser - Foi um erro ter diminuído os investimentos. Aproveitamos muito bem os anos JK e o milagre econômico, mas perdemos o bonde das privatizações e do crescimento da classe C. Estávamos muito concentrados na reunificação da Alemanha e no Leste Europeu. Mas as empresas alemãs sabem disso e vão voltar a investir no Brasil.

2) EXAME - A Europa é a região mais dependente do petróleo do Oriente Médio. O pré-sal brasileiro pode vir a ser uma alternativa?

Caio Koch-Weser - O Brasil tem imenso potencial para nos fornecer gás e petróleo. Mas não queremos trocar uma dependência por outra e estamos investindo em energia solar e eólica.

3) EXAME - O senhor acredita nas projeções que colocam o Brasil como uma das grandes economias nas próximas décadas?

Caio Koch-Weser - Os últimos 15 anos foram muito bons para o país, a classe média cresceu e está cada vez mais forte. O presidente Fernando Henrique Cardoso colocou a economia em ordem, Lula manteve a política econômica e arrumou a política social e agora Dilma tem tudo para atacar os problemas de competitividade. Se conseguir, o Brasil vai assumir de vez seu protagonismo no cenário mundial.

4) EXAME - Entre os países desenvolvidos, a Alemanha foi a que se recuperou mais rapidamente depois da crise. O que o país fez de diferente?

Caio Koch-Weser - A Alemanha teve um crescimento de 3,6% em 2010, a melhor performance desde a reunificação das duas Alemanhas, em 1990. O “superano” se deve a quatro fatores: a recuperação da economia mundial, a expansão monetária e fiscal na Europa, o ciclo de estoques depois da recessão e, finalmente, a volta dos investimentos que haviam sido adiados.

5) EXAME - E como a Alemanha conseguiu manter a taxa de desemprego abaixo dos 7% durante a crise?

Caio Koch-Weser - Nossas regras trabalhistas mudaram nos últimos dez anos. Quando a crise chegou, criamos os miniempregos — em vez de demitir seus funcionários, as empresas diminuíram os salários e as horas de trabalho. Enquanto os Estados Unidos viam seus empregos desaparecerem, mantivemos a força de trabalho ativa. Quando o mundo voltou a crescer, estávamos prontos para retomar a produção.

6) EXAME - Como conseguiram?

Caio Koch-Weser - Tem muito a ver com a sociedade alemã. Estamos mais dispostos a abrir mão de privilégios para garantir o emprego.

7) EXAME - A Alemanha pode se dar ao luxo de não salvar as economias de Espanha, Irlanda, Grécia e Portugal?

Caio Koch-Weser - Não. Somos uma máquina de exportar, e o mercado único nos fortalece. Agora, esses países precisam fazer reformas. É necessário aumentar a competitividade, acabar com a inde­xação do salário, aumentar a idade para aposentadoria...

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