A capacidade de aprender será essencial na vida pós-pandemia

Este momento histórico não é o futuro. É a primeira grande ruptura

Eis aqui um conselho relevante para ter em mente na interminável pandemia. Procure não se apegar a esta realidade acreditando na ideia, precocemente surrada, do “novo normal”. 

Olhe para você, trancafiado na sua casa por mais de seis meses, para os quadradinhos na tela do computador nas videoconferências com seus colegas, e se pergunte: o que há de normal neste novo? Estamos vivendo o “novo anormal”, uma fase de transição. É um momento histórico. Mas não é o futuro. É só a primeira grande ruptura (disrupção, se quiser parecer moderno). Outras virão. Você provavelmente precisa de um squad para lidar com o presente. O hoje e o amanhã. E de outro squad para construir futuros. O dia depois de amanhã. Inovação abre um mundo de oportunidades para empresas dos mais variados setores. Veja como, no curso Inovação na Prática

Um bom modelo para ambos são os Mythbusters, Os Caçadores de Mitos, do programa de televisão. Depois de quase uma década pesquisando as inovações na tríplice fronteira entre trabalho, pessoas e tecnologias, me incomodo com alguns mitos que surgiram muito rapidamente neste período de distanciamento social. Por exemplo, essa ideia de que a pandemia veio para criar um novo mundo do trabalho, muito mais flexível e, portanto, muito melhor para todo mundo. É um mito ofensivo.

A covid-19 é uma doença gravíssima, que está causando a maior crise mundial de saúde pública em um século. Vai causar a maior recessão global desde a Grande Depressão, em 1929. O saldo vai ser negativo, e o desafio para todo profissional ­— e para todo gestor de pessoas — é encontrar soluções para minimizar o impacto ruim da pandemia no presente e se preparar para construir um futuro melhor.

A pandemia não cria nada de positivo por si só. O que ela faz é acelerar uma série de tendências que já estavam em curso. Inclusive no mundo do trabalho. Nesse sentido, a pandemia é uma aceleradora de partículas comportamentais. E o nosso desafio é acelerar na direção certa, pois, quando aumenta a velocidade da mudança, crescem os riscos e oportunidades. 

Outro mito é o de que o home office veio para nos redimir dessa velharia que é o trabalho nos escritórios, e de que a vida vai melhorar para todos os profissionais e para todas as empresas. Esta é uma meia verdade. O home office veio para ficar, e vai melhorar a vida de um certo tipo de profissional, em um certo tipo de empresa. Pode ser bom e ruim ao mesmo tempo. Por exemplo, as pesquisas mostram, há mais de uma década, que trabalhar de casa aumenta a produtividade. A pandemia está demonstrando isso em um experimento global que acelerou brutalmente essa percepção. Mas as pesquisas mostram ainda que o home office derruba a criatividade.

A inovação nasce do choque de ideias, natural em ambientes físicos. Outro efeito colateral é o aumento do risco de burnout, um estresse tão profundo que pode incapacitar as pessoas de continuar trabalhando. Em casa, com menos limites entre trabalho e lazer, o burnout é mais provável — e esse risco precisa ser gerenciado. Daí a inversão observada nos últimos meses. Funcionário reclamando de home office; empresário apostando no trabalho remoto: que alívio reduzir o aluguel do escritório! 

Esses são dois entre muitos exemplos de que é um engano pensar que existe uma solução única, natural, que vai servir para todas as pessoas, todos os times e todas as empresas. Por isso a urgência de aceitar a realidade incerta do momento e tratá-la como oportunidade para um reboot personalizado no sistema operacional de seu negócio. O primeiro de muitos. 

As coisas vão ficar estranhas (de novo) com a entrada das máquinas inteligentes nos escritórios. Uma das siglas-chave deste século é RPA (robotic process automation), uma tecnologia que permite às empresas configurar um software (“robô”) para capturar e interpretar dados para processamento de uma transação, como uma pessoa. Como regra, o que o usuário faz o robô faz igual. A robótica está mudando o jogo da TI nas empresas. RPAs podem ser aplicados em operações manuais, repetitivas, com bases de dados digitais e direcionadas por regras. Exemplos? Serviços de RH, de tecnologia da informação, finanças e contabilidade.

Com RPAs à solta, gestores vão ter de se acostumar a trocar gente por robôs. Criar times mistos, com gente e robôs. Vão ter de administrar robôs. E os robôs gestores de robôs. Mas como, diabos, lidar com pandemias e tecnologias? Enfrentar vírus e acolher robôs? 

Aprendizagem ágil é uma boa aposta. Mapear ininterruptamente o que é preciso aprender, encontrar o conteúdo, as pessoas (profetas e professores, palestrantes e escritores, facilitadores e treinadores) e as plataformas para absorver novos conceitos do modo mais rápido e efetivo. Além de “desaprender” o que ficou obsoleto, para liberar capacidade em nossa memória (evidente que não funciona literalmente assim) e iniciar o ciclo de novo.

O que sei hoje vai se desatualizar algumas vezes nos próximos meses e anos, e isso tem de ser natural. Então, o aprendizado tem de ser marcado pelo desprendimento, mas com uma atitude de sempre tentar entender qual o conjunto de habilidades que já tenho, e que têm o seu valor, e quais devem ser adicionadas. Curadoria vai ser chave para isso. Própria e terceirizada. Humana e automatizada. 

Isso, e o espírito de eterno aprendiz. Aceitando realidades difíceis, sem apegar-se a elas.  

 (Divulgação/Divulgação)

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