Como o Facebook se tornou o maior eleitor de Trump nos EUA

Por que o Facebook precisa de Donald Trump na Casa Branca muito mais do que Trump precisa do Facebook

No fim de 2019, em uma das diversas viagens de Mark Zuckerberg a Washington para defender o Facebook diante do Congresso, ele parou para um jantar particular com Donald Trump e levou ao presidente uma estatística empolgante. “Gostaria de congratulá-lo”, disse Zuckerberg. “Você é o número 1 no Facebook.”

Pelo menos essa foi a história contada por Trump em janeiro, no programa de rádio de Rush Limbaugh­ (comentarista político conservador). Trump não é o político com o maior número de seguidores no Facebook. Esse seria o ex-presidente Barack Obama.

Porém, como o criador de notícias mais poderoso do país e a pessoa no comando de um governo que tem dado seguimento a processos antitruste contra grandes empresas de tecnologia, ele de fato tem influência sobre Zuckerberg. Portanto, o executivo-chefe poderia ser perdoado por bajular Trump. Qualquer momento em que o presidente está contente com o Facebook é um momento em que ele não está levando adiante regras hostis — ou, mais provável, atean­do fogo a um ciclo de más notícias.

O Facebook se recusou a comentar se Zuckerberg de fato disse a Trump que ele era o número um e, caso o tenha feito, a que categoria o CEO se referia, mas é taxativo em dizer que o fundador da empresa não tem favoritos.

Depois de o The New York Times especular que o jantar talvez envolvesse um acordo sobre a possibilidade de o Facebook checar a veracidade de afirmações do presidente, Zuckerberg disse que só passou na Casa Branca porque estava na cidade. “A história toda de acordo é bastante ridícula”, disse Zuckerberg ao site Axios em julho.

 (Arte/Exame)

Atuais e ex-empregados de longa data do Facebook dizem que essa negação pode ser um tanto enganosa. Zuckerberg não é facilmente influenciado por política. Mas o que importa para ele — talvez mais do que qualquer coisa — é a onipresença do Facebook e seu potencial de crescimento.

O resultado, dizem os críticos, tem sido uma aliança de ocasião entre a maior rede social do mundo e a Casa Branca, na qual o Facebook faz vista grossa enquanto Trump espalha desinformações sobre o processo eleitoral que podem deslegitimar o vencedor ou até mesmo mudar o rumo da eleição.

“O Facebook, muito mais do que outras plataformas, tem feito de tudo e mais um pouco para não criar dor de cabeça para o governo atual”, diz Jesse Lehrich,­ cofundador da Accountable Tech, organização que faz recomendações para empresas de tecnologia em temas de políticas públicas. “Na melhor das hipóteses, pode-se dizer que é um caso de negligência voluntária.” 

O padrão não se restringe à política americana. Em agosto, um executivo do Facebook na Índia foi acusado de conceder tratamento especial a um parlamentar do partido Bharatiya Janata (da base do primeiro-ministro, Narendra Modi) que defendeu violência contra imigrantes muçulmanos rohingya. (Só depois que o Wall Street Journal publicou uma reportagem sobre os posts é que a empresa baniu o legislador, T. Raja Singh.)

Um memorando de uma ex-funcionária, publicado pelo BuzzFeed em 14 de setembro, detalhava como o Facebook havia ignorado ou adiado atitudes contra governos que usavam contas falsas para enganar seus cidadãos. “Tenho sangue nas mãos”, escreveu ela.

“Pode-se ver continuamente o desafio que eles têm de tentar cumprir esses princípios grandiosos em torno da liberdade de expressão e de impedir prejuízos e, em seguida, de combinar isso com a ­realpolitik de tentar manter o Executivo satisfeito”, disse Alex Stamos, ex-diretor-chefe de segurança do Facebook, em conferência em junho.

Executivos do Facebook dizem que a única lealdade que têm é com o livre discurso. “A ideia de que haja um viés político sistemático ou deliberado em nossas decisões não é algo que me pareça fundamentado em fatos”, diz Nick Clegg, diretor de política e comunicações. “Sem dúvida, há casos isolados.”

 (Arte/Exame/Exame Hoje)

Executivos do Facebook geralmente destacam que a empresa era vista como bastante próxima dos democratas durante o governo Obama e que também recebe muitas críticas da direita. No verão de 2016 (ou seja, poucos meses antes das eleições), o site de tecnologia Gizmodo escreveu que a empresa vinha orientando seus funcionários para ocultar páginas pró-Trump em sua seção de notícias em alta.

A história gerou um escândalo sobre um suposto viés anticonservador nas empresas de mídias sociais e em resposta o Facebook começou a guinada para a direita. A empresa trouxe de avião comentaristas conservadores para sua sede em Menlo Park (Califórnia) para assegurar-lhes que não havia razão para se preocuparem com o modo como o Facebook agia.

O namoro continuou após o dia da eleição, enquanto o Facebook comemorava a vitória de Trump. Em janeiro de 2017, a empresa co-hospedou uma festa de inauguração com o (site de direita) Daily Caller, que vem publicando autores que têm adotado visões de supremacistas brancos. Os limões nas bebidas servidas eram estampados com logos do Facebook.

Um relatório interno mais ou menos da mesma época elogiava a estratégia superior de Trump com os anúncios do Facebook, destacando que o republicano seguiu os conselhos e treinamento da empresa rejeitados por sua adversária, Hillary Clinton. Trump “foi eleito porque fez a melhor campanha digital que eu já vi de qualquer outro anunciante. Ponto final”, escreveu Andrew Bosworth, que hoje toca os esforços da empresa em realidade aumentada e virtual e era diretor de anúncios naquela época, em um memorando enviado em 2018 aos funcionários.

A ala mais progressista do Facebook entendia o fortalecimento dos laços republicanos da empresa como o preço de fazer negócios, mas, à medida que a companhia passou a ser exposta a uma análise mais atenta do público — sobre a propagação de desinformação eleitoral pela Rússia, assim como pelo fracasso da empresa em parar a operação de coleta de dados da Cambridge Analytica —, algo mudou.

No baixo escalão, e até mesmo entre executivos mais acima, a mudança foi de rancorosa admiração profissional por Trump a uma percepção de que ele estava usando o Facebook para atacar vários dos temas com os quais os funcionários se preocupam.

Durante as audiências de confirmação de Brett Kavanaugh para a Suprema Corte, ocasião em que Kavanaugh foi acusado de abuso sexual, o diretor de políticas do Facebook, Joel Kaplan, foi visto sentado logo atrás do indicado, um amigo próximo. Os dias seguintes, segundo diversos empregados do Facebook, marcaram a primeira vez que eles viram colegas chorando abertamente nas sessões semanais de perguntas e respostas abertas de Zuckerberg.

Após as audiências com Kavanaugh, funcionários começaram a notar que Kaplan, ex-vice-diretor de gabinete de George W. Bush, parecia mais preocupado com as críticas de viés feitas pelos conservadores do que pelos liberais. Dados internos do Facebook mostravam que as vozes conservadoras são consistentemente as mais populares no site. (Em uma segunda-feira recente, os dez principais posts do Facebook, em número de interações – como curtidas, compartilhamentos e comentários –, incluíam oito de especialistas ou veículos conservadores, um de Ivanka Trump e um da National Public Radio.)

Em 2019, porém, sob pressão do mesmo grupo que visitara o Facebook antes da eleição de Trump, Kaplan ordenou um estudo independente de um ano que concluiu o contrário. “Ainda há um trabalho significativo para ser feito para resolver os problemas que ouvimos dos conservadores”, disse o documento.

Historicamente, o Facebook vinha concedendo aos executivos a cargo dos produtos da empresa uma imensa autonomia na tomada de decisão, mas de uma hora para a outra o time de políticas da empresa pareceu ganhar poder de veto.

Em janeiro de 2018, Zuckerberg solicitou uma redução da predominância de notícias nas atualizações dos usuários, especialmente dos veículos incendiários e pouco confiáveis. O time de produtos mexeu no feed de notícias, mas integrantes da equipe de Kaplan revisaram as simulações de teste.

Eles notaram que a mudança no produto estava causando uma queda mais severa no tráfego de veículos de direita, como Fox News e Breitbart News, de acordo com uma fonte a par do assunto que falou à Bloomberg Businessweek sob condição de anonimato. Sem dúvida, isso aconteceu porque a Fox e o ­Breitbart tendem a publicar conteúdo mais incendiário — é famosa a história de que o Breitbart por algum tempo teve uma seção “crime negro” no site.

Assim, os engenheiros receberam ordens de mexer um pouco mais no algoritmo até que ele passasse a punir veículos progressistas tanto quanto conservadores antes de liberar a atua­lização para 2,5 bilhões de usuários. 

A Fox manteve sua posição como maior veículo no Facebook. Este tipo de revisão não era incomum, dizem empregados. Frequentemente o time de políticas investigava se as mudanças afetavam veículos de direita, ao mesmo tempo em que pareciam menos preocupados com os efeitos nas publicações mais à esquerda. Um porta-voz do Facebook nega que o recuo de Kaplan tenha sido partidário e diz que o algoritmo não foi modificado como resultado de pressões dele.

À medida que os empregados começaram a se preocupar com a proximidade do Facebook com a direita, o Time M do Facebook (M de Management – Gestão, em inglês) pareceu disposto a empurrar a empresa para ainda mais perto dela. Em determinado momento, o grupo voou para Nova York para um encontro externo com lideranças no quartel-general da News Corp, que, assim como a Fox News, é controlada por Rupert Murdoch e sua família. Um executivo, o cofundador do Instagram Kevin Systrom (que deixou a empresa em 2018), se recusou a participar, alegando a influência polarizadora da Fox, segundo uma fonte que acompanhou o episódio. A empresa diz ter encontros regulares com veículos de mídia. Systrom não respondeu a um pedido de entrevista.

Eventualmente, Trump passou dos limites. Nas primeiras horas da manhã de 29 de maio, ele postou uma mensagem para seus 29,5 milhões de seguidores no Facebook alertando os manifestantes de Mineápolis de que eles corriam o risco de sofrer uma reação violenta. “Quando começam os saques, começam os disparos”, escreveu o presidente. A frase há tempos tem sido associada à brutalidade policial. Ameaça semelhante foi usada pelo candidato presidencial segregacionista George Wallace.

Trump dissera a mesma coisa no Twitter, que rapidamente ocultou o post, afirmando que ele violava as regras sobre glorificar a violência. ­Zuckerberg esperou, deixando o post no ar por horas enquanto consultava seus principais comandantes. A chefe de Operações, Sheryl Sandberg, Kaplan e Clegg deram suas opiniões. O mesmo fez Maxine Williams, diretora de diversidade da empresa. E então, naquela tarde, outra figura bastante influente deu as caras: o próprio presidente, pelo telefone. Posteriormente, Zuckerberg afirmaria que disse a Trump que discordava do post e que o achava desnecessário. Porém, crucialmente, Zuckerberg também achava que o post não violava as regras do Facebook.

O post de Trump continuou no ar no Facebook, gerando uma greve virtual. Funcionários começaram a criticar Zuckerberg abertamente e a vazar documentos para a imprensa. “Mark está errado”, tuitou Ryan Freitas, diretor de design de produtos para o feed de notícias, “e eu vou me empenhar do modo mais barulhento possível para ele mudar de ideia”.

Uma enxurrada de histórias apareceu nos dois meses seguintes, detalhando casos que reforçavam as suspeitas sobre a aliança Facebook-Trump. Por exemplo, veículos de notícias reportaram que o presidente não possuía nenhuma hashtag negativa associada ao nome dele no Instagram, enquanto Joe Biden tinha diversas; que um empregado do Facebook foi demitido após reclamar que a empresa parecia estar permitindo que comentaristas de direita, como Diamond and Silk, quebrassem regras contra desinformação; e que uma investigação sobre Ben Shapiro, cujo site Daily Wire frequentemente quebrava as regras para aumentar sua audiência, foi abafada pelo time de política de Kaplan.

Funcionários também notaram uma diferença entre a relação de Zuckerberg com Trump comparadas às interações do CEO com o adversário democrata de Trump. Em carta de 29 de junho a Clegg, a diretora de campanha de Biden, Jen O’Malley Dillon, indicou três ocasiões em que acreditava que Trump havia compartilhado desinformação eleitoral e perguntava se o Facebook iria “aplicar suas políticas de modo imparcial”.

Em outra carta em 10 de julho, a consultora-geral da campanha Dana Remus acusou o Facebook de hipocrisia. “As atitudes da sua empresa falham em estar à altura dos compromissos defendidos publicamente”, escreveu ela. Zuckerberg não havia falado com Biden o ano inteiro.

Após o post sobre saques e tiros, o time de política do Facebook contatou a Casa Branca para explicar o processo da empresa, o que gerou o telefonema de Trump. Durante o atraso, o post teve milhões de visualizações. Quase na mesma época, Biden postou uma carta aberta pedindo ao Facebook que estancasse a onda de desinformação. A empresa reagiu em público.

“Os representantes eleitos pelo povo deveriam definir as regras, e nós as seguiremos”, disse a empresa em um post no blog do Facebook. “Há uma eleição em novembro, e nós vamos proteger o discurso político, mesmo que discordemos profundamente dele.” A mensagem foi clara: nós ouvimos o governo da vez.

 (Arte/Exame)

A essa altura, os fracassos do Facebook na eleição de 2016 já são conhecidos. Um grupo apoiado pelo governo russo usou os produtos da rede social para promover Trump e difamar Hillary Clinton, segundo um relatório divulgado pelo procurador especial, Robert Mueller.

Por exemplo, agentes russos criaram contas falsas mirando eleitores negros, considerados parte essencial da base eleitoral de Hillary. Eles disseram às pessoas que seguiam aqueles perfis que elas não deveriam se preocupar em votar ou que deveriam votar por mensagem de texto, o que não é possível. Ao todo, os posts russos chegaram a mais de 150 milhões de americanos.

O trabalho de desenterrar conteúdo falso criado por governos de outros países está nas mãos dos times de integridade eleitoral e de cibersegurança do Facebook, que são separados dos times de política e, em tese, apartidários.

O Facebook está melhorando parcialmente em localizar essas campanhas. Só no último ano, a plataforma removeu 50 redes de contas como as russas de 2016. Porém, alguns ex-funcionários têm reclamado que foram ignorados por causa de questões políticas.

Em 2018, Yaël Eisenstat, ex-agente de inteligência da CIA, trabalhou em um plano para utilizar programas que escaneassem anúncios em busca de linguagem com informações falsas sobre procedimentos de votação. A proposta foi rejeitada, segundo ouviu Eisenstat,­ porque o problema não era urgente o suficiente. Eisenstat deixou a empresa em novembro daquele ano.

No ano seguinte, o Facebook de fato criou regras que proibiam dar às pessoas informações incorretas sobre como votar, mas a empresa colocou isso na geladeira quando Trump efetivamente pôs essa política à prova. Em 20 de maio, uma semana antes do post sobre saques-e-tiros, o presidente afirmou que autoridades em Michigan e Nevada estavam enviando cédulas de votação ilegalmente, o que não era verdade. Alguns dias depois, em 26 de maio, Trump postou que a Califórnia estava enviando cédulas a “qualquer um que vivesse no estado”, outra mentira.

Os posts continuaram no ar, e Zuckerberg foi à Fox News criticar o Twitter, que havia checado a veracidade de posts semelhantes. Um auditor de direitos civis externos concluiu posteriormente que o Facebook deixou de reforçar suas próprias políticas nos dois casos.

Em vez disso, Zuckerberg apareceu com algo novo – chamado por ele de “a maior campanha de informação eleitoral da história americana”, um plano para cadastrar 4 milhões de eleitores. O Facebook também criou um “centro de informações eleitorais”, uma página com dados sobre a eleição compilados com informações de autoridades estaduais.

A rede social vinha promovendo a página no topo dos feeds do Facebook e Instagram de todos os usuários, além de incluir um link em cada post do serviço mencionando o processo eleitoral. A página “garante que as pessoas possam ver o post e ouvir de seus representantes eleitos, tanto boas quanto más notícias, mas também oferece contexto preciso sobre o que os especialistas estão dizendo”, disse em agosto a repórteres Nathaniel Gleicher, diretor de cibersegurança do Facebook.

Porém os links abaixo dos posts cada vez mais frequentes de Trump sobre a eleição não alertam os usuários do Facebook caso a informação seja inverídica – eles apenas alertam sobre o centro de informação.

Não só isso, após reclamações de republicanos sobre os esforços de cadastramento de eleitores, o Facebook pareceu recuar ainda mais, segundo e-mails obtidos pelo Projeto de Transparência em Tecnologia (Tech Transparency Project). A empresa havia planejado veicular durante todo o feriado de 4 de julho uma campanha de divulgação da iniciativa no Facebook, Instagram e Messenger, mas limitou tudo a um aviso de um único dia e apenas no Facebook.

O Facebook diz que a sugestão de que a empresa diminuiu seus planos de cadastro de eleitores por razões políticas é “fabricação pura”. Outro porta-voz, respondendo a um usuário no Twitter que insinuou o mesmo, enviou uma foto de uma mulher com um chapéu de alumínio (referência à teoria da conspiração que diz que chapéus de alumínio previnem controle mental por satélites do governo).

A empresa, é claro, sabe muita coisa sobre teóricos da conspiração, que prosperam no site. Há o QAnon, movimento de extrema-direita que adota uma teoria complexa envolvendo uma cabala de elites envolvida em tráfico sexual de crianças. O FBI classificou o grupo como uma forma de terrorismo doméstico em agosto de 2019, mas o Facebook só começou a remover contas ligadas ao QAnon em maio.

Inicialmente, a empresa também ignorou posts ligados a certa milícia de Kenosha (Wisconsin) em que usuários debatiam atirar em manifestantes do Black Lives Matter. A página do evento da milícia foi denunciada mais de 400 vezes, mas os moderadores permitiram que continuasse no ar, segundo o BuzzFeed. Pouco depois de os posts começarem a aparecer, um adolescente de 17 anos com um rifle de assalto matou duas pessoas em um protesto na cidade.

Mesmo enquanto funcionários acusavam o Facebook de colaborar com os esforços de reeleição de Trump, o governo manteve a pressão sobre a empresa. No fim de maio, o presidente assinou um decreto ameaçando revogar a imunidade desfrutada por empresas de redes sociais, inclusive o Facebook, protegidas pela Seção 230 da Lei de Decência em Comunicações de 1996, se demonstrassem viés político. A ordem foi uma aparente ameaça a redes sociais que censuraram posts de Trump e seus aliados. 

Até agora as ameaças de Trump não se materializaram em nada paralisante – ao menos não para o Facebook. O Departamento de Justiça americano está preparando um processo contra o principal adversário da rede social, o Google, que espera apresentar antes do dia da eleição. Enquanto isso, Trump está forçando outro competidor-chave do Facebook, a empresa chinesa TikTok, a encontrar um comprador americano ou encarar uma expulsão do país.

Até aqui, a boa relação cultivada de Trump por Zuckerberg parece ter mantido o Facebook a salvo da ira presidencial. Porém, Trump está cerca de 10 pontos atrás na disputa eleitoral e é provável que um eventual governo Biden busque regulamentar o Facebook. Em julho, Zuckerberg obteve uma prévia da cartilha democrata quando encarou o subcomitê antitruste do Congresso, juntamente com os outros principais executivos de empresas de tecnologia. 

As perguntas dos parlamentares para ele foram precisas, acusatórias e baseadas em milhares de e-mails internos e registros de conversas que pareciam sugerir um caminho para os reguladores argumentarem que a empresa deveria ser desmembrada ou punida de alguma maneira.

“Todas essas empresas se envolvem em comportamento profundamente perturbador e exigem que o Congresso tome uma atitude”, afirmou David Cicilline, parlamentar de Rhode Island e diretor do painel, à Bloomberg em agosto, no mesmo dia que as ações do Facebook tiveram alta recorde. Ele se disse particularmente incomodado com o “modo casual” como Zuckerberg admitiu ter comprado o Instagram e o Whats­App para eliminá-los como competidores. O Facebook questiona a declaração de Cicilline e diz que nenhuma das aquisições prejudicou a competição.

Biden, por sua vez, tem dito que é a favor de remover as proteções da Seção 230 e responsabilizar pessoalmente os executivos. “Nunca fui um grande fã de Zuckerberg”, disse ele ao The New York Times em janeiro. Zuckerberg parece bastante ciente dos riscos de uma derrota de Trump. Ele tem dito a funcionários que é provável que o Facebook se saia melhor com os republicanos, segundo fontes que tiveram conhecimento dessas conversas.

Não quer dizer que o Facebook não se adapte caso Biden vença. Em junho, Zuckerberg anunciou a recontratação de Chris Cox, ex-diretor-chefe de produtos, que esteve ativo na política democrata desde que saiu do Facebook no ano passado. Cox é considerado por muitos o mais provável candidato a CEO se o fundador do Facebook algum dia deixar o cargo. “Nada será o mesmo, sem dúvida”, disse Clegg, o VP de comunicações, quando questionado de que modo o Facebook se adequaria a um governo Biden. “Nós nos adaptaremos ao ambiente em que estamos.”

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