Revista Exame

O limite do boca a boca

Fundador da Petz mostra como uma empresa familiar pode voltar a crescer sem depender de indicações

Choque de Gestão: Sergio Zimerman durante mentoria com sócios da Delínea (Leandro Fonseca/Exame)

Choque de Gestão: Sergio Zimerman durante mentoria com sócios da Delínea (Leandro Fonseca/Exame)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 25 de junho de 2026 às 06h00.

Última atualização em 25 de junho de 2026 às 09h40.

Toda empresa sonha em construir uma marca capaz de crescer por indicação. Poucas percebem o momento em que essa vantagem começa a se transformar em limite.

Foi esse o diagnóstico apresentado por Sergio Zimerman à Delínea, empresa familiar de cortinas e persianas da Zona Sul de São Paulo. No Choque de Gestão, o fundador da Petz argumenta que a reputação construída ao longo de quase duas décadas garantiu estabilidade ao negócio, mas já não é suficiente para impulsionar uma nova fase de crescimento.

Hoje na segunda geração, a Delínea é comandada pelo casal Taniceli Meira e Diego Santos, ao lado de dois primos. A empresa realiza cerca de 100 projetos por mês e construiu uma base sólida de clientes apoiada principalmente na indicação. O problema surgiu quando os sócios perceberam que o crescimento havia desacelerado.

Para Zimerman, a explicação está em uma confusão comum entre empresários. Estabilidade e crescimento não são a mesma coisa. O boca a boca é um sinal de qualidade, mostra que o cliente ficou satisfeito e recomenda o serviço, mas dificilmente cria demanda nova em escala. Em algum momento, o fluxo de indicações deixa de ser suficiente para sustentar uma nova etapa de expansão.

Na visão do fundador da Petz, esperar a crise chegar para agir aumenta os riscos. Empresas saudáveis têm mais espaço para testar estratégias, corrigir erros e investir em novos caminhos sem comprometer a operação.

Para a Delínea, isso significa ampliar a presença digital e tornar a marca mais visível para consumidores que ainda não conhecem o negócio. A reputação construída ao longo de 19 anos continua sendo um dos maiores ativos da empresa. Mas, para crescer, será preciso ir além dela.


Lições de Sergio Zimerman para empresas de serviço

  1. Não confunda estabilidade com crescimento
    Um negócio pode funcionar bem e ainda assim estar distante do seu potencial de expansão.
  2. O boca a boca tem limite
    A indicação valida a qualidade do serviço, mas não substitui a geração constante de novos clientes.
  3. O melhor momento para mudar é quando tudo vai bem
    Empresas saudáveis têm mais margem para testar estratégias e corrigir rotas.
  4. Quem não aparece perde espaço
    Se a marca não está visível para novos consumidores, concorrentes ocupam esse lugar.
  5. Crescer exige intenção
    Qualidade é condição necessária. Visibilidade e geração de demanda são indispensáveis para escalar.

Choque de Gestão

Neste projeto, pequenas e médias empresas com dores de crescimento recebem conselhos de grandes lideranças empresariais brasileiras. O resultado pode ser visto em episódios quinzenais no YouTube da EXAME.


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