Andréa Destri, sócia-fundadora da friendsBee
Redatora
Publicado em 5 de agosto de 2026 às 15h46.
Última atualização em 5 de agosto de 2026 às 16h25.
Quando Andréa Destri deixou o cargo de diretora de recursos humanos para abrir sua própria consultoria, ela levou um tempo para aprender a se apresentar sem o nome de uma empresa atrás do seu. "Andréa, de onde?", perguntavam. "Andréa de mim mesma", ela respondia, sem saber direito o que dizer em seguida. Nem a recepção sabia o que anotar.
A cena resume uma transição que levou 25 anos de carreira executiva a se transformar em uma consultoria de cultura integral e educação emocional. Sócia-fundadora da friendsBee, Destri hoje soma à consultoria assentos em comitês de pessoas e conselhos de empresas como o Grupo Luiz Höhl, Grupo Santa Maria e Neoenergia, integra a Comissão de Ética e Integridade do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), onde também ministra aulas para futuros conselheiros.
A primeira experiência profissional de Destri não teve nada de corporativo: ela foi professora primária em uma escola de comunidade no Rio de Janeiro por três anos.
"Aprendi bastante ali sobre comunicação, falar uma linguagem que as outras pessoas entendam", diz. Ainda na faculdade de administração, decidiu que queria trabalhar com pessoas, área que na época se chamava departamento pessoal.
Passou por indústria, seguros, telecomunicações e mercado financeiro, motivo pelo qual trocou o Rio por São Paulo há 22 anos para ingressar no Banco Real, onde relata ter sido uma verdadeira escola. Assim seguiu sua carreira executiva até que um diagnóstico interrompeu a rotina.
Em 2017, um câncer parou a carreira executiva. "Eu comecei a pensar, eu estou fazendo tudo o que eu quero na minha vida? Eu estou dando o meu melhor para o mundo?", diz. A resposta a levou a repensar a frase que segue há anos, ligada à filosofia budista: não bastava ser a mudança que queria ver no mundo, era preciso influenciar diretamente essa mudança.
A friendsBee nasceu dali, em 2018, sem que ela soubesse, a princípio, que estava criando uma startup. "Eu li a chamada do BNDES Garagem, para o 1o programa de aceleração que estavam promovendo e pensei: Eu acho que eu tenho uma startup", diz. A inscrição foi feita no último dia do prazo e a empresa foi aprovada entre mais de 5.500 candidatas.
Paralelamente à startup, Destri buscou formação para sentar em conselhos. Em 2019, entrou na turma 5 do programa da Saint Paul Escola de Negócios voltado a mulheres na governança, hoje conhecido como ABP-W,Advanced Boardroom Program for Women, da Saint Paul. A escolha não foi pelo recorte de gênero, diz, mas pela carga horária e pela profundidade do conteúdo.
"Esse programa é parrudo, é robusto", diz. Na época, ouviu de colegas que a área de RH não costumava ocupar espaço em conselhos.
O módulo internacional do curso aconteceu na London School of Economics (LSE), com o tema Mulheres na Governança, ao longo de cinco dias. A turma testemunhou de perto o período do Brexit.
A friendsBee também mudou de forma ao longo do tempo. Inicialmente voltada a programas de saúde emocional e desenvolvimento de liderança, como o "Humanize-se", a consultoria passou a atuar no que Destri chama de cultura integral: não apenas o desenvolvimento individual dos profissionais, mas no design da cultura e nos processos organizacionais que sustentam os valores declarados por uma empresa.
Andréa Destri, sócia-fundadora da friendsBee
"Se você diz que confiança é um dos seus valores, como é a alçada de autonomia para essas pessoas?", diz.
O mantra que resume a tese da consultoria, segundo ela, é direto: quem está bem faz o bem, quem está bem trabalha bem.
Hoje, Destri atua como especialista em cultura no Grupo Luiz Höhl, coordena o comitê de pessoas do Grupo Santa Maria, é professora do IBGC e integra a Comissão de Ética e Integridade da instituição, além de atuar como conselheira fiscal na Neoenergia. É também coautora do livro Liderança Humanizada, publicado em junho pela Associação Brasileira de ESG.
Em agosto, participa como palestrante do CONARH, maior evento de recursos humanos da América Latina.
Ao olhar para os sete anos desde que entrou na Saint Paul, ela lê a resistência que ouviu no início como um sinal do que ainda precisa mudar nos conselhos. “Os conselhos precisam de pluralidade, não apenas de gênero, mas de expertise, e Pessoas é a origem, o meio e o fim de cada negócio", diz.