Revista Exame

O bem-estar que escala: hotel de luxo em São Paulo adota escala 5x2

O Palácio Tangará contratou 27 novos profissionais para que todos os funcionários possam ter duas folgas na semana

Celso Valle, diretor-geral do Palácio Tangará: “Qualidade de serviço não se compra pronta. É construída com um time motivado e estável” (Leandro Fonseca /Exame)

Celso Valle, diretor-geral do Palácio Tangará: “Qualidade de serviço não se compra pronta. É construída com um time motivado e estável” (Leandro Fonseca /Exame)

Publicado em 27 de fevereiro de 2026 às 06h00.

Última atualização em 27 de fevereiro de 2026 às 07h29.

Em um setor conhecido por jornadas longas e fins de semana cheios, o Palácio Tangará, hotel de luxo em São Paulo, decidiu testar um caminho menos óbvio: reorganizar toda a operação para que mais gente pudesse folgar dois dias por semana. Desde setembro de 2025, o hotel adotou a escala 5x2 (cinco dias de trabalho seguidos de dois de descanso) em todas as áreas operacionais. A mudança não veio de graça: para colocar o novo modelo de pé, a empresa precisou reforçar a equipe e redesenhar como distribui o time pelos turnos mais críticos, como noites, sábados e domingos. Ao todo, o Palácio Tangará investiu cerca de 1,8 milhão de reais em contratações e trouxe 27 novos profissionais para garantir o esquema 5 × 2 sem reduzir a cobertura nos horários de pico. O pacote incluiu ainda a redução da carga semanal de trabalho de 44 para 42 horas, sem corte salarial — o que, na prática, representa aproximadamente um dia de folga a mais por mês. É uma conta sensível em qualquer hotel, sobretudo para o braço de hotelaria de luxo do grupo alemão Dr. Oetker, holding familiar com quase 150 anos.

“A produtividade aumenta, a rotatividade diminui e a satisfação do time é visível no dia a dia”, diz Celso Valle, diretor-geral do Palácio Tangará. A aposta é que a previsibilidade da escala, somada ao descanso extra, funcione como técnica de retenção num mercado em que a troca de empregos é frequente. Em uma pesquisa recente de clima, 87% dos funcionários declararam alto nível de satisfação, e cerca de 97% dos comentários espontâneos de hóspedes mencionam o atendimento como diferencial do hotel. Para a gestão, esses indicadores funcionam como termômetro para avaliar se o aumento estrutural de custos com pessoal está, de fato, se traduzindo em uma experiência melhor para o cliente. Para 2026, o cenário combina cautela e otimismo. Feriados prolongados, eleições e Copa do Mundo podem afetar a demanda corporativa, embora o turismo de lazer possa se beneficiar. A expectativa é de crescer cerca de 10% no resultado anual, apoiado em ocupação consistente e no tíquete médio — hoje, a diária gira em torno de 3.800 reais.


O QUE ESTÁ EM PAUTA?

O Congresso debate diferentes formas de organizar a jornada de trabalho, e a escala 6 × 1 pode ser extinta até o final do ano. Cada modelo (5 × 2, 4 × 3 ou 3 × 2) propõe uma forma alternativa de distribuir as horas trabalhadas. Por enquanto, o desafio está em equilibrar custos e garantir um impacto mínimo na economia. Uma mudança como essa também exigiria alterações na Constituição, o que significa que a proposta precisa passar por um longo processo de tramitação.

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