Importação de cannabis medicinal cresce e mostra ser mais que uma onda

Facilitação de importação pela Anvisa aumentou a importação de um derivado da maconha sem propriedades psicotrópicas e criou um mercado sem crise
 (George Peters/Getty Images)
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Victor SenaPublicado em 13/05/2021 às 05:45.

Em meio ao estigma, um mercado anda aquecido no Brasil: o de derivados medicinais de maconha, como o canabidiol, indicado para pacientes de ­doenças como ansiedade e dores crônicas, e sem propriedades psicotrópicas. Não é em farmácias, porém, que os pacientes vão achar os produtos, e sim em lojas virtuais abertas fora do Brasil e dedicadas a despachar os produtos para cá.

A importação de canabidiol está autorizada pela Anvisa, a agência de vigilância sanitária brasileira, desde 2015, mas o negócio só pegou no ano passado, com uma regra da Anvisa para simplificar a burocracia adua­neira.

Hoje, boa parte da papelada de importação pode ser preenchida online. O resultado: uma onda de importações de canabidiol. No ano passado, quase 16.000 brasileiros tiveram o aval da Anvisa para trazer a substância para cá — quase o dobro de 2019. 

Com o mercado brasileiro aquecido, sites estrangeiros com um pé em países com regras mais flexíveis para o plantio de maconha, como Canadá, Estados Unidos e Uruguai, passaram a ofertar descontos exclusivos para clientes do Brasil. “Mais de 100 marcas já exportaram o derivado medicinal da maconha para cá”, diz ­Viviane Sedola, fundadora da Dr. ­Cannabis, um marketplace de lojas virtuais de canabidiol.

Tudo isso derrubou os preços. Segundo um levantamento da Dr. Cannabis, em um desses sites, nos últimos 12 meses o preço da dose de 3.000 miligramas de canabidiol, a dosagem com mais saída por ali, caiu pela metade — hoje, custa em média 589 reais. 

A venda do canabidiol deve crescer mais no Brasil por causa de outra decisão da Anvisa, do ano passado, liberando farmacêuticas do Brasil a importar a substância em grandes volumes e a vender o produto por aqui. Até agora, só a paranaense Prati-Donaduzzi e a americana ­Nunature tiveram o ok para vender o produto. Na fila de espera da agência estão outras dez farmacêuticas, entre elas Belcher, Verdemed e Nunesfarma.  

(Arte/Exame)


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