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Produção de laranja no Brasil deverá cair 13% — e o El Niño pode piorar o cenário

Setor da citricultura vive momentos de incerteza nesta safra

Laranja é colhida em Minas Gerais: estado é um dos principais produtores do Brasil, ao lado de São Paulo (Pedro Vilela/Getty Images)

Laranja é colhida em Minas Gerais: estado é um dos principais produtores do Brasil, ao lado de São Paulo (Pedro Vilela/Getty Images)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 27 de maio de 2026 às 06h00.

A primeira estimativa para a produção de laranja do Brasil na temporada 2026/27 não trouxe grandes surpresas para o setor: uma queda de 13% em relação à safra anterior, somando 255 milhões de caixas de 40,8 quilos, segundo projeção do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus).

A retração já era aguardada, dada a combinação de fatores que impactam diretamente a produtividade dos pomares. Mas outro número chama a atenção da cadeia produtiva da laranja para a nova safra: a taxa de queda dos frutos — o percentual de frutas que se desprendem da planta antes da colheita. Esse índice, que já vinha aumentando nos últimos anos, deverá atingir 23,7% na nova safra, o maior valor registrado desde 2016. Ou seja, cerca de 2,47 milhões de toneladas de frutas devem ser perdidas antes da colheita, se a taxa de queda se mantiver.

“A combinação de clima, greening e bienalidade — fenômeno natural que alterna safras boas e ruins — criou um cenário desafiador para a safra deste ano. Esperamos que o aumento do peso médio dos frutos e o crescimento do número de árvores produtivas compensem, parcialmente, a redução”, diz Guilherme Rodriguez, gestor da Pesquisa de Estimativa de Safra (PES) do Fundecitrus.

RELEMBRE: O puro suco da incerteza: como o clima ameaça a produção e a competitividade da laranja do Brasil 

Contudo, embora o greening continue sendo um dos maiores desafios para a produção, a projeção de um El Niño mais forte a partir do segundo semestre adiciona uma camada extra de incerteza à safra.

“Estamos acompanhando todas as previsões relacionadas ao El Niño, pois ele pode influenciar o peso dos frutos, o que diretamente impacta a produção de laranja,” diz Rodriguez. Com o clima imprevisível à vista, a indústria se prepara para a safra com cautela, embora o principal ponto de atenção seja a demanda.

“A demanda por suco de laranja continua 25% abaixo do esperado, reflexo dos altos preços registrados na safra anterior. Isso gerou uma retração nas compras,” afirma Ibiapaba Neto, diretor-executivo da CitrusBR, associação que representa os exportadores de sucos cítricos.

Segundo ele, a safra 2026/27 está alinhada com a projeção da demanda atual, mas não é uma safra abundante. “Com a retração da demanda e as incertezas do mercado, é improvável que a produção consiga acumular estoques. Não esperamos restrições severas, mas o mercado ainda precisará reagir,” diz.

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