Laura Dern e Will Arnett: casal do momento nos cinemas (Divulgação/Divulgação)
Publicado em 27 de fevereiro de 2026 às 06h00.
O que acontece quando a vida se resume a ser a metade de alguém? Quando um casamento sobrevive nas lembranças do que já foi e você se perde entre o que é a sua personalidade e a do parceiro com quem construiu uma família?
Essa questão existencial, motivo de divórcio entre tantos casais, é o pilar de Isso Ainda Está de Pé?, novo filme de Bradley Cooper na direção e estrelado por Laura Dern e Will Arnett, que também assina como roteirista.
A trama foca o fim do casamento de Alex e Tess Novak, moradores do subúrbio de Nova York e pais de dois filhos pequenos. Ela, ex-atleta de vôlei com uma carreira interrompida de forma precoce, não vê mais sentido em uma relação estagnada. Ele, preso ao passado, é o retrato do homem que viveu em função da família, sem hobbies ou sonhos, apenas um satélite do ambiente doméstico.
Quando a bolha entre eles estoura, Alex sai de casa e se vê à deriva em um novo apartamento, que soa como um oceano escuro e solitário. O bote salva-vidas surge quando ele, por acaso, inscreve-se em um bar de stand-up e usa o microfone para transformar a dor em comédia.
“Acabamos fazendo um filme dramático, que tem um grande elemento de stand-up, e ainda assim não é uma comédia”, disse Arnett em entrevista à Casual EXAME. “Essa mistura de gêneros funciona porque a vida, sozinha ou a dois, é complicada. Muitos momentos engraçados são seguidos por outros realmente dramáticos, e é isso que faz a vida tão interessante.”
O mix de gêneros faz um retrato brutalmente honesto da desconexão dos indivíduos com as próprias essências que tentam, aos tropeços, buscá-las de volta. Na contramão dos dramas de divórcio, em geral repletos de cenas espalhafatosas e diálogos aos berros, o filme toma um caminho mais polido. É tão contido na relação madura entre Tess e Alex que o impacto de um insulto isolado acaba sendo maior do que uma briga convencional.
“Se formos verdadeiros com nós mesmos, isso já é esperançoso, independentemente do resultado. É a vida real”, diz Laura Dern. “Essas questões que temos nos relacionamentos continuam existindo, e abordar isso com autenticidade é um ato muito corajoso para esse filme.”
Ainda que patine no ritmo, por vezes arrastado, com os monólogos de Arnett e a desnecessária presença de Cooper em cena, a atuação da dupla principal dá fôlego à produção e instiga o público a repensar as fronteiras dos relacionamentos.
O filme já está em cartaz nos cinemas brasileiros.
Visitando Sr. Green | Teatro Renaissance, Alameda Santos, 2.233, Jardim Paulista, São Paulo. Até 20 de abril (Divulgação/Divulgação)
O clássico de Jeff Baron volta ao palco do Teatro Renaissance para discutir solidão, preconceito e a força das conexões improváveis. A trama coloca frente a frente um idoso judeu ortodoxo e um jovem executivo em uma jornada de transformação mútua que atravessa gerações.
Águas subterrâneas: narrativas de confluência | Instituto Tomie Ohtake, Rua Coropé, 88, Pinheiros, São Paulo. Até 8 de março (Instituto Tomie Ohtake/Divulgação)
Os próximos dias são os últimos para aproveitar a mostra, que investiga o fluxo constante entre o que está na superfície e o que corre silencioso no imaginário brasileiro. A exposição reúne artistas contemporâneos em diálogo com o legado de Tomie, e explora a água como elemento de conexão histórica e ambiental. É um dos destaques do calendário de Artes Plásticas de São Paulo em 2026.
Em uma escrita quase lírica, o novo livro de Markus Zusak é um inventário de falhas humanas
Três cães selvagens (e a verdade) | Markus Zusakm | Editora Intrínseca | R$ 79,90 (Editora Intrínseca/Divulgação)
Markus Zusak já provou, em escala global, que sabe como extrair beleza da dor. Se em seu best-seller mais famoso, A Menina que Roubava Livros, a morte era a narradora, em Três Cães Selvagens (e a Verdade) quem dita o ritmo são três forças da natureza que não pedem licença para entrar: Reuben, Archer e Frosty, cachorros que acompanharam a vida do autor por vários e vários anos. Ao abrir as portas de seu lar para esses animais — que estão mais para lobos indomáveis do que para cães domésticos —, Zusak nos convida a assistir ao desmonte da própria sanidade e, curiosamente, à reconstrução de sua ideia de família.
A obra é um inventário de falhas humanas. Reuben é a figura lupina; Archer, a beleza destrutiva; e Frosty fica com o retrato do rancor sorridente. Juntos, eles formam o epicentro de uma narrativa em que acontecem visitas da polícia, idas emergenciais ao veterinário e constrangimentos públicos.
O trunfo aqui é a prosa. Zusak mantém uma escrita quase lírica, em que consegue transformar uma briga de parque em um evento de proporções épicas. E usa as derrotas caóticas para falar sobre algo muito mais profundo: a necessidade humana de desordem. Em uma vida milimetricamente planejada, cães selvagens são os únicos capazes de nos devolver à nossa verdade visceral.
...no Brasil
No Brasil, a Çã é elaborada com maçãs Fuji e Gala cultivadas no Rio Grande do Sul. Fermentada até a secura máxima, a sidra permanece por dez dias em contato com o mosto, etapa que intensifica seus aromas. Já em São Roque, recebe suco de maçã verde e passa por uma carbonatação lenta. Sem conservantes ou aditivos, cada lote expressa a sazonalidade da fruta.
...na França
A Galipette nasce de uma longa tradição sidreira. Lançada em 2017, é produzida pela cooperativa de produtores de maçã mais antiga do país, com foco no terroir da Bretanha e da Normandia. Elaborada pelo método pur jus — apenas suco puro, sem concentrados, água ou açúcar adicionados. O resultado é uma sidra feita com maçãs agridoce, equilibrada e fiel à sua origem.
...na Inglaterra
Somerset, no sudoeste do país, é a terra das maçãs e carrega uma longa tradição na produção de sidra. É ali que fica o The Newt, hotel e fazenda que produz sidras com 100% de suco de maçã. Feitas por fermentação a frio e maturação cuidadosa, preservam o sabor puro e complexo da fruta. O hotel oferece visitas guiadas para conhecer a adega, a prensa e o processo de produção.